quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Longe demais

Distância.
Saudade
São sentidos que sempre me acompanham na vida. Mas tudo é muito relativo, como sempre ouço.
A saudade que tenho da minha avó, da minha vida aos 11 anos, ou menor, quando brincava na rua sem preocupação. Do sol que quando eu acordava estava lá e ia embora rapidamente quando entrava para casa.

A distância entre meu coração e Buffalo, que a cada dia aumenta mais. Entre pontos que o destino colocou em uma praia de uma cidade linda, charmosa, maravilhosa, que diminui apenas com um desabafo sincero.

Mas cada distancia difere da outra.

Tenho saudades de quem está longe de mim. Pessoas que entram e saem de nossas vidas, mas por algum motivo algo permanece por longo tempo!

Sinto tanta saudade daqueles olhinhos puxados, da pele negra e macia. Do sotaque caipira, daquela pequena dos cabelos bagunçados... Daquela que me ensinou o que é o amor. Dos cabelos que descobri serem enroladinhos, daquele olhar por de trás dos óculos, daquele cabelo rosado que me fez ir do céu ao inferno, daquelas horas perdidas ao telefone, daquela xícara que um dia eu me transformei ...tudo isso hoje vive distante, em minha árdua memória.

Não sei se a culpa disso é toda minha, mas sei que todas essas lembranças, todos os momentos são eternamente guardados com a mais pureza das saudades.

Será que eu transmito algo do tipo também?

Fico pensando...

Sei que nunca vou descobrir o que realmente fiz em algumas vidas. Deixei saudades? Sentem a distancia como eu sinto?

E eu fico aqui, refletindo co minha saudade...movido apenas pela distancia de todo o tempo.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

2012

Ela parecia atordoada com toda essa situação. Não queria ir embora, mas não queria ele por perto também. Paradoxalmente, ela queria ficar grudada mas distante dele...
Ela, que sempre fora muito orgulhosa, parecia se remoer ao tentar falar àquelas palavras que ficavam em sua cabeça. Mas nunca conseguiu se expressar totalmente.
Agora era hora de ir embora.
Aquela despedida para o nunca mais. Cinco, dez, ou talvez vinte anos ficarão separados. Separados pelo tempo, pela tortura e pelas circunstancias da vida. Ah, essa vida que nos prega as peças mais sem graça.
Ele lembrou do tempo que ficaram separados. Lembrou de como a saudade era grande entre eles. Mas lembrou daquele dia que ela o tratou como uma pessoa invisível. Parecia não estar ali, no momento em que estavam.
Ela, arrependida, não queria que tudo fosse tão breve. Mas foi.
E de tanto dizer sim, ela se atirou no mar.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Luxos...

Não tenho luxo em minha vida.
Não tenho um celular de última geração, não tenho um tênis de marca, não tenho sequer uma televisão. Vivo muito bem sem ela. Não tenho uma roupa cara, não vou para lugares onde gasto muito para me divertir, não tenho metas de comprar um carro ou uma moto que seja.
Não sou apegado às coisas materiais. Não me importo se a pessoa tem uma moto,um carro, ou ganha muito dinheiro.
Não tenho um microondas, não tenho um super faz tudo, que corta, vira escada, faz café e gela a cerva.
O que eu tenho é meu mais puro e sincero coração, onde o que mais vale é o lado verdadeiro.
Sorrisos são fáceis de disfarçar. Mas difíceis de tirá-los verdadeiramente.
Uma única palavra, da mais simples e singela. Um único gesto, uma atitude que faz ver como as pessoas podem fazer sacrifícios por umas, mas outras nem tanto.
Mas o que eu tenho eu posso garantir, é real, é simples e é de coração.
Tenho comigo todos os galhos de uma árvore que cresce meio ao caos urbano. Voltada para o sol, ela conforta, protege e consegue ser maior que muita gente, porém ocupando menos espaço.
Sou assim, do jeito que eu sou

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Fica na pele

É um tanto estranho quando escrevo com os sentimentos a flor da pele. Parece que todos os momentos vividos passam em branco e só aquilo, que está aflorando que se sobressai.
Nos últimos dias consegui ir a todos os extremos. Do amor ao ódio, da paixão a negação, do perto ao longe do acaso ao caso.
Muitas feridas remoídas, muitos pensamentos futuros e incertos, com a certeza que nada dura para sempre.
Sabe aqueles momentos em que ligamos apenas para ouvir a voz de alguém? Isso não existe em minha vida, mas bem que eu queria ter um número de telefone para poder fazer isso.
Tem momentos de nossas vidas que deveriam ser irretocáveis. Aquele momento em que iremos sempre lembrar com saudade, mas que se voltássemos iríamos estragar aquele sorriso de lembrança.
Prefiro não correr atrás de algumas coisas. Sabe, tem momentos que devem ser guardados como únicos. Daqueles que a gente sempre vai lembrar com um sorriso e nada mais. Caso tenham outros encontros, certamente terá alguma lembrança indesejada.
Eu prefiro os momentos eternos, mesmos que não durem mais que um dia...

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Dor

Não precisa me esperar. Agora, eu sou uma lágrima que caiu em um oceano. Total insignificante.

Paro pra pensar em todas as coisas da vida. Por que escolher caminhos dolorosos? Às vezes a vida nos prega peças que nós, mesmo sabendo, insistimos em renegar.

A dor não precisa ser física. A dor não precisa ser interior ou então disfarçada. A dor é eminente e reluzente. Às lágrimas, ao contrário do riso, não conseguimos disfarçar.

Não espere por mim. Eu já morri...

Sou sozinho. E mesmo sendo um solitário, não consigo ficar sozinho nessa maldita cidade, onde a depressão, a insônia e as lágrimas me acompanham desde a chegada.

Gostaria ao menos de uma noite de sono...ao menos uma

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Memórias

Já aprontei demais na vida. Já bati no irmão mais novo, já fugi de casa por não querer tomar banho, já tive coma alcoólico com menos de 15 anos... Minha mãe teve muitas dores de cabeça.
Lembro-me da época de escola, que não queria estudar. A bagunça na escola era boa, mas estudar nunca foi meu forte. Mas sempre fui um bagunceiro nato.
Certo dia, colocamos um chiclete que soltava tinta azul na cadeira da professora. Ela sentou justamente de calça branca. Foi engraçado.
O dia que jogamos um colega no lixo, que demos xixi para o boliviano beber ao invés de suco de abacaxi. Forma bons tempos.
Em casa eu aprontada de outra forma. Fui criança de apartamento. Nasci e cresci em metrópole e nunca tive oportunidade de brincar na rua. Então eu jogava salabol, andava de Skate pela casa, corria...tudo na imaginação.
Hoje...
Hoje eu pego essas memórias, tão distantes, mas ao mesmo tempo tão próximas.
Distantes pelo fato de terem ocorrido faz o que, uns 40 anos? Mas é tão próxima por ver Diego, meu moleque aprontando todas as suas.
Ser pai é reviver momentos eternizados em um disco de memórias arranhado, porém com todo o arquivo ainda intacto.
Ser pai, é viver como seu filho, na maior brincadeira e harmonia.
Ser pai...ah, ser pai