domingo, 30 de novembro de 2014

Disco 86 e cerveja 86

MOTO PERPÉTUO - MOTO PERPÉTUO - Em música, a expressão italiana moto perpetuo - também Perpetuum mobile (em latim) ou mouvement perpétuel (em francês) - significa literalmente "movimento perpétuo". Esse nome foi escolhido para a primeira banda de Guilherme Arantes. Um disco histórico para o rock progressivo brasileiro, que neste ano comemorou 40 anos de seu lançamento. O disco foi feito por :
Guilherme Arantes (teclados e vocal)
Egydio Conde (guitarra solo e vocais)
Diógenes Burani (percussão e vocais)
Gerson Tatini (contra-baixo e vocais)
Cláudio Lucci (violões, violoncelo, guitarra e vocal)

Esse disco tem um jogo de palavras bem interessantes nas letras, algo que o Guilherme Arantes continuou fazendo ao longo de sua carreira. Mas vamos ao disco, pois a carreira de Guilherme Arantes já é bem conhecida por (quase) todos.

O disco abre com "Mal o sol", uma música que vai crescendo ao longo dos seus 2:48. Mesmo curta, começa bem silenciosa e vai se completando conforma vai entrando a voz. O refrão já conta com um jogo de palavras interessante aos ouvidos, "mal o sol amarelecera no céu". o Disco segue com "Conto Contigo", que é mais rápida e tem uma bateria quebrada bem legal. Destaque para os vocais logo após o refrão.

A terceira faixa do LP é a melhor do disco. Posso até exagerar mas pra mim é uma das melhores canções que o Guilherme Arantes pode fazer. A música tem uma bateria matadora, quebrada e com umas viradas fantásticas. O coro de fundo - especialmente no final- é espetacular e como sempre, o jogo de palavras rodando em suas canções- "nada que não faço mal e mal me faça passar, qual a nova sede, que é de tanta sede que não sente não é nova, novamente". Música maravilhosa - que em breve postarei o vídeo tocando ela, se a GVT permitir-.

O disco segue com "Matinal", com um belo refrão novamente "...tome um banho sobre o sono matinal, mate os males mas não se importe com desenganos". Essa é uma música mais lenta, que lembra coisas mais "modernas" do Arantes, como "amanhã". A música seguinte é a primeira que não é composição do Guilherme Arantes, "Três e Eu', composição de Claudio Lucci.

"Não Reclamo da Chuva" tem um baixo incrível. Poucos músicos no Brasil até hoje conseguem dosar um destaque no baixo sem cobrir toda a música como foi feito nesse som. Como sempre neste disco, a letra é forte. Posso estar viajando, errado, mas achei essa letra uma forma crítica ao consumismo que vivemos hoje, mesmo sendo escrita há 40 anos. Quem disse que evoluímos tanto assim? "Nunca fui convidado até charutos e licores já nem sei o que são valores. Quando se abandona o mundo  fica mais bonito, é bem melhor, uma roupa esfarrapada que o medo de sujar"

A sétima música, "Duas", é um resgato de memória. "Velhos tempos sem dor, só trechos de imaginação, Nascente loucura mas tudo melhor, ao menos era coisa pura". Quem nunca viveu romances puros quando mais novos, ou que achava que a vida poderia acabar ali, naquele momento que tudo ficaria bem? ela me lembrou muito uma música do próprio Guilherme Arantes, "O melhor Vai Começar"lançada em 1982.

"Sobe" é uma música que baixa um pouco o ritmo do disco, mais lenta e com destaque aos vocais e quebrada da cozinha bateria/baixo. "Cante, mas não desgraça, não se desfaça de nada
mexa-se, mais vontade sem mais razão...". Belo final de música.

"Seguir Viagem" é mais uma composição de Lucci, com um violão dedilhado lindo, um baixo que faz a entrada do coro marcante. Essa música me lembrou a "Clube da Esquina", lançada em 1972 por Milton Nascimento.

"Os Jardins" é um progressivo pesado, na linha de Yes, batera comandando a entrada e quebrando o tempo antes de entrar a voz. Umas paradas que fazem lembrar que música não é apenas som, mas também é silêncio. "Me respondaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa"...

"Turba" é a música mais longa do disco, com quase seis minuto. Viagem total, que me lembrou uns pianos que o Renaissance fazia. A voz entra após dois minutos e vem com bastante calma para depois se destacar.

E a cerveja?

Um disco como esse precisa de uma cerveja não só especial, mas uma cerveja de extrema qualidade e tradição, afinal Guilherme Arantes é um compositor que todo mundo no Brasil já cantou, seja em sua voz ou em voz de outro artista (como Balão Mágico, Roupa Nova).

Escolhi a Lobkowicz por ter tradição na região da Rep. Tcheca.

A primeira cerveja fabricada em Vysoky Chlumec foi em 1466. Desde 1474, a cervejaria se tornou propriedade da família Lobkowicz, família Nobre, tradicional Tcheca. Uma das mais antigas Cervejarias da República Tcheca.

O mestre cervejeiro da  Lobkowicz começa com a água pura a partir de poços artesianos da cervejaria e cevada da bohemia, que é transformada em malte, em sua própria casa malte. Ele fabrica as cervejas em cubas tradicionais de cobre, a adição do lúpulo Saaz aromáticos é feita com as mãos. A Fermentação aberta aprimora o caráter único das cervejas, e o saldo final é arredondado por meses de maturação.

Respeitando a personalidade da marca, receitas tradicionais, os procedimentos e o uso de matérias-primas de qualidade superior. Por isso uma real PREMIUM LAGER Esta é a maneira genuína para produzir as melhores Cervejas cerveja.

O resultado é uma cerveja de primeira classe, excelente na sua harmonia de delicado amargor, sabor e riqueza de colarinho.

Dê o play, coloque o vinil pra rodar e deguste essa maravilha. Vai ver que a combinação é perfeita.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Disco 87 Cerveja 87


JOELHO DE PORCO - SAQUEANDO A CIDADE - O Joelho de Porco surgiu em São Paulo em 1972, liderado por Tico Terpins (ex-guitarrista dos Baobás) e Próspero Albanese. Sempre irreverente e caçoador, em termos de atitude o grupo é considerado por alguns uma manifestação precoce do punk no Brasil, detentor de um autêntico "espírito de porco". Graças a isso, carregou durante muito tempo a fama de "banda de segunda". Não porque eram ruins, pelo contrário. Foram vítimas do preconceito ouvintes desatenciosos e incapazes de perceber que as músicas não são bregas, mas sim puro deboche!

Por outro lado, o tom humorístico da banda conquistou (e continua conquistando) uma legião de fãs fiéis ao longo dos anos, que disputam seus vinis e CDs. Além, é claro, de preparar o cenário para uma série de grupos que surgiriam nos anos 80 seguindo uma linha similar, tal qual o Língua de Trapo.

O disco abre com "Repórter Esso", música que só irá soar familiar par quem tem mais de 35 anos pois era o tema de abertura do programa homônimo (mais informações - http://migre.me/mMXlM ). A música é apenas a intro da abertura em guitarra, um timbre bem bacana. "Vai Fundo" é uma música perfeita para iniciar as partes cantadas do disco. Começa com um casamento lindo da cozinha entre baixo e bateria, com uma guitarra limpa que chega a brilhar o timbre.

o disco segue com "Apache" que é mais a introdução da música seguinte. Destaque ao timbre também que nesse disco parece ter sido escolhido depois de muito. "Funiculi Funiculá" é uma versão da tarantela italiana, mas uma versão bem metal. "Noites em Moscou" é a tradicional música russa com uma acelerada no final e gritos bem engraçados. Mas "Homem do Imposto de Renda" é um reggae satírico sobre a burocracia que tínhamos (tínhamos ? ) no Brasil.

"Diana" na sequencia para dar um up no disco para chegar ao maior clássico da banda, "Maldito fiapo de Manga", versão diferente da original do disco "São Paulo 1554  / Hoje" lançado em 1974. "Bom Dia São Paulo" é uma música de amor para a cidade que cresceu desordenadamente. "Bonanza" é uma tiração de sarro de temas de séries de TVs antigas. Mas é em "Pé na Senzala" que tenho que destacar o instrumental da banda. O baixo é simplesmente incrível deste black soul.

"Vigilante Rodoviário" é mais uma sátira de aberturas da televisão, é um clássico do programa da Tv Nacional. "Bom Dia São Paulo nº2" é uma versão mais Soul gospel desta canção. "Rock do Relógio" tem a melhor letra que Zé Rodrix canta neste disco. Essa música é simplesmente uma poesia maravilhosa da reflexão de gerações. Linda música.

"Sons de Carrilhões" é uma passagem bem humorada de um certo alguém tirando um som na guitarra e errando. Após, repete-se a "Funiculi Funiculá" porém em modo playback. "Ue O Muite Arukou" (canção de um seriado japonês...) vem introduzida por uma narração sobre o descobrimento da América e o impressionante espetáculo do moderno capitalismo.

Em "Telmo Martírio" a banda faz uma crítica pesada ao crítico de música Telmo Martírio. "Conjunto de Beira de Piscina de Filme Italiano" é mais uma passagem de Tv, desta vez de um comercial, assim como a sequente "Afrikaan Beat" que é uma tiração de sarro mais resumida.

"Dia de Ação de Graças" é a história de Joaquim Ferreira Prado um católico que se apaixona pela judia Sarita, filha de Isaac Isaias (Isaac Isaias foi um produtor da Polygram). Os familiares cercam Joaquim e fazem a circuncisão nele. Bem engraçada. Mas por falar em música engraçada, "Um Trem Passou Por Aqui" é onde eles pegam pesado no humor. A música é a história de como o Roberto Carlos perdeu sua perna e usa uma perna mecânica hoje (que na música é apelidada de Margarida). Pelo visto deus perdoa, mas o Joelho de Porco não.

"Hora de Dormir" é mais uma vinheta televisiva. Pesquisando sobre a banda, vi que Tico Terpins fazia diversos jingles para televisão. Está ai o motivo de tantas músicas referentes à televisão. O disco fecha com " A voz do Brasil", música vencedora como "Melhor Letra" no Festival dos Festivais da Tv Globo.

Enfim, são 24 músicas que cada vez que ouve quer ouvir mais. Sempre achei Zé Godrix genial, ele já esteve aqui neste blog no disco e cerveja 96. Mas a junção dele com o joelho de Porco ficou simplesmente fantástica. uma pena que o Brasil não tem mais espaço na mídia para artistas com esse nível de talento. Em janeiro deste ano, curtindo um som na casa da minha irmã, falamos sobre a banda e como ouvimos para matar a saudade de São Paulo.


Para acompanhar, nada melhor que lembrar de São Paulo, não é? Então aqui vai a cerveja "Paulistânia", da cidade de Cândido Mota. A de Malte é uma cerveja refrescante, aromática e encorpada, com um gosto ótimo de malte e amargor muito harmônico. Com apenas 4,8% de teor, ela desce muito bem.  Acompanha desde pratos leves como grelhados, sushis e saladas, e também frituras como batata frita e jiló frito.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Disco 88 cerveja 88


ULTRAJE A RIGOR - NÓS VAMOS INVADIR SUA PRAIA - Roger se tornou patético. Hoje ele é conhecido pelo que fala e não pela música que faz. Isso mostra que um artista quando não sabe envelhecer acaba fazendo de tudo para atrair a atenção, até ser ignorante... Mas é hora de falar em passado.

Esse disco foi um marco para o rock com humor no Brasil. Claro que já tínhamos outros grupos e artistas que faziam do humor sua arma para fazer música, como o Juca Chaves e o Língua di Trapo (vencedor do último festival de música da Tv record, em 83), mas o ultraje veio para suprir isso no rock, que precisava de algo mais destacado. Os anos 80 estavam perfeitos para o rock nacional, com a mídia apoiando e dando destaque em qualquer lugar. Até em programas infantis tinham bandas como Ratos de Porão.

Ultraje veio com ironia. No som que abre o disco, o mesmo que dá o nome , já mostra como iria ser, tirando um sarro dos incomodados nas praias de São Paulo dos farofeiros da capital. Ironia na medida certa. Acredito que "Rebelde sem Causa" seja uma auto biografia 'não autorizada' do Roger. Uma música que mostra como é o playboy brasileiro, hoje chamado de moleque de prédio. Desta forma, tem de tudo mas reclama da vida.

"Mim Quer Tocar" mostra um pouco do preconceito também, especialmente na parte "Mim é brasileiro, mim gosta banana". Humor com dose de politicamente incorreto, no que hoje transformou Roger em professor. "Zoraide"vem para mostrar o amor livre, que a monogamia era chata e entediante. Uma ótima música.

"Marylou" é um dos maiores clássicos da banda. tem uma história curiosa que, quando eu estava na segunda série, no Gepal (saudades do colégio), havia uma professora da terceira série que se chamava Marilú. Com a mesma fonética, virou piada na escola. E ela adorava.

"Jessy Go" é a música que roger fez para o Lobão. Não que seja algo oficial, mas a primeira estrofe é prova digna disso.

"Não passava de um imbecil
Até que um produtor o descobriu".

Melhor definição, impossível.

'Eu me Amo" é a mais pop do disco. Seguida por 'Se você Sabia", esta talvez seja a única do disco que não se tornou um clássico da banda em shows.

Para fechar o disco, "Independente Futebol Clube" é chave de outro. música com uma letra ótima, um instrumental bacana e bem animada. Coros e backing vocals na medida exata fazem do disco um clássico no Brasil. Pena que a banda nunca mais conseguiu fazer nada que preste depois disso. Mas que marcou história, isso pode ter certeza.

Para acompanhar esse disco, indico a clássica Brahma, afinal você não vai querer estragar uma cerveja especial com um disco do Roger Moreira,vai?

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Disco 89 cerveja 89

ROBERTO CARLOS - O INIMITÁVEL - Primeiro disco lançado após Roberto Carlos deixar o programa Jovem Guarda, da TV Record, "O Inimitável" é considerado o álbum de transição do cantor, embora ainda traga todas as características daquele movimento musical.

Logo na faixa de abertura do LP, com a impactante "E Não Vou Mais Deixar Você Tão Só" (composição de Antônio Marcos), nota-se uma mudança, já que álbuns anteriores tinham canções mais ingênuas como ("Aquele Beijo que te Dei", "É Tempo de Amar" ou "Gosto do Jeitinho dela"). Este era um sinal de mudanças no repertório do músico, que gradualmente mudaria seu gênero, passando a priorizar canções mais maduras e elaboradas, seja entrando de cabeça no Soul ou seja com Rocks mais profundos e estridentes como "Se Você Pensa" e "As Curvas da Estrada de Santos" do álbum posterior. Dois grandes sucessos de "O Inimitável" foram as músicas "Eu Te Amo, Te Amo, Te Amo" e "As Canções Que Você Fez Pra Mim" (ambas parcerias com Erasmo Carlos).

"O Inimitável" é também lembrado também pelo flerte de Roberto Carlos com o soul e o funk norte-americanos, como em "Se Você Pensa" (com Erasmo Carlos) e "Ciúme de Você" (de Luiz Ayrão) - dois dos maiores hits desse álbum. A faixa "Madrasta" foi a primeira e única canção defendida em festivais pelo cantor a ser incluída em LP e que possui grande complexidade harmônica, difícil de cantar.

Nesse disco Roberto demonstrou grande potencialidade vocal, nos discos anteriores o importante em suas músicas eram o ritmo, neste a melodia aparece em destaque e sua voz está bem colocada e com todo o seu potencial.

Para esse disco, indico a Petra Pilsen. uma cerveja leve, com 4,5% de teor e sabor para quem gosta das cervejas mais populares. Valor médio de R$3,00 a long neek.



segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Disco 90 cerveja 90


ENGENHEIROS DO HAWAII - SIMPLES DE CORAÇÃO - Para esse post, vou com um disco que ouvi muito durante o início dos anos 2000. Por influência da minha irmã, acabei indo a vários shows da banda e esse disco, em minha opinião, é o melhor da banda.

O disco tem o destaque pelo lado de que Humberto saiu na mesmice do Rock gaúcho e experimentou mais. Colocou coisas mais regionais, botou o batera Maltz pra cantar parte de um som e efeitos bem interessantes para o grupo, mesmo em um disco lançado em 1995. Um bom pop rock com pegada bem gaúcha.

O disco abre com "Hora do Mergulho", um som mais ameno, com um coro feminino bem interessante no início. "A Perigo" é uma pegada mais rock, bem ao estilo dos Engenheiros do disco Várias Variáveis.

A música título é uma das melhores composições de Humberto Gessinger. composição muito brilhante para uma pessoa como HG que de genial nada tem. é um bom compositor de pop rock, mas nessa música, realmente se superou.

Lance de Dados é um violão e voz meio entediante, mas com um jeito único que só os músicos gaúchos conseguem fazer. Mas é em "A Promessa" que a banda mostra peso e animação no disco. Um ótimo som para abrir show, mas que está esquecida faz anos pela banda.

"Por Acaso" é um rockão gaúcho, mas em "Ilex Paraguariensis" é que a raiz gaúcha entra com força no disco.  Com o acordeão, viola, a letra passa por momentos que remetem aqueles interiores do Rio Grande do Sul. Bem intimista e regional, uma música bem bonita.

O baterista Carlos Maltz entra na voz em "O Castelo dos Destinos Cruzados", talvez o ponto alto do disco. O sotaque gaúcho é bem forte nesse som, talvez o batera não consiga tirar ou então (o que eu acredito que seja) nem passou isso pela cabeça, tendo em vista que os caras são do RS mesmo.

"Vícios de Linguagem" parece uma música para acabar o disco. Teria sido uma ótima escolha também, Um coro lindo feito por 'The Water Sisters"que remete aquelas igrejas americanas onde frequentavam só negros.

"Algo por você" tem um efeito na voz que pode soar estranho para muitas pessoas. Eu particularmente demorei para gostar dela. Tem uma batera marcante esse som, um eco bacana de início. Realmente esse disco se destacou na técnica de estúdio.

Para fechar a banda escolheu 'Lado a Lado", que caiu perfeita para o disco. Com diversas vozes no som, a letra começa com o clássico inter e grêmio. Massem citá-los. Ouça, não é um disco 100%, mas é um ótimo disco que temos no rock nacional e que vale muito a pena ter.

Para acompanhar esse disco, escolhi obviamente uma cerveja do Rio Grande do Sul. A cerveja é a Baldhead Kölsch. Uma cerveja ótima, com malte de trigo, aroma frutado e com baixo amargor. A garrafa é de  500 ml e custa em média R$18. Combina muito bem com salames, salsichas mais picantes e comidas mais apimentadas.


quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Baita dum disco Disco 91 e uma breja bem boa 91


Essa capa é linda demais
KARMA - KARMA (1972) - Conheci o Karma uma vez que conversei com Ed Motta. Eu mais perguntava de música para ele e ele me falava mil coisas, mas quando pedi uma indicação de progressivo bão mesmo nacional ele me indicou essa banda. Foi fantástico o que eu ouvi naquele momento. Agora falo sobre o disco, rsrs

Após romper com O Terço (em breve estará na lista), Jorge Amiden logo encontrou novos parceiros. Com Luiz Mendes Junior (violão e vocal) e Alen Cazinho Terra (baixo e vocal), irmão de Renato Terra, o guitarrista daria início a sua trajetória de pouco mais de um ano como líder do Karma. Um baita power trio de rock rural, com umas passagens bem psicodélicas.

O disco começa com "Do Zero Adiante" e é algo lento, com vocais e letras marcantes, bem característicos de Amiden.  "Blusa de Linho" é o rock clássico, com baita base bacana uma flauta que tem aquela pegada meio Jethro Tull. Sonzera.

"Você Pode ir Além" é pesado, batera rápida, diretão, rockão mineirão dos bão! "Epílogo" é piração pura, música que tem pouca voz e mais instrumental, bem no progressivo que lembra umas coisas do King Crimson.

"Tributo ao Sorriso" é o clássico d'O Terço que Amiden faz no disco. O legal é o começo, feito a Capela. Sonzera. Faço um comentário fora do dico, eu conheci essa música com o Roupa Nova, fazem uma puta versão, vale a pena ouvir.

"O Jogo" é uma música linda, mais lenta e com letra mais destacada. O legal esse som é a gaita que acompanha, fina demais. "Omissão" vem depois que é até parecida com a anterior, porém sem a gaita, o que deixa um certo vazio.

"Venha Pisar na Grama" tem um vocal bacana demais, mas parece que confunde um pouco com o instrumental. Tive que ouvir em fone para conseguir entender umas passagens (adoro isso).

"Transe Um" pra mim é a melhor do disco. Instrumental lindo, aquele rock rural que só a minerada sabe fazer, e seguida por "Cara e Coroa", que fecha o disco de maneira arrepiante. Amiden fala de Valores Humanos nesse som, uma intro maravilhosa e um solo de baixo e guitarra que parece terem deixado o melhor de sua alma musical para fechar o disco.

Ouça esse disco tomando uma cerveja mineira. Escolhi a cervejaria Backer mas a Tres Lobos American Ipa, chamada de Pele Vermelha. Para um disco psicodélico o melhor é uma cerveja com um saber psicodélico. Com raspas de laranja em sua receita, essa cerveja tem um sabor mais impactante ao paladar, com uma graduação alcoólica de 7%, ela é encontrada apenas na long neek. Valor médio R$6,00

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Disco 92 cerveja 92


QUINTETO ARMORIAL - DO ROMANCE AO GALOPE NORDESTINO - O Movimento Armorial foi arquitetado por Ariano Suassuna, em 1970, na intenção de criar uma arte original e profundamente nordestina, mesclando influências ibéricas com tradições tipicamente nordestinas, que daquelas se desdobraram, além das heranças culturais trazidas pelos negros e das aprendidas com os indígenas, criando uma obra, a um só tempo, popular e erudita.
Segue texto de apresentação do grupo escrito por Suassuna, extraído da contracapa do LP:

Iniciado oficialmente em 1970, o Movimento Armorial interessa-se por Cerâmica, Pintura,Tapeçaria, Gravura, Teatro, Escultura, Romance, Poesia e Música, sendo que estamos a ponto de tentar nossas primeiras experiências no campo do Cinema e no da Arquitetura.

No que se refere à Música, o trabalho do Quinteto Armorial é o que, na minha opinião, temos de mais importante, pois contamos com compositores que já estão dando o que falar, no campo da Música brasileira e erudita, de raízes nacionais e populares.
Sem se falar dos nossos dois grandes patronos de nome já firmado - Guerra Peixe e Capiba, aqui presentes neste disco - trata-se de gente como Antonio Carlos Nóbrega de Almeida, Jarbas Maciel, Egildo Vieira, e, sobretudo, esse extraordinário Antônio José Madureira, a meu ver a maior esperança da Música brasileira atual. Assim como Gilvan Samico, partindo das xilogravuras da Literatura de Cordel, criou importância para a Cultura brasileira, o mesmo está fazendo Antônio José Madureira a partir dos cantadores do nosso Romanceiro Nordestino, dos toques de pífano, das violas e rabecas dos Cantadores - toques ásperos, "desafinados", arcaicos, acerados como gumes de faca-de-ponta.

Foram os compositores armoriais que revalorizaram o pífano, a viola sertaneja, a guitarra ibérica, a rabeca e o marimbau nordestino, estranho e belo instrumento, de som áspero e monocórdio, lembrando - como a rabeca também - os instrumentos hindus ou árabes, estes últimos de presença tão marcante no nordeste, por causa da nossa herança ibérica.

Os músicos do Quinteto Armorial poderiam ter partido em busca de dois caminhos fáceis: limitar-se, por um lado, à boa execução convencional da Música europeia, tradicional ou "de vanguarda", e procurar, por outro lado, o fácil sucesso popular, tocando, à sua maneira, "baiões" comerciais. Não o quiseram. Convencidos de que a criação é muito mais importante do que a execução, preferiram a tarefa mais dura, mais ingrata, mais difícil e mais séria: a procura de uma composição nordestina renovadora, de uma Música erudita brasileira de raízes populares, de um som brasileiro, criado para um conjunto de câmera, apto a tocar a Música europeia, é claro - principalmente a ibérica mais antiga, tão importante para nós - mas principalmente apto a expressar o que a Cultura brasileira tem de singular, de próprio e de não europeu.

O Quinteto Armorial tem seu trabalho ligado ao Departamento de Extensão Cultural da Pré-Reitoria para Assuntos Comunitários da UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO.

Faixas:

1. Revoada (Antônio José Madureira) 00:00
2. Romance da Bela Infanta* (Romance ibérico do século XVI, recriado por Antônio José Madureira) 03:43
3. Mourão (Guerra Peixe) 05:36
4. Toada e Desafio (Capiba) 07:27
5. Ponteio Acutilado (Antônio Carlos Nóbrega de Almeida) 11:53
6. Repente (Antônio José Madureira) 16:25
7. Toré (Antônio José Madureira) 21:01
8. Excelência (Tema nordestino de canto fúnebre, recriado por Antônio José Madureira) 24:01
9. Bendito (Egildo Vieira) 27:03
10. Toada e Dobrado de Cavalhada (Antônio José Madureira) 31:27
11. Romance de Minervina* (Romance nordestino, provavelmente do século XIX, recriado por Antônio José Madureira) 36:19
12. Rasga (Antonio Carlos Nóbrega de Almeida) 37:52




Para esse disco, fui lembrar de uma cerveja mais voltada ao chopp lá de Fortaleza (uma cerveja do Nordeste, yes,lembrei). Drache Bier é uma cerveja mais encorpada, com teor alcóolico de 7 % e um sabor forte. Essa da foto não fui eu, tirei da internet desta vez, mas tomei quando estive no WebFor e indico para curtir esse disco maravilhoso que vem lá de Pernambuco, mas o Nordeste é uma região única. Um brinde ao Nordeste e a música Nordestina!!!