sábado, 19 de janeiro de 2013

Carta de despedida

Carlos querido.

Venho escrever esta carta para não precisar chorar olhando em seus olhos. Queria falar isso em sua frente, mas não conseguiria sem me humilhar aos prantos.

Lhe amei muito, mas você não deu valor. Não deu valor pois, parece mesmo, que você não estava satisfeito apenas comigo.

Lembra quando fomos ao interior não é? Pois bem, eu sei muito bem que você ficava trocando mensagem com ela, dizendo que queria escutar sua voz, que queria estar ao seu lao. Isso me doeu, mas eu tive que segurar, afinal eu lhe conheço. Mas tudo tem um limite.

Você não me procurava mais. Parecia que estava acostumado com minha presença e que sempre estaria lá, garantido tudo quando quisesse. Não parecia que sentia desejo por mim. Eu sempre me arrumava para você, para ficar em casa, sem nada a fazer. Entendo seus trabalho, sua relação com seus pais, mas você não é mais criança. Ao menos não deveria ser tratado como tal.

Sabe que fiquei absurdamente chateada quando você afirmou que eu estava baixando o nível só pelo fato de me masturbar. Ora, Carlos, fazia isso pois de alguma forma estava insatisfeita, não acha? Eu sempre falava que precisava de uma TV só pra mim para poder ter meus momentos íntimos justamente porque com você eu não tinha isso.

Você me falava, tinha ciumes de mim, se houvesse algo físico. Suas palavras doeram mais do que se eu tivesse visto você com ela. Mas você não se importa, afinal palavras sempre foram jogadas ao vento por tua parte. E eu, acreditava em tudo. Achava tudo o máximo...

Hoje, vendo o que eu passei fico pensando, como pude entrar nisso tudo? Sou uma pessoa triste. Mesmo sabendo que era mais triste sem você, hoje fico mais preocupada, com alguma coisa em minha mente sempre me dizendo que você não é só meu... E esse é o meu problema, sou egoísta demais para lhe dividir.

Sabe, você hoje diz que nosso relacionamento não era lá aquelas coisas. Eu não, eu sempre achei o máximo. Vejo que você é daqueles tipos que senta em frente da TV e acha a imagem ruim.  Ai você muda a antena de lugar e vê que a imagem ficou pior, fica com saudades da imagem menos pior que esta antes. Vejo que foi assim que você viu nosso relacionamento.

hoje to indo embora, e para que você entenda, tive que assinar uma TV a cabo.

Manu...

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Remoendo

Por que fui procurar o que não devo? Agora fico me remoendo por dentro de formar abstratas...

"Beijo,te amo"

Nunca ouvi isso. Nunca li isso... Mas essas palavras me consomem internamente e eu ando cada vez mais amargo.

Já não consigo dar mais os sorrisos que dava antes.
Pensando que esse coração era apenas pra mim. Ledo engano.

Nunca a vi totalmente entregue. E hoje, mesmo com o passar do tempo, ainda não vejo. Tive a prova mais cabal de tudo isso...

Não posso reclamar. Quem procura o que quer, encontra o que não quer. Fui em particularidades que não fui convidado. Aconteceu...

Convidado...

Em certas horas sinto-me como se fosse parte importante deste universo, mas tem horas que isso parece ser apenas uma caridade, comodidade ou um mero vestígio de algo. Seria para ter a liberdade de outro lado?

Por que tantas exclamações?

"Eu te amo"...

Mesmo forçando a parte interna, foi um grande incômodo ler esse tipo de reciprocidade. Vejo que não tenho espaço para isso, vejo que meu espaço é totalmente limitado, onde as mãos não exploram, as bocas são limitadas...logo no jogo do amor

A verdade não se esconde debaixo de um cobertor. Não esconda nada, pois nada se esconde.  Mas esconder o que exatamente?Nem eu sei ao certo.

Só sei que me corroo por dentro, e isso não passará tão cedo.


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Eu vi sem ver

Saudades de seus beijos, selinhos, massagens e carinhos.
Dois corpos não estando presentes, podem estar juntos...


E a cabeça que vai longe...

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

The Beatles - I Me Mine

Intensidade


Senti sua respiração quente e afobada na minha nuca. Eu suava e tentava me segurar em algum lugar para não cair, pois nossos corpos ocupavam o mesmo minúsculo espaço. Equilibrava-me nas pontas dos pés enquanto sentia todo esse êxtase matinal.

Você, me tocava, falando baixo em meus ouvidos. Não sentia nada. Quando encontramos o amor de nossas vidas, dizem que o tempo fica estático. Não via nada se mover. Tudo parecia apenas preto e branco. Nós, ali naquele momento, era o único projeto de cor...

Suor escorrendo pelas minhas costas. Ele me apertava forte, depois suave. Lambia meu pescoço como se fosse seu maior desejo em vida.

Me jogando na cama, senti que seria o momento de abrir meu mundo. Sim, doo-me a você. Suas mãos passeavam em meu corpo, suas mordidas, que tanto reclamo, eram carinhos em minha barriga. Pegando forte. Me senti desejada. Me senti possuída, me senti um objeto. Me senti mulher naquele instante.

Lembrei de todos os amores que tive; dos que eu não tive; dos que ainda terei. Nada estaria comparado a esse momento. Explosões em fogos dentro de mim. Não era mais responsável pelos meus atos. Os corpos simplesmente se moviam conforma a música pedia. Os movimentos intensos, os arranhões e mordidas. Tudo tão forte.

A porta se abre. Vejo o rosto dele me olhando com uma pessoa na cama, com o vestido levantado e ofegante.

(continua)

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Sonho final


Recoste sua cabeça
E durma em meu ombro
Recoste sua cabeça
E inicie um novo sonho
E por esta noite
O momento se acabou
Levado por uma canção de ninar
Aqui onde as estrelas residem
E anjos são sempre avistados

E recoste sua cabeça
As estrelas, elas têm sussurrado
Escute o que elas dizem
E entenda o que elas querem dizer
A lua é sua guia
As estrelas, elas a têm beijado
Enquanto ela se vai gentilmente
Iluminada como o suspiro de um bebê
A salvo em um rio de contos de fada

E inicie um novo sonho


quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Não vou dizer que estou triste


Estava tão feliz com você. Não sabia nem explicar o turbilhão de sentimentos que explodiam dentro de mim. Era uma das coisas mais gostosas que já havia sentido em minha vida, e olha que da vida entendo muito (ou sempre achei que entendi, pois sempre tive essa prepotência).

Lembro-me muito bem a primeira vez que nos vimos. Foi muito por acaso, um indo e outro voltando. Se não me engano de um almoço, pois trabalhávamos juntos. Naquele exato momento sabia que tu eras quem eu queria para minha vida. Para poder chamar de meu, e você me chamar de minha.

Ah, quantas saudades desses tempos bons. E rapidamente tornamos cúmplices um do outro. Melhores amigos. Maiores amantes. As noites que passamos juntos eram inacreditáveis. Me entregada de corpo e alma. Pode até ser que de início era algo físico, mas o calor de nossos corpos, você beijando meu corpo nu, eu podendo pegá-lo com força e terminarmos num gozo mutuo infinito.

Meu coração hoje dói. Você preferiu trocar quem estava sempre ao seu lado por uma grande aventura. Mas claro que não sou digna de querer reclamar alguma coisa. Tu sempre foras solto no mundo, eu que fui besta de me entregar tanto para quem se entregava apenas de corpo, enquanto eu abri meu coração. E tu, que o guardou em uma gaveta, assim como fez com outros tantos corações. Ingenuidade minha...

Lhe ver com outra pessoa aquele dia me machucou, mas mantive forte. Não vou dizer que não senti nada, seria uma grande mentira minha. Mas mantive a compostura. Sempre me fiz de forte, e não seria agora que não iria fazer o contrário. Tu ai, amarra-se a qualquer sorriso, enquanto eu entrego meu coração e minha alma a ti para que seja só mais uma aventura. Não posso culpá-lo, é assim tua vida e sempre foi.

Hoje eu fico triste por ti, ai sofrendo por um amor que fez o que tu sempre fez com outras. Como o mundo da voltas. Ontem eras tu quem pisava em um coração. Hoje és tu quem está com o coração partido. Não me alegro em ver que tu estejas sofrendo, afinal esse sofrimento é o pior de todos que possamos sentir. Não desejo isso a ti, mas agora que tu passas por isso, queria dar-lhe um ombro.

Queria mesmo, mas não darei. Não darei porque no fundo sinto que isso é bom para tu veres o quanto me fizeste sofrer, o quanto eu me entreguei e tu pisaste neste pequeno coração. Agora que está sentido o mesmo, estás sozinho, sem mesmo seus amigos para lhe dar um ombro para descansar. É...não vou dizer que estou feliz por isso. Mas não vou dizer que estou triste. Quem sabe assim tu aprendeste como é brincar com o coração alheio.