Não fico aflito por saber que nada sei. O que é? De que? De onde veio? São perguntas cujas respostas não me interessam. O tempo não precisa ser medido; essa frase tem ficado muito tempo na minha cabeça.
Não existe diferença entre verdade e mentira, nem a possibilidade de encontrar o bem e o mal. Não sei porque catso comecei a pensar nisso.
Há muito tempo não dou uma risada. Nem choro. As palavras não significam nada. Meu corpo se curvou para frente, desiludido. Não consigo entender o sentido da minha vida. E isso não me comove mais.
Os homens fizeram a sua própria história, mas não imaginavam onde iriam desembocar. No principio, o céu e a terra eram fenômenos divinos, e só. Em seguida, a Razão, a Ciência encontraram teorias que os definissem. A luta da humanidade era explicar o inexplicável.
Hoje... meu corpo se curvou para frente, desiludido. DANE-SE! Lembro-me de uma música que falava “Tudo, tudo, tudo vai dar certo...” e acho engraçado. Nada deu certo. Já me falaram de uma nova era. Já me falaram do universo em expansão. Mas nada deu certo. Nada.
domingo, 8 de janeiro de 2012
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Ah, como eu queria
Ah, como eu queria
Ser aquela gotícula de suor que passeia em seu corpo
Ser aquele mel que escorre pelos seus lábios
Ou ser um sopro de vento, para poder mover seus cabelos
Ah, como eu queria
Ser a luz da manhã que lhe faz acordar
Ser aquele cobertor que lhe esquenta todas as noites
Ou a luz do mais belo luar
Ah, como eu queria
Ser o azul do céu que ilumina
Ser aquele caminhar calmo
Ou um sorriso de alegria
Mas sempre que me deparo com o que quero
Vejo que nunca estás por perto
Ah, como eu queria...
Ser aquela gotícula de suor que passeia em seu corpo
Ser aquele mel que escorre pelos seus lábios
Ou ser um sopro de vento, para poder mover seus cabelos
Ah, como eu queria
Ser a luz da manhã que lhe faz acordar
Ser aquele cobertor que lhe esquenta todas as noites
Ou a luz do mais belo luar
Ah, como eu queria
Ser o azul do céu que ilumina
Ser aquele caminhar calmo
Ou um sorriso de alegria
Mas sempre que me deparo com o que quero
Vejo que nunca estás por perto
Ah, como eu queria...
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Imadiatismos
Ela passava as mãos sobre meus cabelos. A intensidade das coisas era forte demais, e eu nunca relutei contra. Alias, a única coisa que lutamos contra era ter a noite de amor dentro de um carro, na porta de sua casa, onde sua mãe poderia aparecer a qualquer minuto.
Tinha horas que inventávamos algum papo para o clima não ficar tenso, afinal a vontade era maior do que tudo em nossos corpos. Lembro-me de botar a Mao por dentro de sua saia. Ela, ofegante, relutou sem querer tirar minha mão lá de dentro. Ela,ofegante e cheia de vontades. Eu...bem, eu fazia o papel de homem, deixando-a com vontade e depois corria, para que ela me procurasse.
Uma coisa que aprendi nessa minha vida era deixar que as mulheres corressem a trás. Sempre fazia elas ficarem com vontade e eu nunca relutava, nunca demonstrava que eu estava cheio de vontades, prestes a explodir. Mas me portava como o dono dos meus instintos.
Seus cabelos, ondulados que mais parecia uma mulata, misturava-se ao molhado de nosso suor e nossos beijos. Era engraçado, mas ela sempre temia em ficar com os cabelos desarrumados, e agora perdia totalmente as estribeiras.
Lembro-me de umas palavras que trocamos. ´´ Tem algo de ruim em você mesmo ´´, perguntávamos, lógico, sem conhecer profundamente nossas vidas. Mas por um mero acaso,acabamos naquele carro, com aqueles beijos e naquela situação.
Fomos apresentados por uma grande amiga em comum. Simone trabalhava em uma loja de brinquedos quando fui comprar algo. Pedi algum brinquedo para meninas, e ela veio com inúmeras opções para a criança brincar de dona de casa. Quando ela viu minha expressão, puxou papo. Viu que eu era apenas mais um de passagem pelo lugar e me convidou para tomar, junto com alguns amigos, um Pisco. Aceitei. Cheguei ao tal bar na hora marcada, apenas Simone estava presente. Começamos a conversar e os amigos iam chegando. Chegaram dois, quatro, seis, quando fui perceber,a mesa estava com mais de trinta pessoas.
No início, apenas papos descontraídos. Chegou um violão e uma flauta. As músicas começaram a rolar, juntamente com as garrafas de pisco. Não consegui contar quantas havíamos bebidos até aquele momento...aquele momento.
-Qual seu nome?
- Viccenzo e o seu?
- Jezabel,mas todos me chama de Jessie.
- Prazer, Jaezabel, nome bíblico,certo?
- Sim, meus pais,religiosos só colocaram nomes bíblicos nos filhos. Meu irmão chama-se Pedro. Quero que seja o nome do meu filho também. O que veio fazer por aqui?
-Te conhecer, eu disse brincando. Ela riu. Começamos a bater um bom papo. Ela, médica formada. Eu? Um mero viajante. Nunca imaginei que uma médica como ela fosse se interessar por mim. Falamos de estrelas, de como era sua vida naquela cidade, de como as coisas aconteciam. Até que, em uma brincadeira boba...
- Nossa, que legal, perfeita, mas é médica. Mesmo assim,quer casar comigo?
Ela riu. Não respondeu nada
- É , uma médica nunca iria se interessar por um nada assim
- Eu não falei que não. Só quero saber, pra você, o que teria demais um filho se chamar Pedro?
-An?, acho que nada, nem sei se pretendo ter filhos na verdade, mas se tivesse, Pedro seria um nome bom sim.
Ela riu. Respirou fundo e pediu licença para ir ao banheiro. Levantou-se rapidamente e sai,às minhas costas. Eu em um impulso que veio não sei de onde, fui atrás. Ela usava o banheiro enquanto eu a esperava no lado de fora. Ela abriu a porta. Uma senhora pediu licença para utilizar e passou entre nós. Quando ela fechou a porta, nos beijamos. Sim, na porta de um banheiro de um bar sujo fechamos o mundo. Tudo poderia cair naquele momento, que estaria tudo bem. As bocas se encontrando, o movimento do corpo, as mãos em uma dança imaginária que parecia ensaiada... aquele beijo mostrou que não foi a primeira vez que estávamos juntos. Mas tudo indicava que seria a última.
Voltamos para a mesa. Em meus pensamentos, pensava que seria algo só ali no banheiro, afinal não conhecia ninguém ali da mesa e já fui logo agarrando uma das mais belas. Ela pediu para chegar mais perto. Beijamos-nos ali, na frente de todos, sem o mínimo de problema. Ela pegou o meu braço e entrelaçou em seu corpo, dando a mostra que sim, ali havia um casal sentado. Ela parecia não querer desgrudar de mim. Falei que iria embora em três dias, que estava só de passagem.
- Então hoje vou te levar pra conhecer alguns lugares daqui. E você é meu convidado, não precisa se preocupar com entrada e bebidas.
- Não, isso não vou permitir, eu pago minha entrada e tudo o que eu beber.
- Ok, mas hoje você terá uma noite boa.
O papo ainda foi rolando naquele bar. Ela ,em um tom confessional, falava baixo pra mim.
- Nossa, difícil eu me interessar por alguém,mas você realmente me chamou a atenção.
- Devem ser meus olhos azuis(eu não tenho olhos azuis)
- Para com isso bobo, sério. Te contar. Eu já fui casada, e conheci meu ex marido assim, no bar e era amigo de uma amiga. Engraçado como são as coisas, eu me encantei por ele assim como estou encantada por você. Estranho,mas parece que tem coisa se repetindo.
- São as pecas que a vida sempre nos prega né. Mas acho que é uma mera coincidência, afinal nós só temos hoje para aproveitar...
- Então teremos uma noite inesquecível...
Ela me levou a um bar pelo centro da cidade. A arquitetura do centro era rústica, um tanto quanto pitoresca também. Achei belo, mas ela por ser moradora de lá, acha feio, prefere as coisas modernas. Como ela mesma falou ´´ gosto de um bom shopping com ar condicionado ´´.
O bar era fechado, sem muita ventilação e com muita gente. Pra mim, era algo que nunca imaginaria ficar, mas não sei porque aquela companhia estava de muito bom grado. Bebemos cerveja, e claro Pisco. Pisco é a bebida combustível daquele lugar.
- Você tem de ir embora mesmo? Fica por aqui. Te ajudo a conseguir um trabalho, uma casa. Você pode ficar em casa um tempo...
- Calma ai,Jessie, vamos com calma. Primeiro, minhas ações são impulsivas, não fique falando pra eu ficar que eu acabo ficando. Segundo, não, não ficaria em sua casa, apesar de querer muito ficar contigo, mas nos conhecemos faz pouco tempo, não seria uma boa ideia isso.
-Eu sei, to fazendo drama,mas você bem que poderia...
E isso ficou na minha cabeça. Bebemos, nos beijamos, nos amamos, nos apaixonamos e chegou a hora de ir embora. Ela pegou um cigarro, que até então não havia fumado.
-Eu sabia que tinha algum defeito, você fuma
-Só às vezes, mas se você se incomoda eu não fumo agora não
-Sem problemas, só não acho bonito, apenas isso.
- Se incomoda ou não?
-Fuma logo.
Ela acendeu o cigarro. Mas por incrível que pareça, achei ela fumando com um charme muito grande. A fumaça ficava em volta de seus cabelos, que até então estavam apenas presos por um elástico. Ela tragava, olhando para o filtro, e soltava para cima, fazendo um bico que me fez lembrar inocência. Estranho, mas uma mulher fumando me lembrou...inocência.
Fomos embora.
- Não quero acabar a noite assim, pra onde você quer ir?
- Você quem mora aqui, não conheço nada.
-Poxa,mas não me vem nada a cabeça agora.
- Certo,tem algum lugar que de pra ver a cidade do alto?
- Tem, mas não sei se já começaram a construir algo por lá, vamos passar e ver.
Andamos por cerca de 20 minutos até chegar ao local, que sim, haviam começado a construir condomínios que impedia nossa vista da cidade do alto.
- Poxa, que droga, vamos dar uma volta,ao menos você pode conhecer um pouco da cidade.
- Certo.
A conversa começou a ficar um pouco mais séria
- Poxa, não vai embora, gostei tanto de você
- Posso afirmar que é recíproco, mas não tenho como ficar. Estou em um hotel podre, e já estou gastando uma grana boa com isso.
- Eu te ajudo
- Jamais
- Pare com isso. Sério, faz tempo que não me interesso por alguém, e você é muito interessante.
Eu fiquei sem graça. Fiquei vermelho e ela começou a fazer coisas de propósito para me deixar mais vermelho ainda.
Paramos no carro. Ela parou, pois ela quem o conduzia. Ficamos parados por umas três horas conversando, rindo, nos beijando... Tudo parecia uma grande novidade, ma tudo parecia que acabaria logo, então cada minuto juntos era precioso. O problema é que as horas que passamos foram minutos. O tempo parecia não cooperar conosco.
Ela, com aquela saia rodada, uma blusa branca. Parecia a mais pura ninfa dada pelos Deuses a mim como presente. Nunca soube se eu merecia realmente esse presente, mas que ele foi muito bem aproveitado, isso pode apostar!
Ali, dentro daquele carro, eu sentia que tudo estava parado. O tempo não valia mais para nada. Muita coisa passou nesse meio tempo. Mensagens, saudades, telefonemas de horas, horas e horas. Parecíamos os melhores amigos de infância, sem nunca termos nos vistos antes.
A vida nos prega esse tipo de peca. O que ficou foi a lembrança de uma paixão forte, intensa, que nunca mais saiu de minha memória e meu coração. E aquela frase, a mesma frase que me perseguiu por todo o tempo que ficamos separados, ainda fica em minha cabeça, afinal ´a vida se apresenta na possibilidade de encontrar a diferença mesmo naquilo que aparentemente se repete´.
Tinha horas que inventávamos algum papo para o clima não ficar tenso, afinal a vontade era maior do que tudo em nossos corpos. Lembro-me de botar a Mao por dentro de sua saia. Ela, ofegante, relutou sem querer tirar minha mão lá de dentro. Ela,ofegante e cheia de vontades. Eu...bem, eu fazia o papel de homem, deixando-a com vontade e depois corria, para que ela me procurasse.
Uma coisa que aprendi nessa minha vida era deixar que as mulheres corressem a trás. Sempre fazia elas ficarem com vontade e eu nunca relutava, nunca demonstrava que eu estava cheio de vontades, prestes a explodir. Mas me portava como o dono dos meus instintos.
Seus cabelos, ondulados que mais parecia uma mulata, misturava-se ao molhado de nosso suor e nossos beijos. Era engraçado, mas ela sempre temia em ficar com os cabelos desarrumados, e agora perdia totalmente as estribeiras.
Lembro-me de umas palavras que trocamos. ´´ Tem algo de ruim em você mesmo ´´, perguntávamos, lógico, sem conhecer profundamente nossas vidas. Mas por um mero acaso,acabamos naquele carro, com aqueles beijos e naquela situação.
Fomos apresentados por uma grande amiga em comum. Simone trabalhava em uma loja de brinquedos quando fui comprar algo. Pedi algum brinquedo para meninas, e ela veio com inúmeras opções para a criança brincar de dona de casa. Quando ela viu minha expressão, puxou papo. Viu que eu era apenas mais um de passagem pelo lugar e me convidou para tomar, junto com alguns amigos, um Pisco. Aceitei. Cheguei ao tal bar na hora marcada, apenas Simone estava presente. Começamos a conversar e os amigos iam chegando. Chegaram dois, quatro, seis, quando fui perceber,a mesa estava com mais de trinta pessoas.
No início, apenas papos descontraídos. Chegou um violão e uma flauta. As músicas começaram a rolar, juntamente com as garrafas de pisco. Não consegui contar quantas havíamos bebidos até aquele momento...aquele momento.
-Qual seu nome?
- Viccenzo e o seu?
- Jezabel,mas todos me chama de Jessie.
- Prazer, Jaezabel, nome bíblico,certo?
- Sim, meus pais,religiosos só colocaram nomes bíblicos nos filhos. Meu irmão chama-se Pedro. Quero que seja o nome do meu filho também. O que veio fazer por aqui?
-Te conhecer, eu disse brincando. Ela riu. Começamos a bater um bom papo. Ela, médica formada. Eu? Um mero viajante. Nunca imaginei que uma médica como ela fosse se interessar por mim. Falamos de estrelas, de como era sua vida naquela cidade, de como as coisas aconteciam. Até que, em uma brincadeira boba...
- Nossa, que legal, perfeita, mas é médica. Mesmo assim,quer casar comigo?
Ela riu. Não respondeu nada
- É , uma médica nunca iria se interessar por um nada assim
- Eu não falei que não. Só quero saber, pra você, o que teria demais um filho se chamar Pedro?
-An?, acho que nada, nem sei se pretendo ter filhos na verdade, mas se tivesse, Pedro seria um nome bom sim.
Ela riu. Respirou fundo e pediu licença para ir ao banheiro. Levantou-se rapidamente e sai,às minhas costas. Eu em um impulso que veio não sei de onde, fui atrás. Ela usava o banheiro enquanto eu a esperava no lado de fora. Ela abriu a porta. Uma senhora pediu licença para utilizar e passou entre nós. Quando ela fechou a porta, nos beijamos. Sim, na porta de um banheiro de um bar sujo fechamos o mundo. Tudo poderia cair naquele momento, que estaria tudo bem. As bocas se encontrando, o movimento do corpo, as mãos em uma dança imaginária que parecia ensaiada... aquele beijo mostrou que não foi a primeira vez que estávamos juntos. Mas tudo indicava que seria a última.
Voltamos para a mesa. Em meus pensamentos, pensava que seria algo só ali no banheiro, afinal não conhecia ninguém ali da mesa e já fui logo agarrando uma das mais belas. Ela pediu para chegar mais perto. Beijamos-nos ali, na frente de todos, sem o mínimo de problema. Ela pegou o meu braço e entrelaçou em seu corpo, dando a mostra que sim, ali havia um casal sentado. Ela parecia não querer desgrudar de mim. Falei que iria embora em três dias, que estava só de passagem.
- Então hoje vou te levar pra conhecer alguns lugares daqui. E você é meu convidado, não precisa se preocupar com entrada e bebidas.
- Não, isso não vou permitir, eu pago minha entrada e tudo o que eu beber.
- Ok, mas hoje você terá uma noite boa.
O papo ainda foi rolando naquele bar. Ela ,em um tom confessional, falava baixo pra mim.
- Nossa, difícil eu me interessar por alguém,mas você realmente me chamou a atenção.
- Devem ser meus olhos azuis(eu não tenho olhos azuis)
- Para com isso bobo, sério. Te contar. Eu já fui casada, e conheci meu ex marido assim, no bar e era amigo de uma amiga. Engraçado como são as coisas, eu me encantei por ele assim como estou encantada por você. Estranho,mas parece que tem coisa se repetindo.
- São as pecas que a vida sempre nos prega né. Mas acho que é uma mera coincidência, afinal nós só temos hoje para aproveitar...
- Então teremos uma noite inesquecível...
Ela me levou a um bar pelo centro da cidade. A arquitetura do centro era rústica, um tanto quanto pitoresca também. Achei belo, mas ela por ser moradora de lá, acha feio, prefere as coisas modernas. Como ela mesma falou ´´ gosto de um bom shopping com ar condicionado ´´.
O bar era fechado, sem muita ventilação e com muita gente. Pra mim, era algo que nunca imaginaria ficar, mas não sei porque aquela companhia estava de muito bom grado. Bebemos cerveja, e claro Pisco. Pisco é a bebida combustível daquele lugar.
- Você tem de ir embora mesmo? Fica por aqui. Te ajudo a conseguir um trabalho, uma casa. Você pode ficar em casa um tempo...
- Calma ai,Jessie, vamos com calma. Primeiro, minhas ações são impulsivas, não fique falando pra eu ficar que eu acabo ficando. Segundo, não, não ficaria em sua casa, apesar de querer muito ficar contigo, mas nos conhecemos faz pouco tempo, não seria uma boa ideia isso.
-Eu sei, to fazendo drama,mas você bem que poderia...
E isso ficou na minha cabeça. Bebemos, nos beijamos, nos amamos, nos apaixonamos e chegou a hora de ir embora. Ela pegou um cigarro, que até então não havia fumado.
-Eu sabia que tinha algum defeito, você fuma
-Só às vezes, mas se você se incomoda eu não fumo agora não
-Sem problemas, só não acho bonito, apenas isso.
- Se incomoda ou não?
-Fuma logo.
Ela acendeu o cigarro. Mas por incrível que pareça, achei ela fumando com um charme muito grande. A fumaça ficava em volta de seus cabelos, que até então estavam apenas presos por um elástico. Ela tragava, olhando para o filtro, e soltava para cima, fazendo um bico que me fez lembrar inocência. Estranho, mas uma mulher fumando me lembrou...inocência.
Fomos embora.
- Não quero acabar a noite assim, pra onde você quer ir?
- Você quem mora aqui, não conheço nada.
-Poxa,mas não me vem nada a cabeça agora.
- Certo,tem algum lugar que de pra ver a cidade do alto?
- Tem, mas não sei se já começaram a construir algo por lá, vamos passar e ver.
Andamos por cerca de 20 minutos até chegar ao local, que sim, haviam começado a construir condomínios que impedia nossa vista da cidade do alto.
- Poxa, que droga, vamos dar uma volta,ao menos você pode conhecer um pouco da cidade.
- Certo.
A conversa começou a ficar um pouco mais séria
- Poxa, não vai embora, gostei tanto de você
- Posso afirmar que é recíproco, mas não tenho como ficar. Estou em um hotel podre, e já estou gastando uma grana boa com isso.
- Eu te ajudo
- Jamais
- Pare com isso. Sério, faz tempo que não me interesso por alguém, e você é muito interessante.
Eu fiquei sem graça. Fiquei vermelho e ela começou a fazer coisas de propósito para me deixar mais vermelho ainda.
Paramos no carro. Ela parou, pois ela quem o conduzia. Ficamos parados por umas três horas conversando, rindo, nos beijando... Tudo parecia uma grande novidade, ma tudo parecia que acabaria logo, então cada minuto juntos era precioso. O problema é que as horas que passamos foram minutos. O tempo parecia não cooperar conosco.
Ela, com aquela saia rodada, uma blusa branca. Parecia a mais pura ninfa dada pelos Deuses a mim como presente. Nunca soube se eu merecia realmente esse presente, mas que ele foi muito bem aproveitado, isso pode apostar!
Ali, dentro daquele carro, eu sentia que tudo estava parado. O tempo não valia mais para nada. Muita coisa passou nesse meio tempo. Mensagens, saudades, telefonemas de horas, horas e horas. Parecíamos os melhores amigos de infância, sem nunca termos nos vistos antes.
A vida nos prega esse tipo de peca. O que ficou foi a lembrança de uma paixão forte, intensa, que nunca mais saiu de minha memória e meu coração. E aquela frase, a mesma frase que me perseguiu por todo o tempo que ficamos separados, ainda fica em minha cabeça, afinal ´a vida se apresenta na possibilidade de encontrar a diferença mesmo naquilo que aparentemente se repete´.
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
Covarde demais
A depressão tem tomado conta de mim. Acordo e já fumo um baseado, para ver se isso me acalma ou me faz ter alguma previsão da vida.
Vinho? Duas garrafas é o básico em meu dia a dia. Hoje, consigo tomar uma garrafa de uísque sem problema algum. E eu nunca fui de tomar uísque.
Fumo uma média de três maços de cigarro por dia.E tem dias que eu fico sem.
Tudo isso por causa daquela maldita noite. Noite que, até hoje, não me deixa dormir. Maldita noite....noite
Estava em viagem de trabalho. Parei em uma cidade, que não me recordo o nome no momento, para comer alguma coisa. Eu a vi no canto, parada, chorando. No início nem liguei, mas depois eu fiquei um tanto curiosos. O que fez aquelas lágrimas escorrerem de um rosto t~ao belo?
Fui ao seu encontro. Pedi uma bebida a mais, ela aceitou. Chorava por conta de uma decepção amorosa. Normal, mas não era qualquer decepção. Seu amor matou-se em sua frente, com um tiro na boca. Uma imagem que deve ficar na memória por toda a eternidade.
Na conversa, a convidei para ir no hotel comigo. Ela aceitou. Mesmo eu sendo casado, precisava um pouco satisfazer meus desejos físicos, e vi ali uma boa oportunidade. Afinal, uma menina bonita, triste, extremamente vulnerável.
Fechei a porta, servi mais uma dose a ela. Ela bebeu como se fosse água. Parecia estar com sede, ou então queria tomar um porre para tentar amortecer a dor. Nunca vi alguém tomar rapidamente assim.
Começamos a bater um papo. No quente da conversa, eu mal percebi e ela já estava fazendo oral em mim. Relaxei. Comecei a relaxar mais ainda, quase atingindo o clímax, quando ela me deu uma mordida, e anunciou o assalto. Com uma pistola, não saberia dizer qual pois não conheço armas, me mandou ficar de joelhos. Usou o telefone para chamar alguém. Um homem entrou e começaram a discutir.
Meu celular tocou. Era minha mulher, certamente querendo saber como eu estava,já que a estrada estava em minha vida fazia umas semanas por conta desse novo trabalho. Ela nunca se acostumou do fato de eu viajar tanto.
Nao pude atender. Nao pude me mover. A arma era sempre apontada em direção a minha cabeça. Aflição. O medo tomava conta de meu corpo. Tremia demais, mas não vi saída Corri, mais do que minhas pernas poderiam aguentar. Ouvi estalos de tiros. Uma marca de bala na parede perto de minha cabeça.
Corri,desci as escadas tentando me esconder,mas não era possível mesmo. Ouvi gritos de outros hóspedes. Corri mais ainda, entrei no meu carro e tentei ligá-lo, mas sem chave era realmente impossível. Abaixei a cabeça e rezei.
Nao vieram pra me pegar. Quando a polícia chegou, já estava longe. Tremendo na estrada. Resolvi parar e cheirar uma carreira, que estava guardando para uma outra ocasião. Parei para ligar para minha mulher. Só tocava. 'Ao menos eu chego em casa daqui umas três horas', pensei comigo mesmo,mal sabendo do que estava acontecendo.
Chegando em casa, encontrei uns sacos de lixo na porta, com um tom avermelhado. Tentei entrar mas a porta estava com uma fechadura diferente.
Olhei para o lixo. Relutei para olhar, mas nao tive como nao abrir. Ao abrir, vi aqueles olhos verdes, aquela pele rosada que sempre me fazia bem. A cabeça de minha mulher, solta, em um saco de lixo. Vomitei tudo. E vomitei até o nada que tinha na barriga.
Minha única saída foi correr. Sem destino, correr e correr...
hoje, apenas fico vagando, em meus pensamentos, sabendo que se não fosse um adultério que cometi, tudo isso poderia ter sido evitado. Mas sou covarde ao ponto de tirar minha própria vida...
Vinho? Duas garrafas é o básico em meu dia a dia. Hoje, consigo tomar uma garrafa de uísque sem problema algum. E eu nunca fui de tomar uísque.
Fumo uma média de três maços de cigarro por dia.E tem dias que eu fico sem.
Tudo isso por causa daquela maldita noite. Noite que, até hoje, não me deixa dormir. Maldita noite....noite
Estava em viagem de trabalho. Parei em uma cidade, que não me recordo o nome no momento, para comer alguma coisa. Eu a vi no canto, parada, chorando. No início nem liguei, mas depois eu fiquei um tanto curiosos. O que fez aquelas lágrimas escorrerem de um rosto t~ao belo?
Fui ao seu encontro. Pedi uma bebida a mais, ela aceitou. Chorava por conta de uma decepção amorosa. Normal, mas não era qualquer decepção. Seu amor matou-se em sua frente, com um tiro na boca. Uma imagem que deve ficar na memória por toda a eternidade.
Na conversa, a convidei para ir no hotel comigo. Ela aceitou. Mesmo eu sendo casado, precisava um pouco satisfazer meus desejos físicos, e vi ali uma boa oportunidade. Afinal, uma menina bonita, triste, extremamente vulnerável.
Fechei a porta, servi mais uma dose a ela. Ela bebeu como se fosse água. Parecia estar com sede, ou então queria tomar um porre para tentar amortecer a dor. Nunca vi alguém tomar rapidamente assim.
Começamos a bater um papo. No quente da conversa, eu mal percebi e ela já estava fazendo oral em mim. Relaxei. Comecei a relaxar mais ainda, quase atingindo o clímax, quando ela me deu uma mordida, e anunciou o assalto. Com uma pistola, não saberia dizer qual pois não conheço armas, me mandou ficar de joelhos. Usou o telefone para chamar alguém. Um homem entrou e começaram a discutir.
Meu celular tocou. Era minha mulher, certamente querendo saber como eu estava,já que a estrada estava em minha vida fazia umas semanas por conta desse novo trabalho. Ela nunca se acostumou do fato de eu viajar tanto.
Nao pude atender. Nao pude me mover. A arma era sempre apontada em direção a minha cabeça. Aflição. O medo tomava conta de meu corpo. Tremia demais, mas não vi saída Corri, mais do que minhas pernas poderiam aguentar. Ouvi estalos de tiros. Uma marca de bala na parede perto de minha cabeça.
Corri,desci as escadas tentando me esconder,mas não era possível mesmo. Ouvi gritos de outros hóspedes. Corri mais ainda, entrei no meu carro e tentei ligá-lo, mas sem chave era realmente impossível. Abaixei a cabeça e rezei.
Nao vieram pra me pegar. Quando a polícia chegou, já estava longe. Tremendo na estrada. Resolvi parar e cheirar uma carreira, que estava guardando para uma outra ocasião. Parei para ligar para minha mulher. Só tocava. 'Ao menos eu chego em casa daqui umas três horas', pensei comigo mesmo,mal sabendo do que estava acontecendo.
Chegando em casa, encontrei uns sacos de lixo na porta, com um tom avermelhado. Tentei entrar mas a porta estava com uma fechadura diferente.
Olhei para o lixo. Relutei para olhar, mas nao tive como nao abrir. Ao abrir, vi aqueles olhos verdes, aquela pele rosada que sempre me fazia bem. A cabeça de minha mulher, solta, em um saco de lixo. Vomitei tudo. E vomitei até o nada que tinha na barriga.
Minha única saída foi correr. Sem destino, correr e correr...
hoje, apenas fico vagando, em meus pensamentos, sabendo que se não fosse um adultério que cometi, tudo isso poderia ter sido evitado. Mas sou covarde ao ponto de tirar minha própria vida...
Cabocla
Cabocla, do penacho verde, da cor do mar.
A cor da cabocla Jurema, que me fez sonhar, paralisar.
Hipnotizando meu olhar...
Rosto pintado, sincronia perfeita.
Invadiu meus sonhos, encantando meus pensamentos.
A cena mais linda que já vi.
Os olhos puxados, ajoelhada ao chão
Espelhada...
Posição firme. Luta
Flecha para o alto.
Luta
Posição de guerra
Luta
Luta,luta,luta
E eu lutando
Para sair do pensamento
A cor da cabocla Jurema, que me fez sonhar, paralisar.
Hipnotizando meu olhar...
Rosto pintado, sincronia perfeita.
Invadiu meus sonhos, encantando meus pensamentos.
A cena mais linda que já vi.
Os olhos puxados, ajoelhada ao chão
Espelhada...
Posição firme. Luta
Flecha para o alto.
Luta
Posição de guerra
Luta
Luta,luta,luta
E eu lutando
Para sair do pensamento
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Um conto por um conto
Uma vez, um certo cantador me parou
- Quer ouvir um canto?
Logo, respondi
- Não, quero ouvir um conto.
E o cantador não desistiu
- Posso fazer agora, um canto.
Mas não falhei
- Um conto por um conto
Ele me olhou. Tirou do bolso um conto e me disse:
- Esse conto não me fará falta, mas ainda assim, ouça um canto.
Eu relutei
- Não quero um conto, mas queria ouvir um conto.
Ele me olhou. Deu uma risada e me falou.
- Sou o melhor cantador que você pode ver na vida. Não cobro nem um conto para mostrar meu canto.
Eu ainda respondi
- Eu queria ouvir um conto em um canto, pode ser da sala mesmo.
Ele tropeçou em uma pedra ao dar um passo para o lado.
- Dei um passo na frente do paço, tentando mostrar um canto para quem quer um conto. Esse fato pode-se fazer um canto.
Eu respondi sem perder o brilho
- Eu ainda acredito que um passo em um paço, de um conto por um conto dá um conto, sem nenhum desconto.
O cantador pegou o violão e dedilhou seus primeiros acordes.
Eu pedi para ele parar.
- Por favor, cantador. Se for para cantar, prefiro que seja para contar.
Ele parou. Nunca ninguém havia pedido para ele parar de tocar.
- Faço do canto um conto, mas aceitarei seu um conto para assim lhe fazer um conto, do que era para ser um canto.
Dei um conto para ele.
- Esse é o conto do cantador que não queria contar. Ele sabia cantar, mas nada de contar. Certo dia, um amante de contos ofereceu-lhe um conto para ele fazer um conto. Depois de relutar, ele aceitou e começou a contar. Contou da vida, dos pássaros e o que faria com um conto em troca de um conto.
- Vou fazer o mais belo canto!
- Quer ouvir um canto?
Logo, respondi
- Não, quero ouvir um conto.
E o cantador não desistiu
- Posso fazer agora, um canto.
Mas não falhei
- Um conto por um conto
Ele me olhou. Tirou do bolso um conto e me disse:
- Esse conto não me fará falta, mas ainda assim, ouça um canto.
Eu relutei
- Não quero um conto, mas queria ouvir um conto.
Ele me olhou. Deu uma risada e me falou.
- Sou o melhor cantador que você pode ver na vida. Não cobro nem um conto para mostrar meu canto.
Eu ainda respondi
- Eu queria ouvir um conto em um canto, pode ser da sala mesmo.
Ele tropeçou em uma pedra ao dar um passo para o lado.
- Dei um passo na frente do paço, tentando mostrar um canto para quem quer um conto. Esse fato pode-se fazer um canto.
Eu respondi sem perder o brilho
- Eu ainda acredito que um passo em um paço, de um conto por um conto dá um conto, sem nenhum desconto.
O cantador pegou o violão e dedilhou seus primeiros acordes.
Eu pedi para ele parar.
- Por favor, cantador. Se for para cantar, prefiro que seja para contar.
Ele parou. Nunca ninguém havia pedido para ele parar de tocar.
- Faço do canto um conto, mas aceitarei seu um conto para assim lhe fazer um conto, do que era para ser um canto.
Dei um conto para ele.
- Esse é o conto do cantador que não queria contar. Ele sabia cantar, mas nada de contar. Certo dia, um amante de contos ofereceu-lhe um conto para ele fazer um conto. Depois de relutar, ele aceitou e começou a contar. Contou da vida, dos pássaros e o que faria com um conto em troca de um conto.
- Vou fazer o mais belo canto!
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Ourostópolis
Estava fazendo um trabalho peercorrendo boa parte do interior paulista. Eu e mais um fotógrafo. Estávamos fazia quase um mes na estrada. No caminho entre Holambra 2 (ao lado de Paranapanema) e Itararé. Paramos para tomar uma tubaina em um bar, comer um doce e relaxar um pouco, pois a viagem ainda seria longa.Cerca de umas duas horas em estrada de terra.
Notamos que a menina que atendia no bar estava tocando um piano e cantando,muito bonita a música. Pegamos uma Tubaina e sentamos na frente do bar, nisso notamos uma placa, escrito “Itapeva (flecha pra direita)Itaí (seta pra esquerda) e Ourostópolis. Ourostópolis? Ficamos curiosos pra saber o que significava.
Perguntei para a menina que nos atendeu no boteco, mas ela falou que não sabia,e ninguém ali em volta também sabia. Ela falou que foi o dono de uma casinha de madeira que morava ali no território onde a placa estava cravada, ele chamava-se César. Fui até a casa,mas ele estava no quintal, conversando com um amigo.
Me apresentei e perguntei a ele sobre a placa,ele me contou a história toda.
- Eu fundei esse bairro, Bairro do Cercadinho. Tinha esse nome porque eu fui o primeiro morador daqui e cerquei minha casa com arame, ai começou a chegar mais gente. Começou a ser chamado de Cercadinho. Ajudei a fundar a escola, eu que montei a primeira escola daqui com uns amigos. Montei as ruas, dividi algumas propriedades pra dar lugar pra rua ,pras pessoas passarem. Só que eu acho que deveria mudar o nome do lugar,é um nome velho, e o mundo hoje está muito mudado. Eu já viajei por muitos lugares do Brasil, e vi que tem muita cidade com o nome alguma coisa “Polis”. Achei que alguma coisa relacionada ao ouro traria boa sorte ou riqueza pra cá. Ai coloquei a placa ali de Ourostópolis.(...) Eu coloquei essa placa porque todo mundo vai ficar querendo saber o que é Ourostópolis, todo mundo que mora aqui quer saber da placa,mas até agora ninguém teve coragem como vocês de vir e perguntar. Mas não conta pra ninguém não ta,deixa as pessoas daqui descobrirem sozinhas.
- Ok Seu César, seu segredo está bem guardado conosco,daqui dessa região ninguém ficará sabendo.
Perguntei a ele o nome completo, é César Teodoro de Oliveira, ele não se lembra a idade e não possui RG. “Já tive,mas não tenho mais não” sobre o RG.
Ele mora em uma casa de madeira), faz mais de 40 anos que mora ali. A casa foi aumentando com o tempo,ela já oi de outra forma,mas ainda permanece com aquele tom rústico e absurdamente simples.
O mais surpreendente de tudo isso é o fato de Seu César é muito feliz com a vida que tem, com a casa e tudo o que rodeia ele
“ Não preciso mais que comida e um teto pra me proteger da chuva com paredes pra barrar o vento. Vivo aqui há muito tempo, trabalhei com os holandeses em Holambra II, mas é aqui que eu gosto. Aqui é minha cãs,meu bairro e todos os meus amigos.”
Pois é,vimos ali um homem simples que nos provou que luxos são apenas luxos, precisamos apenas de comida, abrigo e AMIGOS para ter uma vida boa. Realmente um homem sábio...
Notamos que a menina que atendia no bar estava tocando um piano e cantando,muito bonita a música. Pegamos uma Tubaina e sentamos na frente do bar, nisso notamos uma placa, escrito “Itapeva (flecha pra direita)Itaí (seta pra esquerda) e Ourostópolis. Ourostópolis? Ficamos curiosos pra saber o que significava.
Perguntei para a menina que nos atendeu no boteco, mas ela falou que não sabia,e ninguém ali em volta também sabia. Ela falou que foi o dono de uma casinha de madeira que morava ali no território onde a placa estava cravada, ele chamava-se César. Fui até a casa,mas ele estava no quintal, conversando com um amigo.
Me apresentei e perguntei a ele sobre a placa,ele me contou a história toda.
- Eu fundei esse bairro, Bairro do Cercadinho. Tinha esse nome porque eu fui o primeiro morador daqui e cerquei minha casa com arame, ai começou a chegar mais gente. Começou a ser chamado de Cercadinho. Ajudei a fundar a escola, eu que montei a primeira escola daqui com uns amigos. Montei as ruas, dividi algumas propriedades pra dar lugar pra rua ,pras pessoas passarem. Só que eu acho que deveria mudar o nome do lugar,é um nome velho, e o mundo hoje está muito mudado. Eu já viajei por muitos lugares do Brasil, e vi que tem muita cidade com o nome alguma coisa “Polis”. Achei que alguma coisa relacionada ao ouro traria boa sorte ou riqueza pra cá. Ai coloquei a placa ali de Ourostópolis.(...) Eu coloquei essa placa porque todo mundo vai ficar querendo saber o que é Ourostópolis, todo mundo que mora aqui quer saber da placa,mas até agora ninguém teve coragem como vocês de vir e perguntar. Mas não conta pra ninguém não ta,deixa as pessoas daqui descobrirem sozinhas.
- Ok Seu César, seu segredo está bem guardado conosco,daqui dessa região ninguém ficará sabendo.
Perguntei a ele o nome completo, é César Teodoro de Oliveira, ele não se lembra a idade e não possui RG. “Já tive,mas não tenho mais não” sobre o RG.
Ele mora em uma casa de madeira), faz mais de 40 anos que mora ali. A casa foi aumentando com o tempo,ela já oi de outra forma,mas ainda permanece com aquele tom rústico e absurdamente simples.
O mais surpreendente de tudo isso é o fato de Seu César é muito feliz com a vida que tem, com a casa e tudo o que rodeia ele
“ Não preciso mais que comida e um teto pra me proteger da chuva com paredes pra barrar o vento. Vivo aqui há muito tempo, trabalhei com os holandeses em Holambra II, mas é aqui que eu gosto. Aqui é minha cãs,meu bairro e todos os meus amigos.”
Pois é,vimos ali um homem simples que nos provou que luxos são apenas luxos, precisamos apenas de comida, abrigo e AMIGOS para ter uma vida boa. Realmente um homem sábio...
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