terça-feira, 23 de abril de 2019

Beijos escolhas e bolhas de sabão


Ela passava as mãos sobre meus cabelos. A intensidade das coisas era forte demais, e eu nunca relutei contra. Aliás, a única coisa que lutamos contra era ter a noite de amor dentro de um carro, na porta de sua casa, onde sua mãe poderia aparecer a qualquer minuto.

Tinha horas que inventávamos algum papo para o clima não ficar tenso, afinal a vontade era maior do que tudo em nossos corpos. Lembro-me de botar a mão por dentro de sua saia. Ela, ofegante, relutou sem querer tirar minha mão lá de dentro. Ela, ofegante e cheia de vontades. Eu...bem, eu fazia o papel.

Seus cabelos, ondulados que mais parecia de molas misturava-se ao molhado de nosso suor e nossos beijos. Era engraçado, mas ela sempre temia em ficar com os cabelos desarrumados, e agora perdia totalmente as estribeiras. Os óculos batiam. Eu pedia para que ela continuasse a usar e eu tiraria o meu. Fetiches e admirações da vida. 

Lembro-me de umas palavras que trocamos. ´´ Tem algo de ruim em você mesmo ´´, perguntávamos, lógico, sem conhecer profundamente nossas vidas. Mas por um mero acaso, acabamos naquele carro, com aqueles beijos e naquela situação.

Fomos apresentados por uma grande amiga em comum. Simone trabalhava em uma loja de brinquedos quando fui comprar algo. Pedi algum brinquedo para meninas, e ela veio com inúmeras opções para a criança brincar de dona de casa. Quando ela viu minha expressão, puxou papo. Viu que eu era apenas mais um de passagem pelo lugar e me convidou para tomar, junto com alguns amigos, um Pisco. Aceitei. Cheguei ao tal bar na hora marcada, apenas Simone estava presente. Começamos a conversar e os amigos iam chegando. Chegaram dois, quatro, seis, quando fui perceber, a mesa estava com mais gente que a santa ceia.

No início, apenas papos descontraídos. Chegaram um violão e uma flauta. As músicas começaram a rolar, juntamente com as garrafas de pisco. Não consegui contar quantas havíamos bebidos até aquele momento...aquele momento.
-Qual seu nome?
- Viccenzo e o seu?
- Jezabel, mas todos me chama de Jessie.
- Prazer, Jaezabel, nome bíblico, certo?
- Sim, meus pais, religiosos só colocaram nomes bíblicos nos filhos. Meu irmão chama-se Pedro. Quero que seja o nome do meu filho também. O que veio fazer por aqui?
-Te conhecer, eu disse brincando. Ela riu. Começamos a bater um bom papo. Ela, médica formada. Eu? Um mero viajante. Nunca imaginei que uma médica como ela fosse se interessar por mim. Falamos de estrelas, de como era sua vida naquela cidade, de como as coisas aconteciam. Até que, em uma brincadeira boba...
- Nossa, que legal, perfeita, mas é médica. Mesmo assim, quer casar comigo?
Ela riu. Não respondeu nada
- É , uma médica nunca iria se interessar por um nada assim
- Eu não falei que não. Só quero saber, pra você, o que teria demais um filho se chamar Pedro?
-An?, acho que nada, nem sei se pretendo ter filhos na verdade, mas se tivesse, Pedro seria um nome bom sim.

Ela riu. Respirou fundo e pediu licença para ir ao banheiro. Levantou-se rapidamente e saiu, às minhas costas. Eu em um impulso que veio não sei de onde, fui atrás. Ela usava o banheiro enquanto eu a esperava no lado de fora. Ela abriu a porta. Uma senhora pediu licença para utilizar e passou entre nós. Quando ela fechou a porta, nos beijamos. Sim, na porta de um banheiro de um bar sujo fechamos o mundo. Tudo poderia cair naquele momento, que estaria bem. As bocas se encontrando, o movimento do corpo, as mãos em uma dança imaginária que parecia ensaiada... aquele beijo mostrou que não foi a primeira vez que estávamos juntos. Mas tudo indicava que seria a última.

Voltamos à mesa. Em meus pensamentos, pensava que seria algo só ali no banheiro, afinal não conhecia ninguém ali da mesa e já fui logo agarrando uma das mais belas. Ela pediu para chegar mais perto. Beijamo-nos ali, na frente de todos, sem o mínimo de problema. Ela pegou o meu braço e entrelaçou em seu corpo, dando a mostra que sim, ali havia um casal sentado. Ela parecia não querer desgrudar de mim. Falei que iria embora em três dias, que estava só de passagem.
- Então hoje vou te levar pra conhecer alguns lugares daqui. E você é meu convidado, não precisa se preocupar com entrada e bebidas.
- Não, isso não vou permitir, eu pago minha entrada e tudo o que eu beber.
- Ok, mas hoje você terá uma noite boa.
O papo ainda foi rolando naquele bar. Ela ,em um tom confessional, falava baixo pra mim.
- Nossa, difícil eu me interessar por alguém, mas você realmente me chamou a atenção.
- Devem ser meus olhos azuis (eu não tenho olhos azuis).
- Para com isso bobo, sério. Te contar. Eu já fui casada, e conheci meu ex-marido assim, no bar e era amigo de uma amiga. Engraçado como são as coisas, eu me encantei por ele assim como estou encantada por você. Estranho, mas parece que tem coisa se repetindo.
- São as peças que a vida sempre nos prega né. Mas acho que é uma mera coincidência, afinal nós só temos hoje para aproveitar...
- Então teremos uma noite inesquecível.


Ela me levou a um bar pelo centro da cidade. A arquitetura do centro era rústica, um tanto quanto pitoresca também. Achei belo, mas ela por ser moradora de lá, acha feio, prefere as coisas modernas. Como ela mesma falou ´´ gosto de um bom shopping com ar condicionado ´´.
O bar era fechado, sem muita ventilação e com muita gente. Pra mim, era algo que nunca imaginaria ficar, mas não sei porque aquela companhia estava de muito bom grado. Bebemos cerveja, e claro Pisco. Pisco é a bebida combustível daquele lugar.
- Você tem de ir embora mesmo? Fica por aqui. Te ajudo a conseguir um trabalho, uma casa. Você pode ficar em casa um tempo...
- Calma ai, Jessie, vamos com calma. Primeiro, minhas ações são impulsivas, não fique falando pra eu ficar que eu acabo ficando. Segundo, não, não ficaria em sua casa, apesar de querer muito ficar contigo, mas nos conhecemos faz pouco tempo, não seria uma boa ideia isso.
-Eu sei, tô fazendo drama, mas você bem que poderia...
E isso ficou na minha cabeça. Bebemos, nos beijamos, nos amamos, nos apaixonamos e chegou a hora de ir embora. Ela pegou um cigarro, que até então não havia fumado.
-Eu sabia que tinha algum defeito, você fuma.
-Só às vezes, mas se você se incomoda eu não fumo agora não.
-Sem problemas, só não acho bonito, apenas isso.
- Se incomoda ou não?
-Fuma logo.

Ela acendeu o cigarro. Mas por incrível que pareça, achei-a fumando com um charme muito grande. A fumaça ficava em volta de seus cabelos, que até então estavam apenas presos por um elástico. Ela tragava, olhando para o filtro, e soltava para cima, fazendo um bico que me fez lembrar inocência. Estranho, mas uma mulher fumando me lembrou...inocência.
Fomos embora.
- Não quero acabar a noite assim, pra onde você quer ir?
- Você quem mora aqui, não conheço nada.
-Poxa, mas não me vem nada a cabeça agora.
- Certo, tem algum lugar que de pra ver a cidade do alto?
- Tem, mas não sei se já começaram a construir algo por lá, vamos passar e vir.
Andamos por cerca de 20 minutos até chegar ao local, que sim, haviam começado a construir condomínios que impedia nossa vista da cidade do alto.
- Poxa, que droga, vamos dar uma volta, ao menos você pode conhecer um pouco da cidade.
- Certo.

A conversa começou a ficar um pouco mais séria
- Poxa, não vai embora, gostei tanto de você.
- Posso afirmar que é recíproco, mas não tenho como ficar. Estou em um hotel podre, e já estou gastando uma grana boa com isso.
- Eu te ajudo.
- Jamais.
- Pare com isso. Sério, faz tempo que não me interesso por alguém, e você é muito interessante.

Eu fiquei sem graça. Fiquei vermelho e ela começou a fazer coisas de propósito para me deixar mais vermelho ainda.
Paramos no carro. Ela parou, pois ela quem o conduzia.
Ficamos parados por umas três horas conversando, rindo, nos beijando... Tudo parecia uma grande novidade, mas tudo parecia que acabaria logo, então cada minuto juntos era precioso. O problema é que as horas que passamos foram minutos. O tempo parecia não cooperar conosco.
Ela, com aquela saia rodada, uma blusa branca. Parecia a mais pura ninfa dada pelos Deuses a mim como presente. Nunca soube se eu merecia realmente esse presente, mas que ele foi muito bem aproveitado, isso pode apostar!

Ali, dentro daquele carro, eu sentia que tudo estava parado. O tempo não valia mais para nada. Muita coisa passou nesse meio tempo. Mensagens, saudades, telefonemas de horas, horas e horas. Parecíamos os melhores amigos de infância, sem nunca termos nos vistos antes.

A vida nos prega esse tipo de peça. O que ficou foi a lembrança de uma paixão forte, intensa, que nunca mais saiu de minha memória e meu coração. E aquela frase, a mesma frase que me perseguiu por todo o tempo que ficamos separados, ainda fica em minha cabeça. 

´A vida se apresenta na possibilidade de encontrar a diferença mesmo naquilo que aparentemente se repete´.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Poema


Você me olhava. Eu sentia. Você ria. Eu retribuía E você, com toda sua magia, deslizava suas mãos como se seu corpo fosse apenas um instrumento que deixava a mensagem fluir. A caneta era parte de seu corpo. Fazia formas. Você me olhava. Eu sentia.

As almas se tocaram, mesmo estando de longe. A vontade, a atração, desejo, tesão. Imaginei aquela festa juntos. Nós dois escapando dos olhares e indo matar nossas vontades. Mas te olho, e sua mão desliza sobre o papel. Você me olhava. Eu sentia

Sentia que as almas queriam se entrelaçar. Queriam se tocar, se sentir uma só. Mas a vida não permite. Não nos deixa. Impede-nos de tudo. Do tesão, em reprimir as vontades. De não poder soltar. Você me olhava. Eu sentia.

E como um pássaro minha imaginação voava pra dentro de sua mente, querendo saber o que estavas escrevendo, pensando. E seu olhar distante, deixando a mão deslizar.

Você me olhava. Eu sentia.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Disco 81 cerveja 81

ANGELUS – MILTON NASCIMENTO (1994). Está com calma? Tem como começar a escutar esse disco de alguma forma enquanto lê esse texto? (click aqui para ouvir). Ok, mesmo se não tiver, saiba que isso é uma obrigação em sua vida. E  vai entender o motivo...

Primeiro peço desculpas pelo tamanho do texto, realmente cortei muito para poder não ficar cansativo, mas é complicado falar de um disco que gosto tanto, que está entre os que mais gosto em minha vida. Sim, não é exagero quando falo isso sobre as composições, letras, participações e o quanto esse disco representa para a história da música, não só brasileira.

Milton Nascimento é um carioca criado em Minas Gerais. Mudou-se para Belo Horizonte para trabalhar como datilógrafo.  Morava em uma pensão quando conheceu Márcio Borges e  a partir dessa amizade, diversas poesias e músicas. Com isso, nasceram diversas parcerias e músicas que entraram para a história. Com ele e mais diversos amigos (que contarei em outra oportunidade), criaram o movimento “Clube da Esquina”.

O movimento conseguiu criar o que hoje é chamado de “Música Mineira”, uma MPB com muito jazz e rock progressivo. Esse disco é o ápice de suas composições. O disco é esquecido em seus shows na atualidade. Mas bem que ele poderia tocar na íntegra novamente...

O disco Ângelus é um pouco diferente. Ele tem como banda de apoio diversos amigos que fez durante todos os anos de carreira.  Olha quem são os convidados deste disco.

Milton Nascimento – vocais, sanfona, violão e piano.
Wayne Shorter - sax
Gil Goldstein – orquestra e regência
Jon Anderson – vocais
Túlio Mourão – teclado, piano
Hugo Fattoruso – acordeon, piano
João Baptista – baixo fretless, baixo
Wilson Lopes - guitarra e viola caipira
Robertinho Silva – percusão, bateria e concepção rítmica
Ronaldo Silva – percusão, bateria, efeitos, tamborim
Vanderlei Silva – percusão, efeitos, tamborim
Leonardo Bretas – vocais
Naná Vasconcelos – percusão e concepção rítmica
James Taylor – vocais, violão
Jeff Bova – teclados
Tony Cedras – acordeon
Anthony Jackson – guitarra "contrabass"
Chris Parker – bumbo
Peter Gabriel – vocais
Flávio Venturini – violão
Herbie Hancock – piano
Pat Metheny – guitarra, violão
Ron Carter – baixo
Jack Dejohnette – bateria


Ok, já viu que é pesado o time que toca nesse disco. Não teria como sair um disco no mínimo fantástico.  Agora vamos as faixas.

A introdução é “Seis horas da Tarde”, justamente a hora do Angelus. Realmente uma anunciação do disco.

“Estrelada” fala sobre a Terra de forma de construção e de como devolvemos isso. Música de Milton e Márcio Borges, tem participação de Jon Anderson, do Yes.  Essa música originalmente era pra ter sido usada como tema da Eco 92, mas acabou não finalizada. Milton estava em Nova Iorque, onde morava naquele ano, e não conseguiria terminar o cronograma.
“...És menina do astro Sol
és  rainha do mundo ao mar
teu luzeiro me faz cantar
Terra, Terra és tão estrelada
Os teus homens não têm juízo
Esqueceram tão grande amor.
Ofereces os teus tesouros
Mas ninguém dá o eu valor”.
Essa seria a estrofe tema da Eco, que acabou ficando guardada até que veio esse disco.

Em “De um Modo Geral”, o disco fica mais pesado e passa a ter elementos do jazz e do rock. O contratempo que a bateria fz no final da música é de dar nó na cabeça. Certa vez tentei tocá-la e vi que ainda preciso de uns 10 anos de estudo de percussão para começar a entrar no contratempo da música. Fantástico.

A faixa título é um tanto confusa, que com algumas audições consegue distinguir as ‘letras’ e o instrumental. Entre aspas pois a música não tem uma letra propriamente dita. É uma criança – Leonardo Bretas – quem começa a cantar a música, apenas piano e voz, quando depois entra Milton dando seus agudos e graves em uma mistureba bem interessante.

“Coisas de Minas” é a mais típica música caipira jazzística. O início é com viola sendo tocada de maneira forte, sem o dedilhado típico da música caipira, dando um pouco de peso e jazz na música. “A porta aberta bem vindo à casa prazer conhecer, se a conversa acabar na cozinha já é da família, melhor pra você’.  Isso é totalmente a característica do povo mineiro. Acolhedor, receptivo, falador e que se você não está comento (muito) parece que você não está bem.  Sempre lhe servem de tudo e depois, mesmo passando duas horas comendo e conversando, perguntam se a gente só come isso, por que não come mais?... coisas de Minas mesmo.

Hello Goodbye é uma regravação de Beatles que Milton já havia feito no disco “O Planeta Blue na Estrada do sol”, um acústico ao vivo de 1991. A canção ficou lenta e chorada, bem ao estilo de Milton – o que dá uma leve caída no disco, não na qualidade mas sim no crescimento andante das melodias-.

“Sofro Calado” é uma passagem de voz e piano, feita em parceria com Régis Faria.

“Clube da Esquina nº 2”. Clube da Esquina foi um movimento musical brasileiro surgido no início da década de 1960 em Belo Horizonte  , onde jovens músicos começaram a se reunir na capital mineira, seu som se fundia com as inovações trazidas pela Bossa Nova a elementos do jazz, do rock’n’roll – principalmente The Beatles –, música folclórica dos negros mineiros com alguns recursos de música erudita e música hispânica. Nos anos 70, esses artistas tornaram-se referência de qualidade na MPB pelo alto nível de performance e disseminaram suas inovações e influência a diversos cantos do país e do mundo. O disco foi lançado em 1972 e era pra ser o primeiro disco duplo da música brasileira, mas Gal Costa por questão de dois meses ficou com esse título. (em breve o disco estará na lista, mas isso foi apenas um breve  resumo). A música foi composta em um dia de chuva na casa de dona Maricota, mãe d’Os Borges (leia disco 98 dessa lista). Milton e Lô Borges estavam na varanda e fizeram a música. Quando terminaram olharam um para o outro e viram a pérola que haviam feito. No mesmo minuto Márcio Borges se prontificou a fazer a letra. Ao mesmo tempo Lô e Milton falaram “Não, sem letra”. Eles se olharam e concordaram. Essa música deveria ser instrumental. Após alguns anos,  mesmo com a música já gravada, Márcio fez a letra e a música acabou sendo grava primeiramente por Flávio Venturini (14 Bis, O Terço). Nessa versão, Milton dá uma quebrada crescente na música, com violentas paradas de contratempo. Vale toda a história que carrega essa canção.

“Meu Veneno” é uma parceria de Milton com Ferreira Gullar. Uma música um tanto chorada, onde a melancolia da voz de Milton casa-se com um acordeão e a percussão de Naná Vasconcelos.

Mas o disco ganha maior destaque na gravação que Milton faz em parceria com James Taylor. Taylor sempre foi um apaixonado pelo Brasil. Após o Rock n Rio 1, numa época em que ele retomava sua carreira pós o divórcio com Carly Simon, embora comovido com a inesperada recepção do público brasileiro (cerca de 250 mil pessoas). Em homenagem ao ocorrido, Taylor até compôs a balada "Only a Dream in Rio" (Apenas um sonho no Rio), que integrou "That's Why I'm Here", na qual declama versos em agradecimento como "I was there that very day and my heart came back alive" ("Eu estava lá naquele dia e meu coração voltou à vida"). Milton então fez a versão da música com a mistura da letra em inglês e português. Letra em português que ficou a cargo de Fernando Brant – velho conhecido da música mineira. Taylor e Milton dividem as vozes durante a música toda, e quando chega ao final, Taylor canta em inglês e Milton canta por cima a mesma estrofe em português.  Linda mistura.

Agora vem a música mais transcendental (Bob Marlon) que Milton fez. Em parceria com Flávio Venturini “Qualquer Coisa a Haver com o Paraíso” é mais uma daqueles sons de Milton que não têm letra, mas a voz se destaca fortemente. Com participação de Peter Gabriel (Genesis) que sempre foi fã declarado ‘the boys of the corner club’ ou os “garotos do Clube da Esquina “. Essa música começa bem lenta com a voz rouca de Peter Gabriel, crescendo assim que Milton entra em contraponto ao tempo e a voz de Peter. Simplesmente uma composição que deveria ser patrimônio imaterial da humanidade. Não, não é exagero, é um fato consumado dito por muitos.

“Vera Cruz” é uma das músicas mais antigas compostas por Milton Nascimento e Márcio Borges, porém gravada originalmente por Elis Regina no disco “Elis, como e porque” de 1969. Milton não mudou a melodia da música nem o tempo, apenas colocou sua voz em uma música que já era bem  característica com a voz da ternurinha. Uma singela homenagem.

“Novena”. Essa música tem muita história. Foi a primeira música escrita por Milton e Márcio Borges, com outro nome “Paz do Amor que Vem” e a primeira vez que fora gravada. Após saírem de uma das várias vezes que forma ao cinema ver o filme Julies e Jim, Milton e Márcio saíram decididos que iriam compor canções. A primeira canção foi justamente “Novena”. Na audição deste disco, Milton sentou-se com Márcio Borges e de mãos dadas ouviram todo disco. Justamente em Novena, seu irmão número doze cantava :

“...se digo amor
só é por alguém
é pelos malditos
deserdados deste chão...”

Nessa mesma hora Milton apertou com força a mão de Márcio. Voltaram no tempo. Porque essa música, justamente essa, lançava-os no vórtice de um abismo, um redemoinho de trinta anos de profundidade. Sem essa canção, talvez não tivesse existido toda a carreira de Milton. Agora, eles já não eram mais jovens e sonhadores, e sim dois cinquentões. Até o próprio clube da Esquina não era senão apenas memória, momentos evaporados sob o calor de sentimentos.

“Amor amigo” é releitura de uma música já gravada por Milton , porém neste disco ela é totalmente instrumental.  Começa com um violão fantástico de Pat Metheny (grande guitarrista de jazz americano), depois com a entrada de voz de Milton e de um piano maravilhoso, tocado por Herbie Hancock(também jazzista americano).

Para fechar o disco, apenas uma passagem. Sofro Calado com Milton na voz e piano.

Disco de ouro.


Para acompanhar esse disco na real deveria ser batida de limão, já que Milton e Márcio têm diversas
histórias chapando dessa bebida, mas não vou desviar da proposta das cervejas. Indico a Bavaria 8.6 mas não se engane, não é a nossa Bavária não. Essa é uma cerveja holandesa, de alta fermentação, sabor mais forte e marcante. Com 7,9% de álcool, a cerveja é uma Larger mais forte, que combina muito bem com frituras e massas mais pesadas. Queijos mais fortes como gorgonzola e real caem muito bem para acompanhar. Então abra essa cerveja e bote pra rodar Angelus. Pode crer que não irá se arrepender.

Saúde.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Cerveja e disco 82 - Dois clássicos mundiais


Ronnie Von – Máquina Voadora. Disco de 1970, é um marco na música psicodélica brasileira. Com elementos que mostram influência de Beatles – especialmente a parte mais psicodélica do quarteto – e com referências aos livros escritos por Antoine de Saint-Exupéry, em particular o Pequeno Príncipe (claro).

Com uma capa espetacular, o disco abre com a música que o nomeia.  Com um cravo matador e impactante instrumental, Ronnie mostra uma bela potência de voz. Uma música um tanto curta mas incrível. Vale destacar, além do cravo, a bateria bem quebrada.  A abertura não poderia ser melhor. O disco segue com “Baby de Tal”, música de Arnaldo Saccomani (o mesmo que foi jurado do ídolos e grande produtor musical brasileiro).  Esse som é bem a cara de Ronnie Von, tanto é que nas rádios foi essa a música de trabalho na época, com um lado mais romântico, mas sem esquecer a parte mais psicodélica.

A terceira faixa é uma das melhores composições de Ronnie Von. “O Verão nos Chama”. Vale destacar a letra do refrão “No paraíso os anjos dançam, e andam de motocicleta”.  A música tem uma linha de sopro muito na linha que o Tim maia fazia (o que me faz pensar que pode ser influência de Saccomani, que também produziu discos de Von e Tim).

“Seu olhar no Meu” é a referência ainda da época que ele disputava a audiência com a Jovem Guarda. O lado mais romântico que foi bem  característico em sua carreira. Em “Imagem”, a voz e o cravo sintetizado mesclam o destaque da música. Incrível o casamento de sua voz mais grave com o agudo do sintetizador.

“Continentes e Civilizações” é uma música extrema. Por quê? Pela letra reflexiva, pela melodia melancólica, pela declamação de início, por toda sua obra. Uma música simplesmente genial, mesmo que seja mais declamação do que cantoria. Fiquei procurando algum trecho para destacar, mas é impossível isso, essa música é como o Dark Side of the Moon do Pink Floyd, tem que ouvir por completo para entender.

“Viva o Chopp Escuro” é um hino do rock psicodélico, da boemia, com um refrão fantástico: “Viva o sol e o mar, eu digo ,  Viva o azul e o verde, eu penso , Viva o chopp escuro no calor!” Uma  observação para esse refrão é que no Brasil até hoje pessoas acreditam que a cerveja escura(ou o chopp no caso) é apenas para o frio. A cultura de tomar a cerveja estupidamente gelada fez criar essa cultura totalmente errada.

“Enseada” é uma canção bem maluca, apesar de ser mais lenta e sem o instrumental experimental como em outras músicas, mas com um contratempo bem bacana e uma letra meio maluca – um jipe branco voando a beira mar não me parece algo tão longe do LSD.

Em “Tema de Alessandra”, a guitarra de início é uma eletricidade linda, mas na quebra da entrada da voz parece mais aqueles velhos boleros dos anos 20 – claro, muito mais rápido. No refrão, a música volta a crescer com fidelidade aos anos 70. O disco ainda segue com “Águas de Sempre” , que remete muito mais a característica de suas músicas, algo mais romântico e suingado, assim como “Cidade”, que começa com ótimos sopros e um teclado meio frito ao fundo.  Bem interessante o tema da letra, que é um tanto atual, e com uma quebrada para o refrão  - e depois para voltar – que deixa com vontade de quero mais.

Para fechar o disco, “Você De Azul”, uma música bem quebrada com o cravo e sopros que marcaram o disco. Parece que Ronnie fechou o disco com tudo que foi usado para compor esta magnifica obra. O legal é que ele remete novamente ao nome Alessandra nessa música. Seria um amor platônico?

Vale a pena ver esse vídeo só para ficar na vontade - https://www.youtube.com/watch?v=0YBAZHVuzuQ


Para acompanhar esse disco escolhi uma cerveja escura – de propósito – e claro (an?) uma das mais clássicas do mundo. Abra uma Guinness, especialmente se estiver calor para acompanhar o disco. Não vou detalhar a cerveja por aqui, afinal se precisa ter informações sobre a Guinness você ainda não está tomando cerveja na vida.

Bons acordes

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Disco 83 Cerveja 83

LUIZ CARLOS VINHAS - O SOM PSICODÉLICO DE LCV - Conheci esse disco por acaso. Procurando coisas para conhecer de Bossa-Nova, acabei caindo nos trabalhos de Luiz Carlos Vinhas. Mais pela bossa e por seu grupo, Bossa Três. em sua discografia, vi esse disco e me interessei. Maravilha...

Nascido no Rio de Janeiro em 1940, Vinhas foi para a música ainda cedo, quando foi presenteado com um violão por seu pai. Em 1957 já estava nas composições da bossa nova carioca.

"Trabalhou como pianista no Beco das Garrafas, além de participações nos discos de Elis Regina, Quarteto em Cy, Jorge Benjor, Maria Bethania, entre outros. Formou também um dos primeiros conjuntos musicais deste período, o Bossa Três, o qual, em 1966, com Leny Andrade e Pery Ribeiro nos vocais, foi rebatizado de Gemini V ." (Wikipedia)

O primeiro disco  foi em 1962 com o Bossa Três e Lennie Dale, mas seu primeiro disco solo - assim podemos dizer - foi em 1964, denominado Novas Estruturas. Oficialmente, Vinhas tem 19 discos, sendo o último lançado em 2000 com a parceria de Bossa de Três e Wanda Sá. Vinhas morreu em agosto de 2001 devido a complicações no  coração (fumante desde sempre).

Vamos ao disco...

O disco é muito rico em elementos e experimentos, mesclando muita psicodelia e toque de música brasileira, com cantos caboclos, umbandistas e folclóricos.

Abrindo com a instrumental "Amazonas", de Joao Donato, o disco já promete um choque nos ouvidos. Quase impossível ficar parado (neste momento, escrevendo ao menos os pés estou movendo).

 Tanganica e  Ye-Mele (um canto lindo para Iemanjá) mostram como Vinhas é experimental e conhece bem a cultura brasileira colocada em suas músicas. A segunda é uma parceria com Chico Feitosa, grande parceria em diversas faixas do disco, assim como a seguinte,  Zizê Baiô (perceba que os nomes remetem muito à cultura indígena).

Un jour Christine , de Bruno Ferreira é uma música mais melancólica. Linda melodia de voz e uma percussão bem simples ao fundo. Como eu sempre digo. Tem horas que o mais sofisticado está na maior simplicidade.

A partir da sexta faixa, Vinhas começa uma série de regravações fantásticas de músicas ao redor do mundo. São elas:

Song for my Father de Horace Silver, Chatanooga choo-choo de M. Gordon e H. Warren, Don’t be that way de Goodman,  Sampson e Parish, Tributo a Martin Luther King (Ronaldo Bôscoli e o grande Wilson Simonal, Pourquoi de Caco Velho e Jadir Teixeira de Castro,  Arrasta a sandália deOswaldo Vasques e Aurelio Gomes, Morena, Boca de Ouro de Ary Barroso, Rosa morena do mestre Dorival Caymmi, Birthday morning de Yester e Carmel fechando com Can’t take my eyes off you de B. Crewe e B. Glaudio.

Para fechar o disco, O Diálogo, de Vinhas e Chico Feitosa. Uma música dialogada muito bacana, maluca, que deixam os ouvidos meio malucos.

Para esse disco, indico a cerveja Darkness Hoffen, da cervejaria Hoffen.

Cerveja Weizenbock de trigo escura, alta fermentação, teor alcoólico de 6,8% vol, traços de caramelo,  aroma de especiarias e lúpulos alemães. Harmoniza muito bem com  Carpaccio, Chucrute (conserva de repolho), Presunto Crú, Truta e derivados. Torradas com peixe ou camarão são uma ótima pedida para acompanhar também.

Divirta-se


domingo, 25 de janeiro de 2015

Disco e cerveja pelos 461 anos de São Paulo...

DEMÔNIOS DA GAROA – SAUDOSA MALOCA Falar em São Paulo e não falar em Demônios é imperdoável. Hoje, 25 de janeiro, aniversário da cidade, não tem como não fazer um post e uma cerveja para homenagear a cidade que nasci e que, felizmente moro longe.

Em seus 461 anos, São Paulo abrigou os maiores artistas do mundo nem que seja apenas um único dia. E aqui nasceram outros tantos inesquecíveis. Dentre eles, o grupo de interpretava as músicas de Adoniran Barbosa, os Demônios da Garoa.

Criado em 1943 como um grupo de seresta como nome de “Grupo ao Luar”. Em 1943, cantando pela primeira vez no rádio, venceu um concurso de calouros, chamado A Hora da Bomba, da Rádio Bandeirantes. O prêmio principal era um contrato para duas apresentações semanais na rádio.

O grupo mudou de nome por iniciativa do locutor Vicente Leporace, entusiasta do grupo. Este promoveu um concurso entre os ouvintes para que fosse escolhido o nome do grupo. Dentre as sugestões, foi escolhido o nome "Demônios da Garoa" por um ouvinte da radio não identificado até hoje. Vale lembrar que Leporace ao anunciar o conjunto em seu programa costumava chamá-los de "endiabrados" do Grupo do Luar.

Em 1949, durante as gravações do filme O Cangaceiro, conheceram o compositor Adoniran Barbosa. Nasceu a parceria que rendeu os principais sucessos do grupo e seu reconhecimento nacional.
Até 1957, o grupo fazia apenas gravações para as rádios e filmes, quando resolveram lançar o primeiro disco. Com músicas gravadas suficientes, o disco é mais uma coletânea de suas melhores músicas, pois algumas ficaram para o segundo e terceiro discos e nenhuma foi compota especialmente para fazê-lo.

O disco inicia com a música que dá nome ao mesmo. A história de pessoas que ocuparam um terreno e veio a polícia para tirá-los de lá. Estranho, mas até hoje é uma letra que condiz com a realidade da cidade.

‘Apaga o Fogo Mané” é um samba muito suave, beirando o choro.  Ela mostra uma característica forte do grupo, o uso do humor para criar seus sambas.  “Iracema” é uma das letras mais lindas que Adoniran fez, segundo ele próprio. História do homem apaixonado que perde sua amada.
“um samba no Bixiga” é a primeira de várias canções ao longo da carreira do grupo que remetem ao tradicional reduto italiano da cidade. Mas “Samba do Arnesto” é, sem dúvida, a de maior destaque deste álbum.  Ernesto Paulelli  (1913-2014) conheceu Adoniran em 1938, durante uma ida à Rádio Record, em São Paulo. Na ocasião, ele acompanhava a cantora Nhá Zefa e foi apresentado por ela a Adoniran. O curioso é que o sambista, ao ler no cartão de apresentações o nome de Ernesto, logo inventou o "apelido" de Arnesto. E disse, como Ernesto costumava contar: "É Arnesto, o seu nome dá samba. Vou fazer um samba para você." E fez.

“Quem bate Sou Eu” é uma das músicas da época do  “Grupo ao Luar”, com pequenas modificações na melodia.   “As Mariposas” é a que melhor define o humor do grupo, com história de uma lâmpada contando sua vida com as mariposas. Genial. O disco fecha com a maravilhosa ‘Progréssio’ .

Com oito faixas, o primeiro disco do grupo é um marco no  samba paulistano.  O grupo se tornou um dos mais antigos da história, além de todo dia 25 de janeiro se apresentarem no Mercado Municipal, ou Mercadão.

Mas para acompanhar esse disco, acredito na cerveja Karavelle, da cervejaria de mesmo nome que fica em Indaiatuba.  Cerveja de baixa fermentação, puro malte, ela tem uma coloração bem cristalina e combina muito bem com coxinhas e pasteis, bem típico de SP...



quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Melhores cervejas do Brasil

Uma pausa nos 100 discos e 100 cervejas para mostrar que saiu o ranking das melhores cervejas tipo Pilsen do Brasil. O texto completo você encontra no site PRAZERES DA MESA

O interessante é que o juri chegou ao resultado em um teste as cegas. Ou seja, não foi aquela coisa de proteção a alguma marca, foi realmente pelo sabor, combinações etc...

Confira as imagens da eleição.






sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Disco 85... Cerveja, um brinde!


ELZA SOARES E MILTINHO - ELZA, MILTINHO E SAMBA Vol 1  Elza Soares é a voz feminina mais marcante da música brasileira. Sem desmerecer outras tantas maravilhosas como Elis Regina, mas Elza consegue ser a grande pérola. Neste disco lançado em 1967 pela Odeon é uma parceria com Miltinho. Não consegui muita informação sobre o disco, então vai um texto retirado do site de Sidney Rezende (clique aqui)

"  O LP de Elza e Miltinho foi gravado nos dias 28 e 29 de agosto de 1967, sob a batuta dos maestros Orlando Silveira e Nelsinho. Assim como nos discos de Elis e Jair, "Elza, Miltinho e Samba" era essencialmente composto por medleys que juntavam sambas dos mais diversos compositores. O primeiro juntava, logo de cara, os clássicos "Com Que Roupa" (de Noel Rosa) e "Se Você Jurar", de autoria de Ismael Silva. Outros grandes sambas como "Eu Quero Um Samba" (Haroldo Barbosa e Janet de Almeida), "Requebre Que Eu Dou Um Doce" (Dorival Caymmi), "Antonico" (de Ismael Silva e cantado por Elza Soares) e "Louco de Saudade" (composta por Denis Brean e interpretada exclusivamente por Miltinho) também marcaram presença nesse primeiro volume do encontro de Elza e Miltinho. Os dois cantores reeditaram a parceria em mais dois álbuns, gravados nos anos de 1968 e 1969."

O que eu gosto muito neste disco são as interpretações de Elza casadas com a voz de Miltinho. As reedições dos sambas são ótimas. As músicas tocadas são:

1- Pot-pourri
Com que Roupa (Noel Rosa)
Se Você Jurar (Francisco Alves / Ismael Silva / Nilton Bastos)
2- Pot-pourri
Beijo na Boca (Augusto Garcez / Cyro de Souza)
Requebre que Eu Dou um Doce (Dorival Caymmi)
Tem que Ter Mulata (Túlio Piva)
3- Pot-pourri
Boogie Woogie na Favela (Denis Brean)
Bonitão (Marino Pinto / Mário Rossi)
Eu Quero um Samba (Haroldo Barboso / Janet de Almeida)
Pourquoi (Essa Nega sem Sandália) (Caco Velho / Jadir de Castro)
4-  Se Você Visse (Del Loro / Dino 7 Cordas)
5-  Todo Dia é Dia (Benedito Reis / Zuzuca)
6-  Pot-pourri
Enlouqueci (João Sale / Luiz Soberano / Waldomiro Pereira)
Fica Doido Varrido (Benedicto Lacerda / Frazão)
Obsessão (Milton de Oliveira / Mirabeau)
Só Eu Sei (Henrique Almeida / Milton de Oliveira / Nelson Trigueiro)
É Bom Parar (Rubens Soares)
Calado Venci (Ataulpho Alves / Herivelto Martins)
Vai, que Depois Eu Vou (Adolfo Macedo/Ayrton Borges/Zé da Zildo)
Já Vai? (Duba / Rubens Campos)
7- Mal de Amor (Benil Santos / Raul Sampaio)
8- Antonico (Ismael Silva)
9- Louco de Saudade (Denis Brean)
10-  Sofri (Ivan Nascimento)
11-  Pot-pourri
Bonde de São Januário (Ataulfo Alves / Wilson Batista)
Zé Marmita (Brasinha / Luiz Antônio)
O Trem Atrasou (Arthur Villarinho / Estanislau Silva / Paquito)
Sapato de Pobre (Jota Júnior / Luiz Antônio)
12- Pam, Pam, Pam (Paulo da Portela)
13- Pode o Mundo se Acabar (Hermínio Bello de Carvalho / Maurício Tapajós)

Para acompanhar o  disco, não tive dúvida em qual escolheria. Black Princess premium escura, da cervejaria Petrópolis.

Cerveja escura, de sabor forte, ela foi criada - segundo o site da empresa- na época do Brasil colonia, em 1882. A cerveja combina muito bem com comidas com algum toque doce, como molho de damasco, geleias de pimenta ou fondues doces.


domingo, 30 de novembro de 2014

Disco 86 e cerveja 86

MOTO PERPÉTUO - MOTO PERPÉTUO - Em música, a expressão italiana moto perpetuo - também Perpetuum mobile (em latim) ou mouvement perpétuel (em francês) - significa literalmente "movimento perpétuo". Esse nome foi escolhido para a primeira banda de Guilherme Arantes. Um disco histórico para o rock progressivo brasileiro, que neste ano comemorou 40 anos de seu lançamento. O disco foi feito por :
Guilherme Arantes (teclados e vocal)
Egydio Conde (guitarra solo e vocais)
Diógenes Burani (percussão e vocais)
Gerson Tatini (contra-baixo e vocais)
Cláudio Lucci (violões, violoncelo, guitarra e vocal)

Esse disco tem um jogo de palavras bem interessantes nas letras, algo que o Guilherme Arantes continuou fazendo ao longo de sua carreira. Mas vamos ao disco, pois a carreira de Guilherme Arantes já é bem conhecida por (quase) todos.

O disco abre com "Mal o sol", uma música que vai crescendo ao longo dos seus 2:48. Mesmo curta, começa bem silenciosa e vai se completando conforma vai entrando a voz. O refrão já conta com um jogo de palavras interessante aos ouvidos, "mal o sol amarelecera no céu". o Disco segue com "Conto Contigo", que é mais rápida e tem uma bateria quebrada bem legal. Destaque para os vocais logo após o refrão.

A terceira faixa do LP é a melhor do disco. Posso até exagerar mas pra mim é uma das melhores canções que o Guilherme Arantes pode fazer. A música tem uma bateria matadora, quebrada e com umas viradas fantásticas. O coro de fundo - especialmente no final- é espetacular e como sempre, o jogo de palavras rodando em suas canções- "nada que não faço mal e mal me faça passar, qual a nova sede, que é de tanta sede que não sente não é nova, novamente". Música maravilhosa - que em breve postarei o vídeo tocando ela, se a GVT permitir-.

O disco segue com "Matinal", com um belo refrão novamente "...tome um banho sobre o sono matinal, mate os males mas não se importe com desenganos". Essa é uma música mais lenta, que lembra coisas mais "modernas" do Arantes, como "amanhã". A música seguinte é a primeira que não é composição do Guilherme Arantes, "Três e Eu', composição de Claudio Lucci.

"Não Reclamo da Chuva" tem um baixo incrível. Poucos músicos no Brasil até hoje conseguem dosar um destaque no baixo sem cobrir toda a música como foi feito nesse som. Como sempre neste disco, a letra é forte. Posso estar viajando, errado, mas achei essa letra uma forma crítica ao consumismo que vivemos hoje, mesmo sendo escrita há 40 anos. Quem disse que evoluímos tanto assim? "Nunca fui convidado até charutos e licores já nem sei o que são valores. Quando se abandona o mundo  fica mais bonito, é bem melhor, uma roupa esfarrapada que o medo de sujar"

A sétima música, "Duas", é um resgato de memória. "Velhos tempos sem dor, só trechos de imaginação, Nascente loucura mas tudo melhor, ao menos era coisa pura". Quem nunca viveu romances puros quando mais novos, ou que achava que a vida poderia acabar ali, naquele momento que tudo ficaria bem? ela me lembrou muito uma música do próprio Guilherme Arantes, "O melhor Vai Começar"lançada em 1982.

"Sobe" é uma música que baixa um pouco o ritmo do disco, mais lenta e com destaque aos vocais e quebrada da cozinha bateria/baixo. "Cante, mas não desgraça, não se desfaça de nada
mexa-se, mais vontade sem mais razão...". Belo final de música.

"Seguir Viagem" é mais uma composição de Lucci, com um violão dedilhado lindo, um baixo que faz a entrada do coro marcante. Essa música me lembrou a "Clube da Esquina", lançada em 1972 por Milton Nascimento.

"Os Jardins" é um progressivo pesado, na linha de Yes, batera comandando a entrada e quebrando o tempo antes de entrar a voz. Umas paradas que fazem lembrar que música não é apenas som, mas também é silêncio. "Me respondaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa"...

"Turba" é a música mais longa do disco, com quase seis minuto. Viagem total, que me lembrou uns pianos que o Renaissance fazia. A voz entra após dois minutos e vem com bastante calma para depois se destacar.

E a cerveja?

Um disco como esse precisa de uma cerveja não só especial, mas uma cerveja de extrema qualidade e tradição, afinal Guilherme Arantes é um compositor que todo mundo no Brasil já cantou, seja em sua voz ou em voz de outro artista (como Balão Mágico, Roupa Nova).

Escolhi a Lobkowicz por ter tradição na região da Rep. Tcheca.

A primeira cerveja fabricada em Vysoky Chlumec foi em 1466. Desde 1474, a cervejaria se tornou propriedade da família Lobkowicz, família Nobre, tradicional Tcheca. Uma das mais antigas Cervejarias da República Tcheca.

O mestre cervejeiro da  Lobkowicz começa com a água pura a partir de poços artesianos da cervejaria e cevada da bohemia, que é transformada em malte, em sua própria casa malte. Ele fabrica as cervejas em cubas tradicionais de cobre, a adição do lúpulo Saaz aromáticos é feita com as mãos. A Fermentação aberta aprimora o caráter único das cervejas, e o saldo final é arredondado por meses de maturação.

Respeitando a personalidade da marca, receitas tradicionais, os procedimentos e o uso de matérias-primas de qualidade superior. Por isso uma real PREMIUM LAGER Esta é a maneira genuína para produzir as melhores Cervejas cerveja.

O resultado é uma cerveja de primeira classe, excelente na sua harmonia de delicado amargor, sabor e riqueza de colarinho.

Dê o play, coloque o vinil pra rodar e deguste essa maravilha. Vai ver que a combinação é perfeita.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Disco 87 Cerveja 87


JOELHO DE PORCO - SAQUEANDO A CIDADE - O Joelho de Porco surgiu em São Paulo em 1972, liderado por Tico Terpins (ex-guitarrista dos Baobás) e Próspero Albanese. Sempre irreverente e caçoador, em termos de atitude o grupo é considerado por alguns uma manifestação precoce do punk no Brasil, detentor de um autêntico "espírito de porco". Graças a isso, carregou durante muito tempo a fama de "banda de segunda". Não porque eram ruins, pelo contrário. Foram vítimas do preconceito ouvintes desatenciosos e incapazes de perceber que as músicas não são bregas, mas sim puro deboche!

Por outro lado, o tom humorístico da banda conquistou (e continua conquistando) uma legião de fãs fiéis ao longo dos anos, que disputam seus vinis e CDs. Além, é claro, de preparar o cenário para uma série de grupos que surgiriam nos anos 80 seguindo uma linha similar, tal qual o Língua de Trapo.

O disco abre com "Repórter Esso", música que só irá soar familiar par quem tem mais de 35 anos pois era o tema de abertura do programa homônimo (mais informações - http://migre.me/mMXlM ). A música é apenas a intro da abertura em guitarra, um timbre bem bacana. "Vai Fundo" é uma música perfeita para iniciar as partes cantadas do disco. Começa com um casamento lindo da cozinha entre baixo e bateria, com uma guitarra limpa que chega a brilhar o timbre.

o disco segue com "Apache" que é mais a introdução da música seguinte. Destaque ao timbre também que nesse disco parece ter sido escolhido depois de muito. "Funiculi Funiculá" é uma versão da tarantela italiana, mas uma versão bem metal. "Noites em Moscou" é a tradicional música russa com uma acelerada no final e gritos bem engraçados. Mas "Homem do Imposto de Renda" é um reggae satírico sobre a burocracia que tínhamos (tínhamos ? ) no Brasil.

"Diana" na sequencia para dar um up no disco para chegar ao maior clássico da banda, "Maldito fiapo de Manga", versão diferente da original do disco "São Paulo 1554  / Hoje" lançado em 1974. "Bom Dia São Paulo" é uma música de amor para a cidade que cresceu desordenadamente. "Bonanza" é uma tiração de sarro de temas de séries de TVs antigas. Mas é em "Pé na Senzala" que tenho que destacar o instrumental da banda. O baixo é simplesmente incrível deste black soul.

"Vigilante Rodoviário" é mais uma sátira de aberturas da televisão, é um clássico do programa da Tv Nacional. "Bom Dia São Paulo nº2" é uma versão mais Soul gospel desta canção. "Rock do Relógio" tem a melhor letra que Zé Rodrix canta neste disco. Essa música é simplesmente uma poesia maravilhosa da reflexão de gerações. Linda música.

"Sons de Carrilhões" é uma passagem bem humorada de um certo alguém tirando um som na guitarra e errando. Após, repete-se a "Funiculi Funiculá" porém em modo playback. "Ue O Muite Arukou" (canção de um seriado japonês...) vem introduzida por uma narração sobre o descobrimento da América e o impressionante espetáculo do moderno capitalismo.

Em "Telmo Martírio" a banda faz uma crítica pesada ao crítico de música Telmo Martírio. "Conjunto de Beira de Piscina de Filme Italiano" é mais uma passagem de Tv, desta vez de um comercial, assim como a sequente "Afrikaan Beat" que é uma tiração de sarro mais resumida.

"Dia de Ação de Graças" é a história de Joaquim Ferreira Prado um católico que se apaixona pela judia Sarita, filha de Isaac Isaias (Isaac Isaias foi um produtor da Polygram). Os familiares cercam Joaquim e fazem a circuncisão nele. Bem engraçada. Mas por falar em música engraçada, "Um Trem Passou Por Aqui" é onde eles pegam pesado no humor. A música é a história de como o Roberto Carlos perdeu sua perna e usa uma perna mecânica hoje (que na música é apelidada de Margarida). Pelo visto deus perdoa, mas o Joelho de Porco não.

"Hora de Dormir" é mais uma vinheta televisiva. Pesquisando sobre a banda, vi que Tico Terpins fazia diversos jingles para televisão. Está ai o motivo de tantas músicas referentes à televisão. O disco fecha com " A voz do Brasil", música vencedora como "Melhor Letra" no Festival dos Festivais da Tv Globo.

Enfim, são 24 músicas que cada vez que ouve quer ouvir mais. Sempre achei Zé Godrix genial, ele já esteve aqui neste blog no disco e cerveja 96. Mas a junção dele com o joelho de Porco ficou simplesmente fantástica. uma pena que o Brasil não tem mais espaço na mídia para artistas com esse nível de talento. Em janeiro deste ano, curtindo um som na casa da minha irmã, falamos sobre a banda e como ouvimos para matar a saudade de São Paulo.


Para acompanhar, nada melhor que lembrar de São Paulo, não é? Então aqui vai a cerveja "Paulistânia", da cidade de Cândido Mota. A de Malte é uma cerveja refrescante, aromática e encorpada, com um gosto ótimo de malte e amargor muito harmônico. Com apenas 4,8% de teor, ela desce muito bem.  Acompanha desde pratos leves como grelhados, sushis e saladas, e também frituras como batata frita e jiló frito.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Disco 88 cerveja 88


ULTRAJE A RIGOR - NÓS VAMOS INVADIR SUA PRAIA - Roger se tornou patético. Hoje ele é conhecido pelo que fala e não pela música que faz. Isso mostra que um artista quando não sabe envelhecer acaba fazendo de tudo para atrair a atenção, até ser ignorante... Mas é hora de falar em passado.

Esse disco foi um marco para o rock com humor no Brasil. Claro que já tínhamos outros grupos e artistas que faziam do humor sua arma para fazer música, como o Juca Chaves e o Língua di Trapo (vencedor do último festival de música da Tv record, em 83), mas o ultraje veio para suprir isso no rock, que precisava de algo mais destacado. Os anos 80 estavam perfeitos para o rock nacional, com a mídia apoiando e dando destaque em qualquer lugar. Até em programas infantis tinham bandas como Ratos de Porão.

Ultraje veio com ironia. No som que abre o disco, o mesmo que dá o nome , já mostra como iria ser, tirando um sarro dos incomodados nas praias de São Paulo dos farofeiros da capital. Ironia na medida certa. Acredito que "Rebelde sem Causa" seja uma auto biografia 'não autorizada' do Roger. Uma música que mostra como é o playboy brasileiro, hoje chamado de moleque de prédio. Desta forma, tem de tudo mas reclama da vida.

"Mim Quer Tocar" mostra um pouco do preconceito também, especialmente na parte "Mim é brasileiro, mim gosta banana". Humor com dose de politicamente incorreto, no que hoje transformou Roger em professor. "Zoraide"vem para mostrar o amor livre, que a monogamia era chata e entediante. Uma ótima música.

"Marylou" é um dos maiores clássicos da banda. tem uma história curiosa que, quando eu estava na segunda série, no Gepal (saudades do colégio), havia uma professora da terceira série que se chamava Marilú. Com a mesma fonética, virou piada na escola. E ela adorava.

"Jessy Go" é a música que roger fez para o Lobão. Não que seja algo oficial, mas a primeira estrofe é prova digna disso.

"Não passava de um imbecil
Até que um produtor o descobriu".

Melhor definição, impossível.

'Eu me Amo" é a mais pop do disco. Seguida por 'Se você Sabia", esta talvez seja a única do disco que não se tornou um clássico da banda em shows.

Para fechar o disco, "Independente Futebol Clube" é chave de outro. música com uma letra ótima, um instrumental bacana e bem animada. Coros e backing vocals na medida exata fazem do disco um clássico no Brasil. Pena que a banda nunca mais conseguiu fazer nada que preste depois disso. Mas que marcou história, isso pode ter certeza.

Para acompanhar esse disco, indico a clássica Brahma, afinal você não vai querer estragar uma cerveja especial com um disco do Roger Moreira,vai?

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Disco 89 cerveja 89

ROBERTO CARLOS - O INIMITÁVEL - Primeiro disco lançado após Roberto Carlos deixar o programa Jovem Guarda, da TV Record, "O Inimitável" é considerado o álbum de transição do cantor, embora ainda traga todas as características daquele movimento musical.

Logo na faixa de abertura do LP, com a impactante "E Não Vou Mais Deixar Você Tão Só" (composição de Antônio Marcos), nota-se uma mudança, já que álbuns anteriores tinham canções mais ingênuas como ("Aquele Beijo que te Dei", "É Tempo de Amar" ou "Gosto do Jeitinho dela"). Este era um sinal de mudanças no repertório do músico, que gradualmente mudaria seu gênero, passando a priorizar canções mais maduras e elaboradas, seja entrando de cabeça no Soul ou seja com Rocks mais profundos e estridentes como "Se Você Pensa" e "As Curvas da Estrada de Santos" do álbum posterior. Dois grandes sucessos de "O Inimitável" foram as músicas "Eu Te Amo, Te Amo, Te Amo" e "As Canções Que Você Fez Pra Mim" (ambas parcerias com Erasmo Carlos).

"O Inimitável" é também lembrado também pelo flerte de Roberto Carlos com o soul e o funk norte-americanos, como em "Se Você Pensa" (com Erasmo Carlos) e "Ciúme de Você" (de Luiz Ayrão) - dois dos maiores hits desse álbum. A faixa "Madrasta" foi a primeira e única canção defendida em festivais pelo cantor a ser incluída em LP e que possui grande complexidade harmônica, difícil de cantar.

Nesse disco Roberto demonstrou grande potencialidade vocal, nos discos anteriores o importante em suas músicas eram o ritmo, neste a melodia aparece em destaque e sua voz está bem colocada e com todo o seu potencial.

Para esse disco, indico a Petra Pilsen. uma cerveja leve, com 4,5% de teor e sabor para quem gosta das cervejas mais populares. Valor médio de R$3,00 a long neek.



segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Disco 90 cerveja 90


ENGENHEIROS DO HAWAII - SIMPLES DE CORAÇÃO - Para esse post, vou com um disco que ouvi muito durante o início dos anos 2000. Por influência da minha irmã, acabei indo a vários shows da banda e esse disco, em minha opinião, é o melhor da banda.

O disco tem o destaque pelo lado de que Humberto saiu na mesmice do Rock gaúcho e experimentou mais. Colocou coisas mais regionais, botou o batera Maltz pra cantar parte de um som e efeitos bem interessantes para o grupo, mesmo em um disco lançado em 1995. Um bom pop rock com pegada bem gaúcha.

O disco abre com "Hora do Mergulho", um som mais ameno, com um coro feminino bem interessante no início. "A Perigo" é uma pegada mais rock, bem ao estilo dos Engenheiros do disco Várias Variáveis.

A música título é uma das melhores composições de Humberto Gessinger. composição muito brilhante para uma pessoa como HG que de genial nada tem. é um bom compositor de pop rock, mas nessa música, realmente se superou.

Lance de Dados é um violão e voz meio entediante, mas com um jeito único que só os músicos gaúchos conseguem fazer. Mas é em "A Promessa" que a banda mostra peso e animação no disco. Um ótimo som para abrir show, mas que está esquecida faz anos pela banda.

"Por Acaso" é um rockão gaúcho, mas em "Ilex Paraguariensis" é que a raiz gaúcha entra com força no disco.  Com o acordeão, viola, a letra passa por momentos que remetem aqueles interiores do Rio Grande do Sul. Bem intimista e regional, uma música bem bonita.

O baterista Carlos Maltz entra na voz em "O Castelo dos Destinos Cruzados", talvez o ponto alto do disco. O sotaque gaúcho é bem forte nesse som, talvez o batera não consiga tirar ou então (o que eu acredito que seja) nem passou isso pela cabeça, tendo em vista que os caras são do RS mesmo.

"Vícios de Linguagem" parece uma música para acabar o disco. Teria sido uma ótima escolha também, Um coro lindo feito por 'The Water Sisters"que remete aquelas igrejas americanas onde frequentavam só negros.

"Algo por você" tem um efeito na voz que pode soar estranho para muitas pessoas. Eu particularmente demorei para gostar dela. Tem uma batera marcante esse som, um eco bacana de início. Realmente esse disco se destacou na técnica de estúdio.

Para fechar a banda escolheu 'Lado a Lado", que caiu perfeita para o disco. Com diversas vozes no som, a letra começa com o clássico inter e grêmio. Massem citá-los. Ouça, não é um disco 100%, mas é um ótimo disco que temos no rock nacional e que vale muito a pena ter.

Para acompanhar esse disco, escolhi obviamente uma cerveja do Rio Grande do Sul. A cerveja é a Baldhead Kölsch. Uma cerveja ótima, com malte de trigo, aroma frutado e com baixo amargor. A garrafa é de  500 ml e custa em média R$18. Combina muito bem com salames, salsichas mais picantes e comidas mais apimentadas.


quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Baita dum disco Disco 91 e uma breja bem boa 91


Essa capa é linda demais
KARMA - KARMA (1972) - Conheci o Karma uma vez que conversei com Ed Motta. Eu mais perguntava de música para ele e ele me falava mil coisas, mas quando pedi uma indicação de progressivo bão mesmo nacional ele me indicou essa banda. Foi fantástico o que eu ouvi naquele momento. Agora falo sobre o disco, rsrs

Após romper com O Terço (em breve estará na lista), Jorge Amiden logo encontrou novos parceiros. Com Luiz Mendes Junior (violão e vocal) e Alen Cazinho Terra (baixo e vocal), irmão de Renato Terra, o guitarrista daria início a sua trajetória de pouco mais de um ano como líder do Karma. Um baita power trio de rock rural, com umas passagens bem psicodélicas.

O disco começa com "Do Zero Adiante" e é algo lento, com vocais e letras marcantes, bem característicos de Amiden.  "Blusa de Linho" é o rock clássico, com baita base bacana uma flauta que tem aquela pegada meio Jethro Tull. Sonzera.

"Você Pode ir Além" é pesado, batera rápida, diretão, rockão mineirão dos bão! "Epílogo" é piração pura, música que tem pouca voz e mais instrumental, bem no progressivo que lembra umas coisas do King Crimson.

"Tributo ao Sorriso" é o clássico d'O Terço que Amiden faz no disco. O legal é o começo, feito a Capela. Sonzera. Faço um comentário fora do dico, eu conheci essa música com o Roupa Nova, fazem uma puta versão, vale a pena ouvir.

"O Jogo" é uma música linda, mais lenta e com letra mais destacada. O legal esse som é a gaita que acompanha, fina demais. "Omissão" vem depois que é até parecida com a anterior, porém sem a gaita, o que deixa um certo vazio.

"Venha Pisar na Grama" tem um vocal bacana demais, mas parece que confunde um pouco com o instrumental. Tive que ouvir em fone para conseguir entender umas passagens (adoro isso).

"Transe Um" pra mim é a melhor do disco. Instrumental lindo, aquele rock rural que só a minerada sabe fazer, e seguida por "Cara e Coroa", que fecha o disco de maneira arrepiante. Amiden fala de Valores Humanos nesse som, uma intro maravilhosa e um solo de baixo e guitarra que parece terem deixado o melhor de sua alma musical para fechar o disco.

Ouça esse disco tomando uma cerveja mineira. Escolhi a cervejaria Backer mas a Tres Lobos American Ipa, chamada de Pele Vermelha. Para um disco psicodélico o melhor é uma cerveja com um saber psicodélico. Com raspas de laranja em sua receita, essa cerveja tem um sabor mais impactante ao paladar, com uma graduação alcoólica de 7%, ela é encontrada apenas na long neek. Valor médio R$6,00

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Disco 92 cerveja 92


QUINTETO ARMORIAL - DO ROMANCE AO GALOPE NORDESTINO - O Movimento Armorial foi arquitetado por Ariano Suassuna, em 1970, na intenção de criar uma arte original e profundamente nordestina, mesclando influências ibéricas com tradições tipicamente nordestinas, que daquelas se desdobraram, além das heranças culturais trazidas pelos negros e das aprendidas com os indígenas, criando uma obra, a um só tempo, popular e erudita.
Segue texto de apresentação do grupo escrito por Suassuna, extraído da contracapa do LP:

Iniciado oficialmente em 1970, o Movimento Armorial interessa-se por Cerâmica, Pintura,Tapeçaria, Gravura, Teatro, Escultura, Romance, Poesia e Música, sendo que estamos a ponto de tentar nossas primeiras experiências no campo do Cinema e no da Arquitetura.

No que se refere à Música, o trabalho do Quinteto Armorial é o que, na minha opinião, temos de mais importante, pois contamos com compositores que já estão dando o que falar, no campo da Música brasileira e erudita, de raízes nacionais e populares.
Sem se falar dos nossos dois grandes patronos de nome já firmado - Guerra Peixe e Capiba, aqui presentes neste disco - trata-se de gente como Antonio Carlos Nóbrega de Almeida, Jarbas Maciel, Egildo Vieira, e, sobretudo, esse extraordinário Antônio José Madureira, a meu ver a maior esperança da Música brasileira atual. Assim como Gilvan Samico, partindo das xilogravuras da Literatura de Cordel, criou importância para a Cultura brasileira, o mesmo está fazendo Antônio José Madureira a partir dos cantadores do nosso Romanceiro Nordestino, dos toques de pífano, das violas e rabecas dos Cantadores - toques ásperos, "desafinados", arcaicos, acerados como gumes de faca-de-ponta.

Foram os compositores armoriais que revalorizaram o pífano, a viola sertaneja, a guitarra ibérica, a rabeca e o marimbau nordestino, estranho e belo instrumento, de som áspero e monocórdio, lembrando - como a rabeca também - os instrumentos hindus ou árabes, estes últimos de presença tão marcante no nordeste, por causa da nossa herança ibérica.

Os músicos do Quinteto Armorial poderiam ter partido em busca de dois caminhos fáceis: limitar-se, por um lado, à boa execução convencional da Música europeia, tradicional ou "de vanguarda", e procurar, por outro lado, o fácil sucesso popular, tocando, à sua maneira, "baiões" comerciais. Não o quiseram. Convencidos de que a criação é muito mais importante do que a execução, preferiram a tarefa mais dura, mais ingrata, mais difícil e mais séria: a procura de uma composição nordestina renovadora, de uma Música erudita brasileira de raízes populares, de um som brasileiro, criado para um conjunto de câmera, apto a tocar a Música europeia, é claro - principalmente a ibérica mais antiga, tão importante para nós - mas principalmente apto a expressar o que a Cultura brasileira tem de singular, de próprio e de não europeu.

O Quinteto Armorial tem seu trabalho ligado ao Departamento de Extensão Cultural da Pré-Reitoria para Assuntos Comunitários da UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO.

Faixas:

1. Revoada (Antônio José Madureira) 00:00
2. Romance da Bela Infanta* (Romance ibérico do século XVI, recriado por Antônio José Madureira) 03:43
3. Mourão (Guerra Peixe) 05:36
4. Toada e Desafio (Capiba) 07:27
5. Ponteio Acutilado (Antônio Carlos Nóbrega de Almeida) 11:53
6. Repente (Antônio José Madureira) 16:25
7. Toré (Antônio José Madureira) 21:01
8. Excelência (Tema nordestino de canto fúnebre, recriado por Antônio José Madureira) 24:01
9. Bendito (Egildo Vieira) 27:03
10. Toada e Dobrado de Cavalhada (Antônio José Madureira) 31:27
11. Romance de Minervina* (Romance nordestino, provavelmente do século XIX, recriado por Antônio José Madureira) 36:19
12. Rasga (Antonio Carlos Nóbrega de Almeida) 37:52




Para esse disco, fui lembrar de uma cerveja mais voltada ao chopp lá de Fortaleza (uma cerveja do Nordeste, yes,lembrei). Drache Bier é uma cerveja mais encorpada, com teor alcóolico de 7 % e um sabor forte. Essa da foto não fui eu, tirei da internet desta vez, mas tomei quando estive no WebFor e indico para curtir esse disco maravilhoso que vem lá de Pernambuco, mas o Nordeste é uma região única. Um brinde ao Nordeste e a música Nordestina!!!

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Disco 93 cerveja 93

DOCES BÁRBAROS-  DOCES BÁRBAROS - Estava em dúvida em qual disco iria colocar para esta parte da postagem. Estava certo que deveria ser alguém da Bahia, os representantes do nordeste, mas quem?

Alceu vem mais tarde. Gil? Caetano? Bethania? Gal? Por que não todos? Por isso ,escolhi o disco "Doces Bárbaros".

A junção de Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Maria Bethania foi para comemorar os 10 anos de carreira deles. Lançado em 1976, o disco traz composições próprias de todos e uma regravação de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos em "Fé Cega Faca Amolada" e "Atiraste Uma Pedra" de Herivelto Martins & David Nasser. No restante , só paulada própria.

O disco veio com uma paulada por ser duplo. Com pouco mais de 80 minutos, os 4 lados fazem uma viagem a todas as regiões do Brasil, sem perder o toque nordestino do quarteto. O disco de 1976 é considerado por muitos uma obra-prima da música brasileira, mas, curiosamente, na época do lançamento, foi duramente criticado.

Começando com "Eu E Ela Estávamos Ali Encostados Na Parede", música composta pelos quatro, o disco já mostra que vem coisa muito boa. Suingue, técnica e brasileirada. Tudo para ficar redondinho.  O disco segue com "Esotérico", "Eu Te Amo ", "O Seu Amor" e "Quando". Músicas que podem perfeitamente ter entrado para a galeria de inesquecíveis da MPB.

Mas os destaques do disco mesmo ficam para "Os Mais Doces Bárbaros" e  "Gênesis". Ouça. Ouça de novo e ouça mais uma vez. Este disco ficará na memória sempre. Ouça atentamente a faixa 'Índio". Tente não repetir a faixa...

Para acompanhar um disco tão diferente, precisei me lembrar da regionalização da cerveja. A produção de cervejas especiais tem uma grande demanda no sul e sudeste. Não conheço uma cerveja vinda do nordeste (quem souber e puder indicar, fico agradecido), então peguei uma dica que vem do norte Mais precisamente do Pará.

Eleita a melhor cerveja do Brasil em 2014, no festival de Santa Catarina, a Amazon de Açaí (Amazon Açai Stout), é uma cerveja com um sabor marcante. Particularmente eu não gosto de açaí, mas essa cerveja realmente surpreende. Qualidade, saber, leveza e tudo que esperamos de uma cerveja fora do convencional.  Com um teor um pouco mais forte (7,2%) a cerveja mereceu  prêmio. Abra uma para curtir o disco.Garanto que não rá se arrepender.



domingo, 28 de setembro de 2014

Disco 94 cerveja 94


Ney Matogrosso e Pedro Luis e a Parede – Vagabundo  - Esse disco, mesmo sendo algo mais novo – ele foi lançado em 2004 – merece estar entre os 100 de indicação. Explico.  A junção de um dos melhores intérpretes do Brasil com um arranjador universal claro que sairia algo bom, mas esse disco foi realmente extraordinário para a MPB atual. Arranjos riquíssimos, regravações que fazem ter dúvida se a melhor foi a original mesmo... Esse disco simplesmente merece por ter inovado, algo que os artistas não conseguem hoje em dia.

O disco abre com “A Ordem é Samba” de Jackson do Pandeiro e Severino Ramos. Versão pesada de um samba com guitarra marcante. O disco abre com uma música perfeita para iniciar um show. Poucos conseguem isso.

“Seres Tupy”, composição de Pedro Luis,remete a capoeira e tem um refrão  que, mesmo dizendo o óbvio, tem uma poesia maravilhosa. “De Porto Alegre ao Acre, a pobreza só muda o sotaque”. Alguém consegue discordar?

“Transpiração” e “Interesse” mostram a riqueza de ritmos que Pedro Luis consegue compor, com arranjos lindos, sendo que a primeira é uma regravação do Itamar Assunção - que estará na lista dos 100 em breve ;) -.

“Assim Assado” fica fiel a original. Nada mais justo de ser feito. Mas é em “Noite Severina” que provavelmente a dupla surpreende. Além da divisão de vozes ter um encaixe perfeito, o violão mais aveludado dá a calmaria necessária que o disco pede na hora. Ela, sem medo de errar, é a melhor do disco.

A faixa título é um samba dos mais agradáveis de escutar. E com uma letra que faz enrolar a língua que só mesmo Ney Matogrosso para conseguir cantar com clareza. Da mesma forma acontece em “Napoleão”...

O disco ainda tem a regravação de Martinho da Vila na “Disritmia” onde Ney e Pedro fazem um dueto sensacional. “Me deixe hipnotizado pra acabar de vez com essa disritmia”...

Em “Tempo Afora”  eles mostram o peso que podem colocar dentro da MPB, assim como na “Jesus”. Peso e melodia misturados para voltar-se a música brasileira.

“Finalmente” de Itamar Assunção e “O Mundo” de André Abujamra fecham o disco de forma melancólica, mas sem ser melosa. A música de Abujamra é de uma poesia sensacional, e ficou infinitamente melhor que a original, gravado pela banda de Abujamra, Karnak, no disco de estreia com o mesmo nome da banda.

O disco ficou tão bom que acabou gerando um ao vivo com alguns bônus, como outros sons do Secos & Molhados e os mais batucantes do PLAP.

Esse disco é ótimo, acima da média do que hoje as pessoas fazem na MPB. Esta está engessada, com artistas limitados que se voltam apenas para a poesia da música, esquecendo muitas vezes da parte musical. O violão e voz de hoje não consegue evoluir. Historicamente, Ney Matogrosso é um artista que se reinventa. Nada de limitações, desde o rock até o mais puro samba. Obviamente ele estará ainda mais vezes nessa lista.

Para acompanhar esse disco, vou indicar uma cerveja que combina com a fineza e atualidade dele. A Tupiniquim,

A Tupiniquim Weiss é uma Cerveja de Trigo, tem aroma agradável de frutas, um sabor equilibrado entre o dulçor leve do malte e notas suaves de banana e cravo. De preferência, a de litro. Mais cerveja é sempre melhor.


terça-feira, 23 de setembro de 2014

Disco 95 Cerveja 95

ERASMO CARLOS - CARLOS, ERASMO - “Considero o Carlos, Erasmo minha estreia na música adulta depois do prazeroso BÊ-A-BÁ da Jovem Guarda”. Com essas palavras Eramos Carlos define esse disco. Sinceramente, falo sem medo de errar que é o verdadeiro rei do rock brasileiro. Até hoje o tremendão faz um show pesado, no melhor estilo 'tiozão transão'.

O disco é um marco não só para Eramos, mas também para a música brasileira em si, pois a geração Jovem Guarda estava crescendo, e os músicos precisavam evoluir. Uns bateram no romantismo, uns foram para o rock e muitos para algo mais psicodélico.

Erasmo é rock. Sempre foi e até hoje é rockão em sua essência. Mas neste disco ele deixou o lado rock um pouco de lado e arriscou algo mais voltado ao soul e MPB. E é o lado mais maluco da MPB.

“De Noite na Cama” abre o disco, uma faixa composta por Caetano Veloso especialmente para Erasmo. A faixa por si só já era polêmica porque, na época, foi associada à apologia ao uso de maconha, depois admitida por Caetano. O mais interessante da história é o nome da música que fecha o trabalho. "Maria Joana".

"Masculino Feminino" é algo que faz lembrar Bob Dylan em certos momentos. "É Preciso Dar Um Jeito Meu Amigo" é parceria com Roberto Carlos e um rock n roll bem típico que ele fazia na jovem Guarda. "Dois Animais Na Selva Suja Da Rua" é de Taiguara e o começo da psicodelia.

Destaque para "Agora Ninguém Chora Mais", de Jorge Ben. uns vocais malucos bem trabalhados. Isso com um efeito surround deve ficar maravilhoso e para "Mundo Deserto", parceria com Roberto que tem um soul bem dançante.

O disco vale demais ter, é daqueles que se escuta do início ao fim. Para acompanhar um disco desse, indico a cerveja Harboe Strong Extra , da Alemanha. São 12% de teor alcoólico e sabor adocicado. Tomando ela dá pra chegar na sintonia do disco.

Saúde!




segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Disco 96 Cerveja 96





ZÉ RODRIX - QUEM SABE SABE, QUEM NÃO SABE NÃO PRECISA SABER - Em 1974, Zé Rodrix concebeu um dos melhores discos daquele ano e da sua carreira: acompanhado pela banda intitulada "Agência De Mágicos", formada apenas para esta gravação, ele chegava ao público "cabeça", com um punhado de canções emocionantes, de arranjos poderosos, rock irresistível, pra dançar e pensar. "QUEM SABE SABE QUEM NÃO SABE NÃO PRECISA SABER", um álbum quase psicodélico, cuja faixa-título, um diamante em estado bruto, trazia na sua base, um rock vigoroso, com instrumentos de sopro e bateria seca, entremeada de belos solos de guitarra, sua acidez vinha a tona. O som do álbum flui solto no restante das canções, num repertório bem equilibrado, que vai do rock mais moderno ao mais nostálgico, passando por belas baladas ao piano. Uma obra-prima incontestável. "Era o meu sonho fazer um disco assim. Meses depois, o Tim Maia montou a banda Vitória Régia e começou a fazer a mesma coisa", lembrou bem Zé Rodrix.

Ouça atentamente o disco. Ouça novamente. Ouça mais uma vez e depois coloque fones para ouvir. Cada hora vai descobrir algo novo .

Para acompanhar esse disco, precisei recorrer as cervejas clássicas. Fica a dica de degustar VÁRIAS "Original" da Antárctica.  Nem preciso especificar essa cerveja não é? Igual a obra de Zé Rodrix...




sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Disco 97 Cerveja 97


OS MUTANTES - Este disco é coisa nova. Nova e velha. O retorno d'Os Mutantes foi algo sensacional, especialmente para uma geração que não pode ver a banda tocando como foi a minha.  Em 2007 eles fizeram o show de aniversário da cidade de São Paulo e pude ao menos ver com Arnaldo, mas sem Rita. Mas este disco...

O disco quando foi anunciado foi algo estranho. Será que seria bacana? Arnaldo já avisou que pularia fora. O último disco tinha sido o 'Tudo Foi Feito Pelo Sol" (turnê atual da banda é o disco na íntegra).

Ouvi a primeira vez indo para Marília, cidade do interior de São Paulo. Fui para trabalhar em um jornal local. O disco me conquistou logo de cara.

Disseco agora.

Haih or Amortecedor é um disco cheio de enigmas. Coisas se descobrem depois de ouvir algumas vezes. Haih quer dizer corvo. O mesmo da capa e o mesmo presente em outras partes do disco.

O disco começa e termina com uma colagem, “Hymns of the World Pt.1 (Intro)” e “Hymns of the World Pt.2 (Final)”. Na primeira parte, Vladimir Putin dirige-se ao exército soviético, na segunda, o hino brasileiro mesclado com o soviético.

"Querida Querida" mostra uma música perfeita para abrir show, e Bia Mendes atinge notas altíssimas, impressionante. E como sempre, o jogo de palavras típica das letras de Sergio Dias, único mutante original do disco.

'Teclar' é o típico romance moderno. Interessante que nessa música -como outras do disco- ele retoma o passado da banda. "Sabe a vizinha daquele janeiro? Casou-se com um motoqueiro". Arrepia.

"2000 e agarrum" é uma das músicas mais divertidas que já escutei. Muito legal, lembra um tanto a regravação de "2001" do Tom Zé que os Mutantes fizeram nos anos 70 e posterior com o ao vivo em Londres com a Zélia cantando. Bia consegue cantar com rapidez e clareza cada nota de sua voz, e um sotaque mais lindo que dá para se apaixonar só ouvindo. Se o disco tivesse só essa música já valeria a pena. Mas tem muito mais...

"O Careca" é a que mais puxa para o rock progressivo psicodélico. Música com contra tempo pesado e um teclado que 'frita' o tempo todo do refrão. Espero que ao ouvir este disco já esteja alterado com a cerveja já nessa música.

"Bagdad Blues" joga com personagens atuais, um blues cadenciado mais puxado para os do B.B. King. É seguida pela "O Mensageiro" que tem o melhor refrão do disco (e ainda cita o corvo da capa).

O companheiro tropicalista Tom Zé é co-autor de seis faixas e ainda divide com Bia Mendes os vocais de “Anagrama”, uma balada bem puxada ao pop, mas com uma letra curiosa. Maioria das palavras não são terminadas. Só escutando para entender.

"Samba do Fidel" é inegavelmente comparável com "El Justicero"  de 1971.  “Nada Mudou” também lembra a sonoridade antiga, principalmente o instrumental a la Beatles e os vocais mais adocicados de Sérgio Dias.

 “Neurociência do Amor” tem uma cara bem atual, com uns contratempos que me fez lembrar de Zé Rodrix. Para terminar as composições - antes da coagem que inicia e termina o disco- "Gopala Krishna Om" é mais um mantra que mistura dialetos. Bem maluco.

Mesmo sendo um disco atual, ele entra nos 100 mais do Brasil  pois depois dos anos 90 são poucos discos que merecem algo. Esse disco veio como uma surpresa maravilhosa, sem rótulos de rock, pop, jazz, blues, samba, o que for. Composições livres, misturas de línguas, Um disco que daqui uns anos vai voltar aos ouvidos das pessoas. Igual os caras fazem hoje  com o "Tudo Foi Feito Pelo Sol"

Para ouvir esse disco precisa de uma cerveja forte com alto teor alcoólico. Faxe Extra, cereja Dinamarquesa e com 10% de teor alcoólico. Preferencialmente , tomar na caneca de um litro. Cerveja que conforme você vai bebendo, ela vai adocicando. Portanto, mesmo esquentando ela pode ser degusta. Ela tem uma cor dourada.