segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Remoendo

Por que fui procurar o que não devo? Agora fico me remoendo por dentro de formar abstratas...

"Beijo,te amo"

Nunca ouvi isso. Nunca li isso... Mas essas palavras me consomem internamente e eu ando cada vez mais amargo.

Já não consigo dar mais os sorrisos que dava antes.
Pensando que esse coração era apenas pra mim. Ledo engano.

Nunca a vi totalmente entregue. E hoje, mesmo com o passar do tempo, ainda não vejo. Tive a prova mais cabal de tudo isso...

Não posso reclamar. Quem procura o que quer, encontra o que não quer. Fui em particularidades que não fui convidado. Aconteceu...

Convidado...

Em certas horas sinto-me como se fosse parte importante deste universo, mas tem horas que isso parece ser apenas uma caridade, comodidade ou um mero vestígio de algo. Seria para ter a liberdade de outro lado?

Por que tantas exclamações?

"Eu te amo"...

Mesmo forçando a parte interna, foi um grande incômodo ler esse tipo de reciprocidade. Vejo que não tenho espaço para isso, vejo que meu espaço é totalmente limitado, onde as mãos não exploram, as bocas são limitadas...logo no jogo do amor

A verdade não se esconde debaixo de um cobertor. Não esconda nada, pois nada se esconde.  Mas esconder o que exatamente?Nem eu sei ao certo.

Só sei que me corroo por dentro, e isso não passará tão cedo.


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Eu vi sem ver

Saudades de seus beijos, selinhos, massagens e carinhos.
Dois corpos não estando presentes, podem estar juntos...


E a cabeça que vai longe...

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

The Beatles - I Me Mine

Intensidade


Senti sua respiração quente e afobada na minha nuca. Eu suava e tentava me segurar em algum lugar para não cair, pois nossos corpos ocupavam o mesmo minúsculo espaço. Equilibrava-me nas pontas dos pés enquanto sentia todo esse êxtase matinal.

Você, me tocava, falando baixo em meus ouvidos. Não sentia nada. Quando encontramos o amor de nossas vidas, dizem que o tempo fica estático. Não via nada se mover. Tudo parecia apenas preto e branco. Nós, ali naquele momento, era o único projeto de cor...

Suor escorrendo pelas minhas costas. Ele me apertava forte, depois suave. Lambia meu pescoço como se fosse seu maior desejo em vida.

Me jogando na cama, senti que seria o momento de abrir meu mundo. Sim, doo-me a você. Suas mãos passeavam em meu corpo, suas mordidas, que tanto reclamo, eram carinhos em minha barriga. Pegando forte. Me senti desejada. Me senti possuída, me senti um objeto. Me senti mulher naquele instante.

Lembrei de todos os amores que tive; dos que eu não tive; dos que ainda terei. Nada estaria comparado a esse momento. Explosões em fogos dentro de mim. Não era mais responsável pelos meus atos. Os corpos simplesmente se moviam conforma a música pedia. Os movimentos intensos, os arranhões e mordidas. Tudo tão forte.

A porta se abre. Vejo o rosto dele me olhando com uma pessoa na cama, com o vestido levantado e ofegante.

(continua)

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Sonho final


Recoste sua cabeça
E durma em meu ombro
Recoste sua cabeça
E inicie um novo sonho
E por esta noite
O momento se acabou
Levado por uma canção de ninar
Aqui onde as estrelas residem
E anjos são sempre avistados

E recoste sua cabeça
As estrelas, elas têm sussurrado
Escute o que elas dizem
E entenda o que elas querem dizer
A lua é sua guia
As estrelas, elas a têm beijado
Enquanto ela se vai gentilmente
Iluminada como o suspiro de um bebê
A salvo em um rio de contos de fada

E inicie um novo sonho


quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Não vou dizer que estou triste


Estava tão feliz com você. Não sabia nem explicar o turbilhão de sentimentos que explodiam dentro de mim. Era uma das coisas mais gostosas que já havia sentido em minha vida, e olha que da vida entendo muito (ou sempre achei que entendi, pois sempre tive essa prepotência).

Lembro-me muito bem a primeira vez que nos vimos. Foi muito por acaso, um indo e outro voltando. Se não me engano de um almoço, pois trabalhávamos juntos. Naquele exato momento sabia que tu eras quem eu queria para minha vida. Para poder chamar de meu, e você me chamar de minha.

Ah, quantas saudades desses tempos bons. E rapidamente tornamos cúmplices um do outro. Melhores amigos. Maiores amantes. As noites que passamos juntos eram inacreditáveis. Me entregada de corpo e alma. Pode até ser que de início era algo físico, mas o calor de nossos corpos, você beijando meu corpo nu, eu podendo pegá-lo com força e terminarmos num gozo mutuo infinito.

Meu coração hoje dói. Você preferiu trocar quem estava sempre ao seu lado por uma grande aventura. Mas claro que não sou digna de querer reclamar alguma coisa. Tu sempre foras solto no mundo, eu que fui besta de me entregar tanto para quem se entregava apenas de corpo, enquanto eu abri meu coração. E tu, que o guardou em uma gaveta, assim como fez com outros tantos corações. Ingenuidade minha...

Lhe ver com outra pessoa aquele dia me machucou, mas mantive forte. Não vou dizer que não senti nada, seria uma grande mentira minha. Mas mantive a compostura. Sempre me fiz de forte, e não seria agora que não iria fazer o contrário. Tu ai, amarra-se a qualquer sorriso, enquanto eu entrego meu coração e minha alma a ti para que seja só mais uma aventura. Não posso culpá-lo, é assim tua vida e sempre foi.

Hoje eu fico triste por ti, ai sofrendo por um amor que fez o que tu sempre fez com outras. Como o mundo da voltas. Ontem eras tu quem pisava em um coração. Hoje és tu quem está com o coração partido. Não me alegro em ver que tu estejas sofrendo, afinal esse sofrimento é o pior de todos que possamos sentir. Não desejo isso a ti, mas agora que tu passas por isso, queria dar-lhe um ombro.

Queria mesmo, mas não darei. Não darei porque no fundo sinto que isso é bom para tu veres o quanto me fizeste sofrer, o quanto eu me entreguei e tu pisaste neste pequeno coração. Agora que está sentido o mesmo, estás sozinho, sem mesmo seus amigos para lhe dar um ombro para descansar. É...não vou dizer que estou feliz por isso. Mas não vou dizer que estou triste. Quem sabe assim tu aprendeste como é brincar com o coração alheio.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Orgulho negro


Toda sua vida até agora
Você tem negado
Que chegaria a hora
Em que você iria morrer
Ainda assim dizem os rumores que deve assim deve ser


Por que você parece surpreso
Quando eu apareço aqui para ser o seu guia?
Por que você hesita em me seguir?

Veja isto crescer
Observe e se pergunte
Ouça-o chamando-lhe
A dançar

Sinta lhe segurar
Levar-te abaixo
Sou seu Deus da Segunda Chance

E agora você chama não estar preparado
Tanto que você fez não pode ser poupado
Ainda assim a morte não ouvirá o teu rogo

O cemitério está cheio de homens importantes
Que não puderam ser poupados no final
Então eu sussuro no seu ouvido


sábado, 20 de outubro de 2012

Eu manterei seus segredos


eu vejo você lá.
o que você vê além de seu olhar?
e você acredita que ninguém pode saber.

o que é esta coisa que você mantém dentro
fora da luz e envolvido em orgulho
sempre com medo que um dia isso será mostrado.

eu manterei seus segredos,
eu segurarei seu chão
e quando a escuridão começar a cair
eu estarei lá esperando
quando sonhos estão apagando
e os amigos estão distantes e poucos.

saiba que neste momento, eu estarei lá com você.
o que são essas vezes que você ouve?
elas estão tão longe, ou tão perto?
o que são essas coisas que ecoam do passado?

quem são esses fantasmas que você vê à noite?
lá nas sombras de sua vida
eles apenas vivem pela luz que atira

eu manterei seus segredos
eu segurarei seu chão
e quando a escuridão começar a cair
eu estarei lá esperando.
quando os sonhos estão apagando
e amigos estão distantes e poucos.

saiba que neste momento eu estarei lá com você.

eu estarei ao redor,
quando não existir razões para continuar.
e todo sonho que voce teve já se foi,
e a escuridão é profunda e negra, sem som.
e toda estrela tiver sido arrastada para a terra

saiba que neste momento eu estarei ao redor


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Vida bandida


Eu só quero ter o que a mão alcança
Quero um verso livre na minha garganta
Abro a janela, me entrego às montanhas
O sorriso nesse quarto é o que me aprisiona
Hoje eu não atendo,não vou pro trabalho
Não vou ler email,Vou ficar só do seu lado
Aqui
Quero andar descalço quero novidade
Não quero cultura pop
Já cansei de sacanagem
Dessa vida bandida
Pra mim
Quero criança na escola, ladrão engaiolado, cerveja com os amigos que hoje eu to liberado
Dessa vida bandida...bandida
Hoje eu não atendo,não vou pro trabalho
Não vou ler email
Vou ficar só do seu lado
Quero criança na escola, o ladrão engaiolado, cerveja com os amigos que hoje eu to liberado
Pra fugir dessa vida bandida
Pra mim

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A pessoa errada


Pensando bem
Em tudo o que a gente vê, e vivência
E ouve e pensa
Não existe uma pessoa certa pra gente
Existe uma pessoa
Que se você for parar pra pensar
É, na verdade, a pessoa errada.
Porque a pessoa certa
Faz tudo certinho
Chega na hora certa,
Fala as coisas certas,
Faz as coisas certas,
Mas nem sempre a gente tá precisando
das coisas certas.
Aí é a hora de procurar a pessoa errada.
A pessoa errada te faz perder a cabeça
Fazer loucuras
Perder a hora
Morrer de amor
A pessoa errada vai ficar um dia
sem te procurar
Que é pra na hora que vocês se encontrarem
A entrega ser muito mais verdadeira
A pessoa errada, é na verdade,
aquilo que a gente chama
de pessoa certa
Essa pessoa vai te fazer chorar
Mas uma hora depois vai estar enxugando
suas lágrimas
Essa pessoa vai tirar seu sono
Mas vai te dar em troca uma noite de amor inesquecível
Essa pessoa talvez te magoe
E depois te enche de mimos pedindo seu perdão
Essa pessoa pode não estar 100% do tempo
ao seu lado
Mas vai estar 100% da vida dela esperando você
Vai estar o tempo todo pensando em você.
A pessoa errada
tem que aparecer pra todo mundo
Porque a vida não é certa
Nada aqui é certo
O que é certo mesmo, é que temos que viver
Cada momento
Cada segundo
Amando, sorrindo, chorando, emocionando, pensando, agindo,
querendo,conseguindo
E só assim
É possível chegar àquele momento do dia
Em que a gente diz:
"Graças à Deus deu tudo certo"
Quando na verdade
Tudo o que ele quer
É que a gente encontre a pessoa errada
Pra que as coisas comecem a realmente funcionar direito pra gente...

Luis Fernando Veríssimo

quinta-feira, 4 de outubro de 2012


" A menina, desolada, olhou pra cima, pedindo uma resposta de Deus...
Caiu então uma estrela...
-Que coisa linda, sinal divino!!
Foi quando a ponta da estrela lhe furou o olho, e a menina ficou cega. Porque, coitada, não sabia que o brilho das estrelas é pura enganação. Estrela é coisa morta, sua luz é apenas resíduo de vida... Menina boba!
-Mas também, que se dane! Os olhos nos enganam tanto...
E ao ficar cega, então enxergou..."

(autor desconhecido)

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Essas saudades


Amigos. Sempre presentes, mas muitas vezes distantes.
Amigos que se distanciam ficam em um lugar muito remoto dentro do coração. A vida faz isso conosco. Lembro, certa vez, que perguntei pra minha mãe.
- cadê os seus amigos de infância? Você brigou com eles?
- olha, a vida leva a gente cada um para um lado. Difícil ter as mesmas amizades durante toda a vida, mas sempre ficarão guardadas as melhores lembranças deles.
Isso foi algo que ficou em mim.
Amigos vão...
Amigos chegam.
Amigos voltam...
Amigos partem
Amigos perto...                                                
Amigos longe.
Toda lembrança que tenho, tem um amigo nela. E lembro o nome deles até hoje.
Por ter sido filho único praticamente toda minha vida – meus pais adotaram uma menina logo depois que eu sai de casa-, tenho em meus amigos as boas lembranças. Muitos deles eram frequentadores assíduos de minha casa, especialmente pelo nhoque de batata que minha mãe sempre fazia (era sua especialidade).
Antes os apelidos eram melhores(e mais característicos).
Era o Jão, Pimenta, quatro-olhos, gordo, abacaxi(quando soltavam as primeiras espinhas), bola 8, negão, neguinho, nego (e Brasil!!!), Luizinho, Jaiminho, Leandrinho, Léo, Sabrininha, Sandrinha, Vanessinha... Acho que na minha época sabíamos apelidar melhor as pessoas. Tanto é que a maioria ainda o carrega. Menos a gorda e o gay. Eles trocaram o apelidos para gordo e Marcão... vai entender.
Meus amigos hoje vivem longe. Mais na lembrança do que no dia a dia, afinal a vida faz isso conosco. E não é que minha mãe estava (sempre) certa?!

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Pequenas Coisas


Aquele bom dia. Aquele olhar que nunca poderei esquecer. Todas as vezes que, quando pequeno, ia ao parquinho  na praça ao lado de casa passar o final da tarde, ou até boa parte do inicio da noite.

Aquele oi...

Um pouco mais de açúcar por favor. Agora colocou demais, mas tudo bem, tomo assim mesmo. Prefiro sem bater. A não, bate esse leite pra mim...

Aquele princípio...

Um simples dia de sol, para poder empinar pipa, ou bater uma bola naquele campo de terra onde duas pedras faziam o gol. Tudo bem rudimentar.

Aquelas caminhadas...

A varanda que servia para brincar de rádio e assim atazanar todos os vizinhos com nossas músicas chatas. Para piorar, aquele carrinho de rolimã que fazia um tremendo barulho quando descíamos a rua.

Aqueles risos...

Os fogos de ano novo. Sempre gostei de fogos,mas nunca da festa da virada. Fico deprimido, mas os fogos me fascinam. Os verdes principalmente.

Aqueles momentos...

Um sorvete sentado no banco da praça. Ou aquela demolição que assustou todo mundo. O que era um posto de saúde, onde eu chorava para tomar vacina, hoje é uma linda praça...

Aqueles lanches em um só lugar...

Aquele tênis velho,surrado de tanto jogar bola na quadra de cimento. Quantas raladas nos joelhos...

Aquele sorriso...

As noites sem dormir esperando algo na televisão que nunca vinha. Dormir debaixo da árvore de Natal, com cheiro de pinheiro empesteando toda a casa.

Aquela voz...

Nas saídas noturnas, preocupações e neuras. Nada demais, mas é sempre bom avisar onde estamos né...

Aquele dia...

Subir no topo mais alto da cidade, ou ao menos para nós era isso, e avistar as luzes todas no entardecer. 
Risos, fumaças, sorrisos...

Aquela praça no topo da cidade...

É engraçado que todas as lembranças são tidas de momentos, nada material. Nada que possamos dizer que está aqui por conta de tal objeto. Emoções, sentimentos, fases da vida que deixamos o vento levar, que do nada voltam nas memórias nas noites mais frias, mais longas e escuras que podemos ter.

Aquele vinho...

Foi-se tudo embora. Hoje as lembranças são o que restam de toda parcela de vida que tive, e sabendo que ainda irei viver muito mais...

Aquela (pequena) saudade...

quinta-feira, 26 de julho de 2012

O maior erro

Eu erro. Não sou perfeito. Mas sou cobrado para não errar. Alias,todos somos. E quando erramos, somos massacrados por isso.

Eu errei. Peguei o coração dela e amassei, joguei no lixo ainda sangrando. E quando me dei conta, perdi a melhor pessoa que em minha vida havia passado.

Sabe aquela pessoa que te abraça e o mundo pára de girar? Eu perdi

Sabe aquela pessoa que quando você está triste, faz de tudo para ficar feliz? Eu magoei

Sabe aquela pessoa que está ao seu lado, independente da forma? Eu sacaneei.

E hoje colho os frutos disso.

Meu coração se despedaça ao lembrar de tudo isso.

A dor aumenta ainda mais sabendo que hoje faz um ano, exatamente um ano , que por minha causa ela apertou aquele gatilho contra sua própria cabeça.

E eu,viverei com esse fantasma em minha mente...

O Preço(detalhado)

"O preço que se paga as vezes é alto demais"

E nem conseguimos saber o preço que virá depois de tais atitudes

"É alta madrugada já é tarde demais, pra pedir perdão, pra fingir que não foi mal"

Nem de madrugada, nem de dia, o perdão pode vir,mas nunca apagar os erros

"Uma luz se apaga num prédio em frente ao meu"

A mesma luz que clareava minhas noites, agora as deixa em total escuridão

"Sempre em frente foi o conselho que ela me deu"

E ela, que sempre foi maior que eu, sempre se mostrou um humano mais forte e digno

"Sem me avisar que iria ficar pra trás"

E parece que o passado não saiu dos sonhos e pesadelos.







Trecho de "O preço,Humberto Gessinger, em aspas. 

Anagrama

Mas se de manhã ce...
Vejo um travesse
Sem você
Mas que desespe
Caio tropeçan
Co´coração na mão
Falta ar
Falta chão
De repentou abandonar
Dá até vontade de morrer
Mas quando ei, o que?
Lá no portão
Você voltan
Me trazendo pão
Ana...
Oh, que tempesta
Fiz num copo d'ág.
MAs que confu
Tu ta malu
Tomei tão grande sus
Que faltou-me luz
Tudo era escu
Mas que reluz

domingo, 1 de julho de 2012

O dia em que minha menina morreu

Não lembro quanto tempo faz,mas a gente não dá um sorriso real faz um bom tempo. Sabe, parece que nos toleramos. E nunca me perdoei por isso. Logo eu, que gosto tanto de sair da rotina, de liberdade, de abrir sempre as portas do desconhecido. Não entendo porque chegamos a esse ponto. A última vez que fomos pra cama? Bom, vamos todos os dias, mas não, não desta maneira que você possa pensar. Não nos tocamos faz, sei lá, umas duas semanas. Pode ser mais,ou menos,não sei ao certo,mas sei que parece que está tudo muito mecânico. Beijos, de repente ela beija meu pescoço, desce a mão e me toca, eu pego em seus seios, fico gemendo baixinho- mesmo não sentido muita coisa e forçando pra ficar duro - e passando minhas mãos em seu corpo. Depois, toco-a e ela se derrete, chupo-a e subi ja encaixando. Movimentos, ai depois ela por cima. Pra finalizar, de bruços. Acabou. Sem palavras, tudo com roteiro certo. Era como ver um filme que sei de cor desde criança. Mas nenhum de nós faz nada para mudar esse enredo final. A última briga? Dá pra contar nos dedos as vezes que brigamos nesses anos todos. Será que é por isso? Falta algo mais que só concordar e conversar? Ela anda muito desligada últimamente. Recebe muitas mensagens no celular. Bom, quem sou eu para ficar vigiando suas mensagens, mas isso é algo que me deixa apreensivo. E se um dia ela for tomar banho e pegar seu celular para ler suas mensagens? Mas se ela é, como toda sociedade a vê, MINHA MULHER, isso não teria problemas. Ou teria? Se ela quiser fazer o memso? Tô nem ai, nada a esconder. E se ela tiver saindo com uma outra pessoa? Sim, ela começou a se arrumar mais, tem ficado mais meiga. Eu, nesse maldito trabalho, não consigo muita coisa mesmo. Não saio desta vida, nem quero pra mim está bom assim. Não sei porque raios eu penso nisso toda hora. Ela não tem me procurado. Quando conversamos, poucas palavras. Ela diz estar concentrada demais nos estudos. E eu? Acredito, sempre. Não sei até que ponto eu sou ingenuo para fazer isso. Mas por muito tempo venho pensando, no que eu me transformei para que nós construíssemos um conforto em nossas vidas. Ledo engano. Pelo visto uma muleta para poder estabilizar e depois, 50% de cada e tchau. Minha cabeça dói de tanto pensar nessas coisas. E parece que pesa. Meus amigos, que já não tenho mais, diriam ser o peso do chifre. Engraçado, eu que sempre dei muito valor as amizades, acabei ficando sem meus amigos por ficar com ela. Quanto tempo não os vejo? Quanto tempo não saio para tomar algumas coisa com eles? Tudo isso porque, aqueels olhos, me pedindo para ficar em casa com ela conseguiam fazer de tudo comigo. Maldita tentação. Malditos desejos. Ela hoje, quando falo pra gente sair, diz querer ficar em casa,mas não sai da frente do computador, dizendo trabalhar bastante. Eu? Acredito,claro. Mas nunca olharia as coisas do computador dela. Nisso, temos absoluta separação. Confiança acima de tudo. Mas em certo dia, quando cheguei, percebi que ela trocava de página toda vez que eu entrava em nosso escritório. Era eu entrar que via seus dedos no Alt+Tab. Via pelo espelho que ela fazia isso. Nunca perguntei o porque. Mas ela sempre tinha que fazer alguma coisa entre 18h e 19h10. Depois,ia para os cursos que a empresa lhe pagava. Sempre aocntecia de encontrar uma amiga que terminou com o marido, ou então aquele parente distante que não vê faz tempo e que ama(mesmo eu nunca ter escutado o nome dele) e ela sabe, família né?A, essas trapaças da vida. Por que não é mais fácil? Sabe, aquele jeito de todos concordam com isso e está tudo ok? Mas não, prcisam quebrar os acordos. Eu? Tenho minha cabeça tranquila. Sei do que fiz, doq ue deixei de fazer e durmo tranquilamente, sabendo que não farei ninguém sofrer. Sempre fui um cara assim, solto na vida. E amores tive inúmeros. Tive alguns que terminaram da pior forma, da melhor forma, que não terminaram, que terminaram sem ter um começo...Já rodei demais nessa vida. E já entrei em algumas furadas também. E tudo que eu fiz, ela ia comigo. Engraçado, mesmo nós estando separados há alguns anos, eu me sentia com ela, sempre imgainando onde estava, cm quem, fazendo oque, se pensava em mim, se não pensava, se se importava comigo, se nem lembrava que eu existia... Engraçado que sempre penava em ir aos lugares e encontrá-la, assim, sem marcar nem nada, os acasos da vida. Qual seria nossa reação? Beio no rosto ou aperto de mão? Rolaria apenas um aceno a distância ou então apenas aquele balanço de cabeça para marcar que viu? Nossa, quantas vezes eu passava em frente a sua casa e pensava que você estivesse pra sair. Até ficava olhando mais tempo, mas nada. E quando nos reencontramos, parecia que tudo ainda estava vivo. "Era fogo de palha", diziam os amigos. E esse fogo durou até agora. E pelo visto, está se apagando cada dia mais. Esses mesmos amigos me alertaram "você está se distanciando de nós para ficar apenas com ela", e eu dizia que não era assim. Mas era. É. Foi o tempo todo. Desde o ínicio. Mas isso nunca foi problema pra mim. Acho que no fundo, eu até concordava com isso. Meus amigos não me visitam mais. Parece que eu me tornei um ser que ninguémquer ter muito por perto. Hoje as pessoas que eu chamo de amigo são do trabalho. Alguns nem o nome eu consigo lembrar. São eles quem dão risada das minhas besteirasnas sextas-feiras depois do expediênte. Ou então no domingo, quando marcamos uma vez ao mês um futebol na empresa. Ela? Nunca nem quis saber como era isso. Engraçado, como eu tentei envolvê-la em minha vida, entrar nela. Mas ela fazia questão de que isso não acontecesse. Medo? Talvez insegurança. Mas lembro quando me falaram que isso era sinal de que a pessoa tem algo a esconder. Mas o que seria? A porta abriu. Sem alarde, ela disse oi e entrou. Ligou o computador. Fui até ela. ELa me olhou. "Está tudo bem? Claro. Por que me olha assim? Só quero te olhar, está muito bonita hoje. Obrigada". olhos na tela. Uma lágrima cai do meu rosto. "Por que ficamos assim? Assim como? Assim, desta maneira como estamos, sem nos falar muito, sem fazer amor, sem dividir as alegrias e angústias. Não sei,talvez estejamos passando por uma fase dificil". Ela disse isso sem desviar os olhos da tela do monitor. Talvez estejamos passando por uma fase dificil. Isso ficou na minha cabeça. Martelou assim, de uma foma violenta na cabeça. Lembro que logo que nos reencontramos parecia aquele amor infinito. Ela, me chamando sempre de moço, ela que sempre foi minha menina, estava ali,de volta pra mim. Ah, quantas saudades, quantas coisas passamos juntos e nada parece ter apagado. Lembro-me daquele abril, em que faziamos juras de amor. Era incrível,mas a saudade era tanta que me fez desistir de tudo para ficar perto da minha menina. E hoje? Bem, hoje sou tratado como qualquer um. Engraçado isso, como as coisas mudam assim, sem a gente perceber a cortina de fumaça para abafar e o desprezo aumentando todo dia. Certa vez,ao telefonar após um assalto, fui humilhado. E ,rastejando acabei pedindo desculpas. Veja só, hoje olho isso e vejo como fui idiota o tempo todo. Como pude cair nas armadilhas dela montadas?Eu fui tão trouxa. E olha hoje, certamente com algum cara que supra o que ela necessita, mas por pouco tempo. Logo seu coração gelado irá destroçar novamente os sentimentos alheios. Mas vejo, sabe aquela luz no fim do túnel? Pois é, vejo aquela faca em cima da pia da cozinha. Ela brilha. Em mminha mente, vem diversas formas de morte. MƼs a facada é um simbolismo maior do que qualquer outra. A facada tem como símbolo a traição. "Facada nas costas", lembro d eum amigo falando sobre um relacionamento rompido. Será que foi isso que aconteceu? Ela,sempre em seu canto, nunca mais falando de seus problemas comigo,e ainda falando que se eu quiser posso contar as coisas pra ela, mas ela não vai se induzir a nada. Seria isso uma amizade mesmo? Deus, dei-me sabedoria para agir. A faca brilhava. Recados no celular. O cabo parecia ter o formato de minhas mãos. Os segredos no computador. Afiada há poucos dias. As vezes que me ignorou. Estava decido, mataria a minha menina. Ela estava no computador, não seria dificil. Ela, desatenta, seria surpreendida pelo gelado entrando. Ok, passei na cozinha. Fiz o sinal da cruz. Entrei na saleta do computador e lá estava ela, trocando de página. "Por que trocou a página quando entrei? Alias, por que faz sempre isso? "Por que a pergunta"? Ela sempre respondia com outra pergunta. odiava isso. "Sempre escondendo as coisas", logo que falei, saquei a faca. Bem no peito, ali memso, no coração, onde todos dizem ser o orgão do amor, coloquei, firmemente a ponta da faca. Tudo foi em câmera lenta. Primeiro,a ponta, uma forçada mais, senti-a entrando no macio da pele. Cortou firme o osso e cravou dentro do peito. Senti um estralo e, mesmo aparetando não ter forças, eu rodei a faca. O sangue jorrava. Ela gritava, sem entender o que havia acontecido. Eu, entrando no seu refúgio de traição, de mentiras, com uma faca e cravando no meu próprio peito. Meu peito borbulhava, senti a visão apagando. Apagando,apagando...


sexta-feira, 15 de junho de 2012

Momentos infinitos


Não. Nem toda despedida precisa ser triste. Muitas vêm pelo lado bom da vida, para melhorar. Mas a gente é egoísta, e queremos tudo conosco, a hora que a gente quer.

Mesmo sem nenhum barulho ou alarde, veio e entrou. Entrou na vida como se entra em uma casa que já é sua, mas não havia pisado ainda. Tudo muito cauteloso, porém muito calmo e familiar. 

Na noite que parecia longa, foi um estalo de dedos para ela passar assim, voando, sem nem perceber seu tempo a vogar. 

E como sempre, a mesma sintonia que une, separa. Tudo bem,a vida nos dá uma dessas.

Mas por hoje, especialmente hoje, não é um bom dia para dar um sorriso.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Estigmação


As folhas secas ainda estão pelo jardim. A luz do sol bate, raiando as primeiras horas da manhã de um outono gelado, mas nem por isso frio. O alaranjado da flor parece dizer “hei, outro dia está ai”.
As ruas ainda desertas. O sol clareando o pouco que se vê. As luzes ainda acesas mostram que o galo ainda não conseguiu cantar.
Tudo parece ser mais difícil. Da até “dó de mim”, como uma amiga me escreveu uma vez.
Ao caminhar, vejo minha respiração saindo de meu rosto. Está gelado, mas não frio.
A epístola na mão guarda uma grande lembrança, que faz questão de não esquecer.
Saudade...Ah, essa palavra poderosa.
Gosta de sentir, de relembrar de um tempo que não volta mais, de uma pessoa que no volta mais. Todos os momentos estão guardados espistolarmente. Todas as lembranças.
O último encontro foi aos 14 anos... Quanto tempo. Quase o dobro de anos.
Aquele aceno de “Adeus” fica marcado na memória. O presente, tão simples para alguns e tão sentimental para outros, ainda guarda com carinho. Apenas uma revista, com uma reportagem que tanto gostava de ler.
O cartão de despedida, o cinema do último dia...quantos anos, quanto tempo.
Hoje os caminhos mudaram. Os milhares de quilômetros de distância nunca os separaram. Mas “infelizmente nem tudo é, exatamente como a gente quer”.
Hoje se descobriram água e óleo. Mas a vontade é de se tornarem margarina, que é a única forma que ambos se juntam.
Os telefonemas não mais existem. Mesmo com toda a tecnologia, ainda preferem as cartas. Aquela ansiedade de chegar às novas escritas, as novas fotos.
Nenhum aniversário havia sido esquecido, porém algo deveria ser feito.
Teve dois pensamentos. Largar tudo e encontra-la ou mata-la de vez. Preferiu a segunda opção.
Calmamente, foi destruindo todas as memórias. O fogo que ardia na fogueira queimava todas as cartas e fotos. Em suma, a vontade era de se atirar na fogueira para salvar tudo, mas sua mente não permitia tal façanha.
Ao queimar as memórias, decidiu queimar a fonte dela.
Pegou a estrada e viajou mais de dois dias até chegar ao encontro.
Ao chegar, se olharam. Ela abriu um sorriso sem graça. Sua vontade era de abraçá-la, beija-la e nunca mais largar. Mas ele tinha um motivo naquela visita.
Muitos anos sem se ver, vidas opostas, tempo passado. As lembranças vieram à cabeça.
Engatilhou. Atirou. A bala entrou certeira na cabeça, deixando uma poça de sangue no chão.
Pessoas que passavam ao lado gritavam em desespero. Um maluco com uma arma, atirando assim, no meio da rua.
Ele ficou com os olhos abertos, estáticos. A frieza de seu olhar demonstrava que, para ele a coisa certa havia sido feita.
Curiosos o chamaram de drogado, maluco. E ele apenas queria acabar com lembranças que atormentavam a sua vida.
Mas ao acabar com essa lembrança, acabou comum passado que não voltará mais. Preso a esse passado, o tiro emsua cabeça foi a sua única saída.
Ela não entendeu muito bem o fato de ele ter viajado tanto tempo para se matar na sua frente. Ao ver a poça de sangue, fechou os olhos e caiu aos prantos.
Suas lágrimas pareciam a pimenta mais ardida que um dia provara. O céu, no memso instante, ficou negro. A vida parecia ter pregado a peça mais semgraça de toda a história.
Percebeu um papel em seu bolso. Relutou pr mover um corpo, com os olhos estáticos no chão. Ao pegr o papel, um bilhete.
“Natasha, venho por esse meio acabar com a memória que mais atormenta a minha vida. Você entrou e transformou minha vida. Do escuro conheci o claro. O que antes era preto e branco havia cores. O céu fundia-se com o mar, e os passaram eram os maestros de minha vida. Agora, preciso acabar com isso, pois não apenas a memória ficou, mas a dor de não te-la comigo. E como todo amor é egoista, resolvi marcar sua vida, de uma forma um pouco mais diferente que você marcou a minha”.

Ah, as lembranças


Noite em claro é assim. As sombras sempre fazem desenhos nas paredes. E nessa noite, não foi nada diferente.

A noite estava gélida. Me sentia no sul do país,mas não estava lá. Muita coisa vinha a minha cabeça. Muitas memórias, muitos presentes e quem sabe algo do futuro.

Vozes surgiam em minha mente. Acendi um cigarro. “Se minha esposa souber que ando fumando novamente ela me mata”, pensei comigo mesmo.

O cigarro me fazia esquecer um pouco desse frio. Estava despreparado. Até tinha blusas e um cobertor, mas estavam no meu quarto e não queria me deslocar para pegá-los.

Lembro de minha filha um dia comentando comigo “Pai, um dia você vai estar sozinho e vai se arrepender de tudo o que já fez”. Ela falou isso porque estava com raiva. Pena ela ter partido sozinha. Infelizmente a fatalidade aquele dia acabou comigo. Ela, toda nervosa, saiu de casa, apenas porque dei uma bronca nela. Ela me engravida e não tinha certeza de quem era. Nossa, minha vontade foi de bater muito nela, mas falei boas merdas. Quando ela saiu de casa, uma pena, aquele carro veio e acabou com uma vida que mal havia começado. Infelizmente ela partiu brigada comigo. Meu Deus, essa dor que nunca acaba.

Essas noites de insônia nunca me deixam tranqüilos. Olho para a lua, olho para o céu...sempre negro como meus pensamentos. Há muito tempo venho pensando se minha vida realmente vela a pena.

Agora, com minha esposa no hospital, preciso de mais força...ah, as memórias. Lembro-me quando a gente se conheceu. Estava tão frio quanto hoje. As nuvens baixas deixavam uma linda neblina no ar. Eu a vi chorando na rua perguntei o que a fazia tão triste e que os olhos dela eram lindos para ter alguma lágrima. Foi o primeiro sorriso que consegui tirar dela, de muitos outros. Desde então, não nos separamos mais. São exatos 16 anos dessa alegria, mas desde que nossa menina se foi ela anda doente.

Sem minha menina fico pensando que a minha vida não vale muito a pena. Mas sempre penso que se eu partir, o rombo no coração de minha amada será maior do que já está...Ah, as lembranças.

Minhas palavras são soltas no ar, assim como minhas lembranças...merda de brasa que cai na roupa...Minhas memórias vão e vem na maior facilidade. Primeiro beijo, primeira namorada, primeiro dia de aula, primeiros passos, primeira briga, primeira vez, primeira nota boa,o que sempre foi raro...Mas desde que a menina se foi, as memórias são apenas aleatórias.

Lembro-me do primeiro sorriso dela. Ainda na maternidade, a enfermeira a pegou e levantou para tirar uma foto, através do vidro mesmo. Foi ai que ela sorriu. E o papai babão aqui se derreteu todo. E hoje, só as lembranças me acompanham...

(o telefone toca)

Não posso acreditar...pelo menos a minha vida agora tem um outro sentido.

(Ouve-se um barulho de tiro)

Perfume


A tarde já não fazia mais tanto sol. O dia estava quente, mas o sol já estava se escondendo por entre vales e montanhas da serra paulista.

Dentro daquele salão, com computadores e crianças, a vejo. Cabelos claros, como fios do mais puro ouro.

Amais pureza das purezas que já vi em minha vida.

Os olhos verdes reluziam naquele final de tarde. Um leve caminhar pela cachoeira me fez imaginar que o mundo poderia acabar ali, que eu estaria feliz demais para lamentar algo.

Aquela língua presa, um sotaque e os óculos me fizeram ter a certeza que nunca mais sairia de minha mente.

Uma rápida visita até um alambique. E veio um trecho de um diálogo que nunca esqueci. “Óculos, sotaque de caipira e língua presa”. Logo pude responder. “Se melhorar estraga”.

Ao adentrar no carro, aquele perfume tomava conta do ambiente. “Nossa, que perfume maravilhoso”. Não sei porque fiz esse comentário. Acho que pensei alto demais, mas tive tempo de arrumar. “Que perfume?” “Esse, de natureza”. Porque falei isso não sei. Talvez pela minha timidez, talvez pelo fato de ter medo de sofrer uma represália. Só sei que esse mesmo perfume nunca mais foi esquecido.

Fomos para um sítio onde fabricavam mel. Lá, o mel se tornará amargo perto da doce voz dela. A magia de seu olhar, a maciez de sua pele me contagiava cada vez mais. Curtia cada segundo ali perto, pois sabia que meu contato não iria além disso.

Ao ir embora, eis que pergunto. “Que perfume você usa?” Ela riu e falou o nome do tal. Assim que entrou no ônibus, sabia que seria meu último contato.

Tentar um beijo? Jamais, isso não teria boas consequências. Tentar um contato futuro? Boa ideia. Trocamos telefones. Nunca liguei, mas sei que também marquei sua vida.

Mas que esse perfume ainda me desnorteia...Ah, uma Branca sensação de cabeça perdida...

Pode apostar

Por mais forte que parecemos

Por mais  frieza que possamos transmitir

E por todo o tempo 

Nós que estamos sempre na estrada

Sofremos de um mal necessário

Saudade

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Lembo-me muito bem. Esse calor que consome meu corpo, junto com o calor do corpo dela.

O atrito.

O suor.

Os gemidos.

Os beijos molhados por todo o corpo.

Parece que esse tempo todo,separados, não passou. Ficou ali, intacto para ser cultivado novamente.

Explosão se sentidos.

Dejavu´s.

Parece que sabemos muito bem o mapa do corpo um do outro.

O universo ficou pequeno para tudo.

O mundo poderia cair lá fora, que estavamos muito bem.

Os beijos... pareciam que foram feitos na medida para encaixar perfeitamente.

Hoje são apenas lembranças. Mas quem sabe em breve...

sábado, 24 de março de 2012

Caes

Você precisa ser louco,
Você precisa ter um motivo de verdade
Você precisa dormir sobre seus dedos do pé
E quando você estiver na rua
Precisa ser capaz de escolher a carne fácil
Com os olhos fechados
E depois se movendo silenciosamente,
Contra o vento e escondido
Você tem que atacar no momento certo
Sem pensar.

E passado algum tempo
Você pode trabalhar em pontos por estilo
Como a gravata
E um firme aperto de mão
Um certo olhar nos olhos,
E um sorriso fácil
Você tem que passar confiança
Para as pessoas que você mente
Para que quando elas virarem as costas
Você tenha a chance de enfiar a faca

Você precisa manter um olho
Sempre olhando por cima do seu ombro
Você sabe que ficará cada vez mais difícil,
E mais dificil e mais difícil conforme vai envelhecendo
É, e no fim arrumará as malas e
Voará para o sul
Esconder sua cabeça na areia
Apenas outro velho triste e sozinho
Morrendo de câncer.

E quando você perder o controle,
Você colherá o que plantou
E à medida que o medo cresce,
O sangue ruim azeda e vira pedra
E é tarde demais para largar o peso
Que você costumava jogar por aí
Então se afogue,
Enquanto você vai afundando sozinho
Arrastado pra baixo pela pedra.

Eu tenho que admitir
Que estou um pouco confuso
As vezes me parece
Que estou sendo usado
Preciso ficar acordado, e tentar sacudir
Esse mal-estar rastejante
Se não estou pisando em meu próprio chão
Como poderei encontrar a saída deste labirinto?

Surdo, mudo e cego,
Você apenas continua fingindo
Que todos são dispensáveis
E ninguém teve um amigo de verdade
E parece que a solução
Seria isolar o vencedor
E tudo é feito sob o sol
E você acredita que lá no fundo todo mundo é um assassino

Que nasceu numa casa cheia de dor
Que foi treinado para não cuspir no ventilador
Que foi ordenado pelo homem a o que fazer
Que foi quebrado por pessoal treinado
Que estava usando colarinhos e correntes
Que levou um tapinha nas costas
Que andava fugindo da matilha
Que era apenas um estranho em casa
Que foi triturado no fim
Que foi encontrado morto ao telefone
Que foi arrastado pra baixo pela pedra

Que foi arrastado pra baixo pela pedra.

quarta-feira, 21 de março de 2012

As Mineiras - Drummond

O sotaque das mineiras deveria ser ilegal, imoral ou engordar.
Porque, se tudo que é bom tem um desses horríveis efeitos colaterais, como é que o falar, sensual e lindo ficou de fora?
Porque, Deus, que sotaque!

Mineira devia nascer com tarja preta avisando: ouvi-la faz mal à saúde.
Se uma mineira, falando mansinho, me pedir para assinar um contrato doando tudo que tenho, sou capaz de perguntar: só isso? Assino achando que ela me faz um favor.

Eu sou suspeitíssimo. Confesso: esse sotaque me desarma.
Certa vez quase propus casamento a uma menina que me ligou por engano, só pelo sotaque.
Os mineiros têm um ódio mortal das palavras completas. Preferem, sabe-se lá por que, abandoná-las no meio do caminho (não dizem: pode parar, dizem: 'pó parar').

Os não-mineiros, ignorantes nas coisas de Minas, supõem, precipitada e levianamente, que os mineiros vivem - lingüisticamente falando - apenas de uais, trens e sôs.

Digo-lhes que não. Mineiro não fala que o sujeito é competente em tal ou qual atividade. Fala que ele é bom de serviço. Pouco importa que seja um juiz de direito, um jogador de futebol ou um ator de filme pornô. Se der no couro - metaforicamente falando, claro - ele é bom de serviço.

Mineiras não usam o famosíssimo tudo bem.
Sempre que duas mineiras se encontram, uma delas há de perguntar pra outra: 'cê tá boa?'
Para mim, isso é pleonasmo. Perguntar para uma mineira se ela tá boa é desnecessário.

Vamos supor que você esteja tendo um caso com uma mulher casada.
Um amigo seu, se for mineiro, vai chegar e dizer:
Mexe com isso não, sô (leia-se: sai dessa, é fria, etc).
O verbo 'mexer', para os mineiros, tem os mais amplos significados. Quer dizer, por exemplo, trabalhar.
Se lhe perguntarem com que você mexe, não fique ofendido. Querem saber o seu ofício.
Os mineiros também não gostam do verbo conseguir. Aqui ninguém consegue nada. Você não dá conta.
Sôcê (se você) acha que não vai chegar a tempo, você liga e diz:
Aqui, não vou dar conta de chegar na hora, não,sô.

Esse 'aqui' é outro que só tem aqui.
É antecedente obrigatório, sob pena de punição pública, de qualquer frase.
É mais usada, no entanto, quando você quer falar e não estão lhe dando muita atenção: é uma forma de dizer, 'olá, me escutem, por favor'.
É a última instância antes de jogar um pão de queijo na cabeça do interlocutor.

Mineiras não dizem 'apaixonado por'.
Dizem, sabe-se lá por que, 'pêxonado com' . Soa engraçado aos ouvidos forasteiros. Ouve-se a toda hora: 'Ah, eu pêxonei com ele...'.
Ou: 'sou doida com ele' (ele, no caso, pode ser você, um carro, um cachorro).
Elas vivem apaixonadas 'com' alguma coisa.

Que os mineiros não acabam as palavras, todo mundo sabe. É um tal de 'bonitim', 'fechadim', e por aí vai.

Já me acostumei a ouvir: 'E aí, vão?'. Traduzo: 'E aí, vamos?'.
Não caia na besteira de esperar um 'vamos' completo de uma mineira. Não ouvirá nunca. Eu preciso avisar à língua portuguesa que gosto muito dela, mas prefiro, com todo respeito, a mineira. Nada pessoal.

Aqui certas regras não entram. São barradas pelas montanhas.

No supermercado, não faz muitas compras, ele compra
'um tanto de côsa'.
O supermercado não estará lotado, ele terá 'um tanto de gente'.
Se a fila do caixa não anda, é porque está 'agarrando' [aliás, 'garrando'] lá na frente. Entendeu? Agarrar é agarrar, ora!

Se, saindo do supermercado, a mineirinha vir um mendigo e ficar com pena,
suspirará: Ai, gente, que dó. É provável que a essa altura o leitor já esteja apaixonado pelas mineiras.

Não vem caçar confusão pro meu lado.
Porque, devo dizer, mineiro não arruma briga, mineiro 'caça confusão'.
Se você quiser dizer que tal sujeito é arruaceiro, é melhor falar, para se fazer entendido, que ele 'vive caçando confusão'.

Para uma mineira falar do meu desempenho sexual, ou dizer que algo é muitíssimo bom vai dizer: 'Ô, é sem noção'.
Entendeu, leitora? É sem noção! Você não tem, leitora, idéia do 'tanto de bom' que é. Só não esqueça, por favor, o 'Ô' no começo, porque sem ele não dá para dar noção do tanto que algo é sem noção, entendeu?

Capaz... Se você propõe algo e ela diz: capaz!!!
Vocês já ouviram esse 'capaz'? É lindo. Quer dizer o quê? Sei lá, quer dizer 'ce acha que eu faço isso'? com algumas toneladas de ironia...

Se você ameaçar casar com a Gisele Bundchen, ela dirá:
'Ô dó dôcê'.
Entendeu? Não? Deixa para lá.
É parecido com o 'nem...'. Já ouviu o 'nem...'?
Completo ele fica:- Ah, nem...
O que significa? Significa, amigo leitor, que a mineira que o pronunciou não fará o que você propôs de jeito nenhum. Mas de jeito nenhum.

Você diz: 'Meu amor, cê anima de comer um tropeiro no Mineirão?'.
Resposta: 'Nem...' Ainda não entendeu? Uai, nem é nem.

Leitor, você é meio burrinho ou é impressão?
A propósito, um mineiro não pergunta: 'você não vai?'.
A pergunta, mineiramente falando, seria: 'cê não anima de ir'?
Tão simples. O resto do Brasil complica tudo.

É, ué, cês dão umas volta pra falar os trem...
Falando em'ei...'.
As mineiras falam assim, usando, curiosamente, o 'ei' no lugar do 'oi'.
Você liga, e elas atendem lindamente: 'eiiii!!!', com muitos pontos de exclamação, a depender da saudade... Tem tantos outros...

O plural, então, é um problema. Um lindo problema, mas um problema.
Sou, não nego, suspeito.
Minha inclinação é para perdoar, com louvor, os deslizes vocabulares das mineiras.

Aliás, deslizes nada.
Só porque aqui a língua é outra, não quer dizer que a oficial esteja com a razão.
Se você, em conversa, falar: Ah, fui lá comprar umas coisas...
Que' s côsa? - ela retrucará.
O plural dá um pulo. Sai das coisas e vai para o que.

Ouvi de uma menina culta um 'pelas metade', no lugar de 'pela metade'.
E se você acusar injustamente uma mineira, ela, chorosa, confidenciará:
Ele pôs a culpa 'ni mim'.

A conjugação dos verbos tem lá seus mistérios em Minas...
Ontem, uma senhora docemente me consolou: 'prôcupa não, bobo!'.
E meus ouvidos, já acostumados às ingênuas conjugações mineiras, nem se
espantam. Talvez se espantassem se ouvissem um: 'não se preocupe', ou algo assim.

A fórmula mineira é sintética. E diz tudo.
Até o 'tchau' em Minas é personalizado.
Ninguém diz tchau pura e simplesmente.
Aqui se diz: 'tchau procê', 'tchau procês'.
É útil deixar claro o destinatário do tchau.
Então...

Nota do Blog - Nenhum homem no mundo será 100% feliz se não escutar um uai ao pé do ouvido

segunda-feira, 19 de março de 2012

Saindo ao nascer do sol
Mares são vidros flutuantes
As marés estavam se transformando em tempestade
Os ventos estavam se movendo rápido
Mulheres aguardando no porto
Silenciosamente aguardam em volta
Tempestades avançam mais um dia
Pois homens o mar encontrou
Pescadores estendendo as redes
Os barris espalham as iscas
Os avisos das gaivotas ecoam pelos arredores
Ventos que não podiam esperar
Pessoas aglomeradas no porto
Aguardando pela maré
Olhos meio fechados contra o borrifo
E lágrimas que não conseguem esconder
Se abaixando, virando de costas
Chuva caindo como granizo
Os oleados batendo, convés lavados
Os cascos estavam rangendo destruindo as velas
Trovão ressoando no porto
Mulheres atraídas pelo medo
Se aglomeram para esperar a hora
E rezam que os céus limpem
Ventos uivantes e as ondas agitadas
Racham sobre os barcos
E separados da segurança, separados da vida
Homens com pouca esperança
Ecos assustadores no porto
Suspiros de morte
Mulheres chorando segurando as mãos
Daqueles que ainda lhes restam
Sombras caem no porto
Mulheres aguardam em volta
Tempestades avançam por outro caminho
Pois homens o mar afogou


sexta-feira, 9 de março de 2012

Autismo

“Eu construí uma ponte
Além de nenhum lugar, através do nada
E queria que existisse algo no outro lado
Eu construí uma ponte
Além da neblina, através da escuridão
E desejei que estivesse luz no outro lado.
Eu construí uma ponte
Além do desespero, através da desconsideração
E sabia que poderia ter esperança no outro lado.
Eu construí uma ponte
Além da falta de ajuda, através do caos
E acreditei que poderia existir força do outro lado.
Eu construí uma ponte
Além do inferno, através do terror
E era uma boa, forte e bonita ponte.
E era uma ponte que eu construí
Com apenas minhas mão por ferramentas
Minha obstinação como suporte
Minha fé como medida e meu sangue como pregos.
Eu construí uma ponte
E a atravessei, mas não havia ninguém
Para me encontrar do outro lado”.


SINCLAIR

Moska - A outra volta do parafuso

Esquecemos tudo então

Vamos esquecer aqueles dias que passamos juntos, e que estragaram aquele sentimento tão belo que tivemos quando nos conhecemos.
Vamos esquecer que aquela rotina de dormir e acordar juntos acabou com um sonho tão belo. Aqueles pensamentos iguais de comunidades, filhos, corpos, universo, religião...
Lembro que um dia tu me disseste “Não importa o que aconteceu no passado, o que importa é que agora você quer ficar comigo”. E hoje isso são apenas palavras
Claro que eu também errei, mas sei muito bem que não fui o único. E que todos os meus erros tomarei de lição para que um dia possamos novamente ter ao menos um papo além do “oi, e ae, que bom,tchau”.
Sinto falta de nossos carinhos. Daqueles planos que fazíamos. Daquela viagem marcada e que infelizmente não aconteceu. Daquele destino sem culpa.
Aqueles abraços, aqueles beijos, aquela cumplicidade... Sinto falta de tanta coisa, de tantos papos, mensagens pelo celular, os textos que falávamos com o outro.
Mas isso tudo é apenas uma lembrança. Algumas palavras realmente foram soltas, ao vento e que nada disso hoje parece ser real.
Dentre todos os dias daminha vida, me dói saber que fiz a pior escolha de todas. Sair de perto de ti.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Suave Mudança

Vejo as estrelas em seus olhos
Retratando meu rosto no futuro
O clima lá fora está agradável
Mas eu vou ficar em casa
Esperando pela chuva

Lembranças de quando éramos jovens
Querendo tanto ser mais velhos
Agora você pode olhar para o passado
O único caminho à frente

Acendendo outro cigarro
Parecendo tranquilo enquando desmorono por dentro
Dizer "oi" para as pessoas é como dizer "adeus"
Rindo mas querendo chorar

Mudança suave de marés
Dias que estão por vir
Os espíritos de um novo horizonte caem
Sobre velhos sonhos

Parado aqui urrando para a tempestade
Gritando como a vida poderia ser perfeita
Bem, então as paredes tem que cair
Pra começar de novo

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Confetes de carnaval

Aquele pedacinho colorido que sempre traz alegria, agora é motivo de lágrimas.

Por que, Deus meu, apronta mais uma dessa em minha vida? Penso todos os dias se pequei ao ponto de ser deixado de lado por tudo e todos.

Risos, carnaval,samba,alegria...e eu com minhas lágrimas correndo.

Por que nada caminha na direção correta?

seria destino meu sempre viver na infelicidade dos dias que aqui jazigo em uma cidade mequetrefe?

Um dia ei de entender a humanidade. E assim, decepcionar-me mais ainda...

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Ansiedade para a felicidade

Nunca fui ansioso na minha vida. Não sou de ficar esperando minutos, contando dias, horas para alguma coisa. Faço-o por brincadeira, por animação, por agrado, por mero acaso.

Mas hoje estou radiante.

Estou contando as horas para poder encontrar minha felicidade. E quem não ficaria ansioso com isso?

Quero poder beijá-la. Tocá-la e dizer o quanto eu esperei pela sua chegada. Poder apenas ficar observando-a dormir. Dar um beijo em seu rosto e depois dormir junto.

A felicidade, certas horas, vem naquelas horinhas de descuido.

E ela pode ser uma grande felicidade, pode ser uma felicidade passageira, ou pode ser uma pequena felicidade. Mas ela está lá, me esperando. Onde? Ainda tenho que descobrir.

Mas andando por ai, sei que logo a encontrarei.

Procurando dois quartos de luz...

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Luz


Não preciso dos outros para ficar feliz.
Quando o dia está nublado, eu invento logo um sol, e os pássaros que ficam em minha janela logo aparecem.

Se a noite está escura, eu consigo um lampião. Logo que a lua aparece, eu prefiro apagar. A luz da lua é fascinante quando se está sozinho.
Ou então, gosto de inventar por do sol. Prefiro ficar mil horas admirando, mesmo sabendo que não passa de uma pintura.

Não preciso de amigos. Aprendi a ser sozinho e não confiar nas pessoas. Afinal, quem aqui confia realmente no ser humano?

Eu sei que pode parecer ideia radical, mas é assim que vivo feliz.
Minha estrada eu mesmo faço. Tento caminhar na linha que o vento me leva. Se me levar para a linha da solidão, logo invento amigos. Se me leva para a chuva, logo invento um dia quente para tomar um banho refrescante da água que cai do céu.

Consigo inventar as histórias mais engraçadas para me fazer rir nos dias que estou triste. Consigo ver, em casa grão de areia, sorrisos direcionados a mim todos esses anos. Milhões de guizos sorrindo.

Às vezes, um telefonema basta para eu conseguir um sorriso verdadeiro. Tem horas que quero muito ver o real valor das coisas. Mas sempre esbarro na realidade. Que se dane, o importante é a gente caminhar para onde o sorriso seja o mais sincero possível.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Longe demais

Distância.
Saudade
São sentidos que sempre me acompanham na vida. Mas tudo é muito relativo, como sempre ouço.
A saudade que tenho da minha avó, da minha vida aos 11 anos, ou menor, quando brincava na rua sem preocupação. Do sol que quando eu acordava estava lá e ia embora rapidamente quando entrava para casa.

A distância entre meu coração e Buffalo, que a cada dia aumenta mais. Entre pontos que o destino colocou em uma praia de uma cidade linda, charmosa, maravilhosa, que diminui apenas com um desabafo sincero.

Mas cada distancia difere da outra.

Tenho saudades de quem está longe de mim. Pessoas que entram e saem de nossas vidas, mas por algum motivo algo permanece por longo tempo!

Sinto tanta saudade daqueles olhinhos puxados, da pele negra e macia. Do sotaque caipira, daquela pequena dos cabelos bagunçados... Daquela que me ensinou o que é o amor. Dos cabelos que descobri serem enroladinhos, daquele olhar por de trás dos óculos, daquele cabelo rosado que me fez ir do céu ao inferno, daquelas horas perdidas ao telefone, daquela xícara que um dia eu me transformei ...tudo isso hoje vive distante, em minha árdua memória.

Não sei se a culpa disso é toda minha, mas sei que todas essas lembranças, todos os momentos são eternamente guardados com a mais pureza das saudades.

Será que eu transmito algo do tipo também?

Fico pensando...

Sei que nunca vou descobrir o que realmente fiz em algumas vidas. Deixei saudades? Sentem a distancia como eu sinto?

E eu fico aqui, refletindo co minha saudade...movido apenas pela distancia de todo o tempo.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

2012

Ela parecia atordoada com toda essa situação. Não queria ir embora, mas não queria ele por perto também. Paradoxalmente, ela queria ficar grudada mas distante dele...
Ela, que sempre fora muito orgulhosa, parecia se remoer ao tentar falar àquelas palavras que ficavam em sua cabeça. Mas nunca conseguiu se expressar totalmente.
Agora era hora de ir embora.
Aquela despedida para o nunca mais. Cinco, dez, ou talvez vinte anos ficarão separados. Separados pelo tempo, pela tortura e pelas circunstancias da vida. Ah, essa vida que nos prega as peças mais sem graça.
Ele lembrou do tempo que ficaram separados. Lembrou de como a saudade era grande entre eles. Mas lembrou daquele dia que ela o tratou como uma pessoa invisível. Parecia não estar ali, no momento em que estavam.
Ela, arrependida, não queria que tudo fosse tão breve. Mas foi.
E de tanto dizer sim, ela se atirou no mar.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Luxos...

Não tenho luxo em minha vida.
Não tenho um celular de última geração, não tenho um tênis de marca, não tenho sequer uma televisão. Vivo muito bem sem ela. Não tenho uma roupa cara, não vou para lugares onde gasto muito para me divertir, não tenho metas de comprar um carro ou uma moto que seja.
Não sou apegado às coisas materiais. Não me importo se a pessoa tem uma moto,um carro, ou ganha muito dinheiro.
Não tenho um microondas, não tenho um super faz tudo, que corta, vira escada, faz café e gela a cerva.
O que eu tenho é meu mais puro e sincero coração, onde o que mais vale é o lado verdadeiro.
Sorrisos são fáceis de disfarçar. Mas difíceis de tirá-los verdadeiramente.
Uma única palavra, da mais simples e singela. Um único gesto, uma atitude que faz ver como as pessoas podem fazer sacrifícios por umas, mas outras nem tanto.
Mas o que eu tenho eu posso garantir, é real, é simples e é de coração.
Tenho comigo todos os galhos de uma árvore que cresce meio ao caos urbano. Voltada para o sol, ela conforta, protege e consegue ser maior que muita gente, porém ocupando menos espaço.
Sou assim, do jeito que eu sou

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Fica na pele

É um tanto estranho quando escrevo com os sentimentos a flor da pele. Parece que todos os momentos vividos passam em branco e só aquilo, que está aflorando que se sobressai.
Nos últimos dias consegui ir a todos os extremos. Do amor ao ódio, da paixão a negação, do perto ao longe do acaso ao caso.
Muitas feridas remoídas, muitos pensamentos futuros e incertos, com a certeza que nada dura para sempre.
Sabe aqueles momentos em que ligamos apenas para ouvir a voz de alguém? Isso não existe em minha vida, mas bem que eu queria ter um número de telefone para poder fazer isso.
Tem momentos de nossas vidas que deveriam ser irretocáveis. Aquele momento em que iremos sempre lembrar com saudade, mas que se voltássemos iríamos estragar aquele sorriso de lembrança.
Prefiro não correr atrás de algumas coisas. Sabe, tem momentos que devem ser guardados como únicos. Daqueles que a gente sempre vai lembrar com um sorriso e nada mais. Caso tenham outros encontros, certamente terá alguma lembrança indesejada.
Eu prefiro os momentos eternos, mesmos que não durem mais que um dia...

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Dor

Não precisa me esperar. Agora, eu sou uma lágrima que caiu em um oceano. Total insignificante.

Paro pra pensar em todas as coisas da vida. Por que escolher caminhos dolorosos? Às vezes a vida nos prega peças que nós, mesmo sabendo, insistimos em renegar.

A dor não precisa ser física. A dor não precisa ser interior ou então disfarçada. A dor é eminente e reluzente. Às lágrimas, ao contrário do riso, não conseguimos disfarçar.

Não espere por mim. Eu já morri...

Sou sozinho. E mesmo sendo um solitário, não consigo ficar sozinho nessa maldita cidade, onde a depressão, a insônia e as lágrimas me acompanham desde a chegada.

Gostaria ao menos de uma noite de sono...ao menos uma

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Memórias

Já aprontei demais na vida. Já bati no irmão mais novo, já fugi de casa por não querer tomar banho, já tive coma alcoólico com menos de 15 anos... Minha mãe teve muitas dores de cabeça.
Lembro-me da época de escola, que não queria estudar. A bagunça na escola era boa, mas estudar nunca foi meu forte. Mas sempre fui um bagunceiro nato.
Certo dia, colocamos um chiclete que soltava tinta azul na cadeira da professora. Ela sentou justamente de calça branca. Foi engraçado.
O dia que jogamos um colega no lixo, que demos xixi para o boliviano beber ao invés de suco de abacaxi. Forma bons tempos.
Em casa eu aprontada de outra forma. Fui criança de apartamento. Nasci e cresci em metrópole e nunca tive oportunidade de brincar na rua. Então eu jogava salabol, andava de Skate pela casa, corria...tudo na imaginação.
Hoje...
Hoje eu pego essas memórias, tão distantes, mas ao mesmo tempo tão próximas.
Distantes pelo fato de terem ocorrido faz o que, uns 40 anos? Mas é tão próxima por ver Diego, meu moleque aprontando todas as suas.
Ser pai é reviver momentos eternizados em um disco de memórias arranhado, porém com todo o arquivo ainda intacto.
Ser pai, é viver como seu filho, na maior brincadeira e harmonia.
Ser pai...ah, ser pai

domingo, 8 de janeiro de 2012

Não fico aflito por saber que nada sei. O que é? De que? De onde veio? São perguntas cujas respostas não me interessam. O tempo não precisa ser medido; essa frase tem ficado muito tempo na minha cabeça.
Não existe diferença entre verdade e mentira, nem a possibilidade de encontrar o bem e o mal. Não sei porque catso comecei a pensar nisso.
Há muito tempo não dou uma risada. Nem choro. As palavras não significam nada. Meu corpo se curvou para frente, desiludido. Não consigo entender o sentido da minha vida. E isso não me comove mais.
Os homens fizeram a sua própria história, mas não imaginavam onde iriam desembocar. No principio, o céu e a terra eram fenômenos divinos, e só. Em seguida, a Razão, a Ciência encontraram teorias que os definissem. A luta da humanidade era explicar o inexplicável.
Hoje... meu corpo se curvou para frente, desiludido. DANE-SE! Lembro-me de uma música que falava “Tudo, tudo, tudo vai dar certo...” e acho engraçado. Nada deu certo. Já me falaram de uma nova era. Já me falaram do universo em expansão. Mas nada deu certo. Nada.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Ah, como eu queria

Ah, como eu queria
Ser aquela gotícula de suor que passeia em seu corpo
Ser aquele mel que escorre pelos seus lábios
Ou ser um sopro de vento, para poder mover seus cabelos

Ah, como eu queria
Ser a luz da manhã que lhe faz acordar
Ser aquele cobertor que lhe esquenta todas as noites
Ou a luz do mais belo luar

Ah, como eu queria
Ser o azul do céu que ilumina
Ser aquele caminhar calmo
Ou um sorriso de alegria

Mas sempre que me deparo com o que quero
Vejo que nunca estás por perto
Ah, como eu queria...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Imadiatismos

Ela passava as mãos sobre meus cabelos. A intensidade das coisas era forte demais, e eu nunca relutei contra. Alias, a única coisa que lutamos contra era ter a noite de amor dentro de um carro, na porta de sua casa, onde sua mãe poderia aparecer a qualquer minuto.
Tinha horas que inventávamos algum papo para o clima não ficar tenso, afinal a vontade era maior do que tudo em nossos corpos. Lembro-me de botar a Mao por dentro de sua saia. Ela, ofegante, relutou sem querer tirar minha mão lá de dentro. Ela,ofegante e cheia de vontades. Eu...bem, eu fazia o papel de homem, deixando-a com vontade e depois corria, para que ela me procurasse.
Uma coisa que aprendi nessa minha vida era deixar que as mulheres corressem a trás. Sempre fazia elas ficarem com vontade e eu nunca relutava, nunca demonstrava que eu estava cheio de vontades, prestes a explodir. Mas me portava como o dono dos meus instintos.
Seus cabelos, ondulados que mais parecia uma mulata, misturava-se ao molhado de nosso suor e nossos beijos. Era engraçado, mas ela sempre temia em ficar com os cabelos desarrumados, e agora perdia totalmente as estribeiras.
Lembro-me de umas palavras que trocamos. ´´ Tem algo de ruim em você mesmo ´´, perguntávamos, lógico, sem conhecer profundamente nossas vidas. Mas por um mero acaso,acabamos naquele carro, com aqueles beijos e naquela situação.
Fomos apresentados por uma grande amiga em comum. Simone trabalhava em uma loja de brinquedos quando fui comprar algo. Pedi algum brinquedo para meninas, e ela veio com inúmeras opções para a criança brincar de dona de casa. Quando ela viu minha expressão, puxou papo. Viu que eu era apenas mais um de passagem pelo lugar e me convidou para tomar, junto com alguns amigos, um Pisco. Aceitei. Cheguei ao tal bar na hora marcada, apenas Simone estava presente. Começamos a conversar e os amigos iam chegando. Chegaram dois, quatro, seis, quando fui perceber,a mesa estava com mais de trinta pessoas.
No início, apenas papos descontraídos. Chegou um violão e uma flauta. As músicas começaram a rolar, juntamente com as garrafas de pisco. Não consegui contar quantas havíamos bebidos até aquele momento...aquele momento.
-Qual seu nome?
- Viccenzo e o seu?
- Jezabel,mas todos me chama de Jessie.
- Prazer, Jaezabel, nome bíblico,certo?
- Sim, meus pais,religiosos só colocaram nomes bíblicos nos filhos. Meu irmão chama-se Pedro. Quero que seja o nome do meu filho também. O que veio fazer por aqui?
-Te conhecer, eu disse brincando. Ela riu. Começamos a bater um bom papo. Ela, médica formada. Eu? Um mero viajante. Nunca imaginei que uma médica como ela fosse se interessar por mim. Falamos de estrelas, de como era sua vida naquela cidade, de como as coisas aconteciam. Até que, em uma brincadeira boba...
- Nossa, que legal, perfeita, mas é médica. Mesmo assim,quer casar comigo?
Ela riu. Não respondeu nada
- É , uma médica nunca iria se interessar por um nada assim
- Eu não falei que não. Só quero saber, pra você, o que teria demais um filho se chamar Pedro?
-An?, acho que nada, nem sei se pretendo ter filhos na verdade, mas se tivesse, Pedro seria um nome bom sim.
Ela riu. Respirou fundo e pediu licença para ir ao banheiro. Levantou-se rapidamente e sai,às minhas costas. Eu em um impulso que veio não sei de onde, fui atrás. Ela usava o banheiro enquanto eu a esperava no lado de fora. Ela abriu a porta. Uma senhora pediu licença para utilizar e passou entre nós. Quando ela fechou a porta, nos beijamos. Sim, na porta de um banheiro de um bar sujo fechamos o mundo. Tudo poderia cair naquele momento, que estaria tudo bem. As bocas se encontrando, o movimento do corpo, as mãos em uma dança imaginária que parecia ensaiada... aquele beijo mostrou que não foi a primeira vez que estávamos juntos. Mas tudo indicava que seria a última.
Voltamos para a mesa. Em meus pensamentos, pensava que seria algo só ali no banheiro, afinal não conhecia ninguém ali da mesa e já fui logo agarrando uma das mais belas. Ela pediu para chegar mais perto. Beijamos-nos ali, na frente de todos, sem o mínimo de problema. Ela pegou o meu braço e entrelaçou em seu corpo, dando a mostra que sim, ali havia um casal sentado. Ela parecia não querer desgrudar de mim. Falei que iria embora em três dias, que estava só de passagem.
- Então hoje vou te levar pra conhecer alguns lugares daqui. E você é meu convidado, não precisa se preocupar com entrada e bebidas.
- Não, isso não vou permitir, eu pago minha entrada e tudo o que eu beber.
- Ok, mas hoje você terá uma noite boa.
O papo ainda foi rolando naquele bar. Ela ,em um tom confessional, falava baixo pra mim.
- Nossa, difícil eu me interessar por alguém,mas você realmente me chamou a atenção.
- Devem ser meus olhos azuis(eu não tenho olhos azuis)
- Para com isso bobo, sério. Te contar. Eu já fui casada, e conheci meu ex marido assim, no bar e era amigo de uma amiga. Engraçado como são as coisas, eu me encantei por ele assim como estou encantada por você. Estranho,mas parece que tem coisa se repetindo.
- São as pecas que a vida sempre nos prega né. Mas acho que é uma mera coincidência, afinal nós só temos hoje para aproveitar...
- Então teremos uma noite inesquecível...
Ela me levou a um bar pelo centro da cidade. A arquitetura do centro era rústica, um tanto quanto pitoresca também. Achei belo, mas ela por ser moradora de lá, acha feio, prefere as coisas modernas. Como ela mesma falou ´´ gosto de um bom shopping com ar condicionado ´´.
O bar era fechado, sem muita ventilação e com muita gente. Pra mim, era algo que nunca imaginaria ficar, mas não sei porque aquela companhia estava de muito bom grado. Bebemos cerveja, e claro Pisco. Pisco é a bebida combustível daquele lugar.
- Você tem de ir embora mesmo? Fica por aqui. Te ajudo a conseguir um trabalho, uma casa. Você pode ficar em casa um tempo...
- Calma ai,Jessie, vamos com calma. Primeiro, minhas ações são impulsivas, não fique falando pra eu ficar que eu acabo ficando. Segundo, não, não ficaria em sua casa, apesar de querer muito ficar contigo, mas nos conhecemos faz pouco tempo, não seria uma boa ideia isso.
-Eu sei, to fazendo drama,mas você bem que poderia...
E isso ficou na minha cabeça. Bebemos, nos beijamos, nos amamos, nos apaixonamos e chegou a hora de ir embora. Ela pegou um cigarro, que até então não havia fumado.
-Eu sabia que tinha algum defeito, você fuma
-Só às vezes, mas se você se incomoda eu não fumo agora não
-Sem problemas, só não acho bonito, apenas isso.
- Se incomoda ou não?
-Fuma logo.
Ela acendeu o cigarro. Mas por incrível que pareça, achei ela fumando com um charme muito grande. A fumaça ficava em volta de seus cabelos, que até então estavam apenas presos por um elástico. Ela tragava, olhando para o filtro, e soltava para cima, fazendo um bico que me fez lembrar inocência. Estranho, mas uma mulher fumando me lembrou...inocência.
Fomos embora.
- Não quero acabar a noite assim, pra onde você quer ir?
- Você quem mora aqui, não conheço nada.
-Poxa,mas não me vem nada a cabeça agora.
- Certo,tem algum lugar que de pra ver a cidade do alto?
- Tem, mas não sei se já começaram a construir algo por lá, vamos passar e ver.
Andamos por cerca de 20 minutos até chegar ao local, que sim, haviam começado a construir condomínios que impedia nossa vista da cidade do alto.
- Poxa, que droga, vamos dar uma volta,ao menos você pode conhecer um pouco da cidade.
- Certo.
A conversa começou a ficar um pouco mais séria
- Poxa, não vai embora, gostei tanto de você
- Posso afirmar que é recíproco, mas não tenho como ficar. Estou em um hotel podre, e já estou gastando uma grana boa com isso.
- Eu te ajudo
- Jamais
- Pare com isso. Sério, faz tempo que não me interesso por alguém, e você é muito interessante.
Eu fiquei sem graça. Fiquei vermelho e ela começou a fazer coisas de propósito para me deixar mais vermelho ainda.
Paramos no carro. Ela parou, pois ela quem o conduzia. Ficamos parados por umas três horas conversando, rindo, nos beijando... Tudo parecia uma grande novidade, ma tudo parecia que acabaria logo, então cada minuto juntos era precioso. O problema é que as horas que passamos foram minutos. O tempo parecia não cooperar conosco.
Ela, com aquela saia rodada, uma blusa branca. Parecia a mais pura ninfa dada pelos Deuses a mim como presente. Nunca soube se eu merecia realmente esse presente, mas que ele foi muito bem aproveitado, isso pode apostar!
Ali, dentro daquele carro, eu sentia que tudo estava parado. O tempo não valia mais para nada. Muita coisa passou nesse meio tempo. Mensagens, saudades, telefonemas de horas, horas e horas. Parecíamos os melhores amigos de infância, sem nunca termos nos vistos antes.
A vida nos prega esse tipo de peca. O que ficou foi a lembrança de uma paixão forte, intensa, que nunca mais saiu de minha memória e meu coração. E aquela frase, a mesma frase que me perseguiu por todo o tempo que ficamos separados, ainda fica em minha cabeça, afinal ´a vida se apresenta na possibilidade de encontrar a diferença mesmo naquilo que aparentemente se repete´.